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O ESQUEMA DE SAUL KLEIN

Notícias, Notícias - 5 de Maio de 2021

Tempo de leitura: 4min

Saiu no UNIVERSA

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Beatriz* veio de Rondônia para São Paulo após ser contatada pelas redes sociais para um trabalho de “representação de imagem”. Ellen* recebeu uma proposta para ser modelo. Gabriele* foi chamada para fazer “presença VIP” em uma festa. Os nomes são fictícios para preservar suas identidades.

As três e mais outras 29 mulheres denunciaram ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) Saul Klein, 67, filho mais novo de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, por crimes sexuais. As 32 vítimas acusam o empresário de estupro e afirmam que ele manteria uma rede de aliciamento e exploração sexual — 5 delas afirmam que eram menores de idade na época em que os abusos teriam sido cometidos. Klein está sendo investigado pela polícia por “organização criminosa, tráfico de pessoas, estupro, lesão corporal grave, lesão corporal gravíssima, favorecimento à prostituição e exploração sexual, mediação para satisfazer a lascívia, favorecimento da prostituição e exploração sexual e falsificação de documentos públicos”.

Os primeiros relatos com denúncias de abusos cometidos pelo empresário paulistano foram publicados pelo UOL Esporte em dezembro de 2020, após o jornalista Bruno B. Soraggi, da coluna “Mônica Bergamo” da “Folha”, revelar a denúncia contra ele. Agora, Universa traz detalhes exclusivos das acusações contra Klein a partir de relatos inéditos de algumas vítimas sobre o suposto esquema de exploração sexual.

Universa teve acesso à íntegra de depoimentos prestados ao MP, a trechos e decisões do inquérito policial, a dois processos cíveis movidos por mulheres contra Saul Klein e a outros três processos trabalhistas movidos por pessoas que ajudariam a recrutar as modelos e a organizar o dia a dia delas na casa e no sítio do empresário. A reportagem também obteve três contratos nos quais Klein se compromete a pagar até R$ 800 mil pelo silêncio de três garotas. Dois deles foram confirmados por ele perante a Justiça; no terceiro, ele alegou que sua assinatura havia sido falsificada e obteve vitória em primeira instância. Além disso, Universa entrevistou duas vítimas e seus familiares, entre outras pessoas, sob condição de anonimato.

Em 2020, Klein foi candidato a vice-prefeito de São Caetano do Sul (SP) pelo PSD e declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 61,6 milhões.

Em 2009, o empresário vendeu sua parte das ações das Casas Bahia para o irmão, Michael. Desde então, dedica-se ao ramo do futebol: investiu no São Caetano e hoje é dono do clube paulista Ferroviária. A empresa Casas Bahia não é mais administrada pela família Klein. O grupo Via (antigo Via Varejo) é que controla a marca. Quando as primeiras denúncias contra Saul Klein surgiram, o Via soltou comunicado dizendo que o empresário “nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia”.

Nesta primeira reportagem, Universa reconstrói a partir de material exclusivo como as supostas agenciadoras contratadas por Klein chegariam até as jovens, o que lhes seria oferecido e como ocorreriam as avaliações feitas pessoalmente por ele. O perfil dessas nove mulheres era parecido: a idade variava entre 16 e 20 anos, eram desempregadas e tinham o sonho de se tornar modelo. Elas dizem ter desenvolvido dependência financeira e emocional do milionário.

A segunda reportagem sobre o caso, Anorexia e depressão: vítimas que acusam Klein relatam danos psicológicos, traz relatos das vítimas sobre os traumas causados em suas vidas pelo histórico dos supostos abusos. E, a terceira, Tragédia: recrutada na escola, uma das ‘preferidas’ de Klein morreu aos 22, conta a história de Sabrina* (nome fictício). Recrutada quando tinha 17 anos, ela desenvolveu depressão severa e tirou a própria vida aos 22 anos, em setembro de 2020.

No dia 15 de abril, uma reportagem da Agência Pública revelou outro escândalo sexual envolvendo a família Klein. Vítimas acusam o pai de Saul, o empresário Samuel Klein, morto em 2014, de ter mantido um suposto esquema de exploração sexual envolvendo menores de idade durante décadas. A reportagem mostra que acordos de confidencialidade foram feitos com algumas das vítimas.

Procurado por Universa, Saul Klein, por meio de sua defesa, nega todas acusações (leia mais ao final da reportagem).

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