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O ano em que a Justiça desafiou o conservadorismo da Índia

Saiu no site UOL INTERNACIONAL

 

Veja publicação original:  O ano em que a Justiça desafiou o conservadorismo da Índia

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Indira Guerrero.

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Nova Délhi, 17 dez (EFE).- O ano de 2018 na Índia foi protagonizado pelos tribunais, que expediram sentenças para descriminalizar a homossexualidade, o adultério e o direito das mulheres a comparecer a um templo menstruadas, superando mais de um século de conservadorismo.

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Em decisão unânime por cinco votos, a Suprema Corte indiana derrubou uma determinação do Código Penal que punia com prisão as relações entre pessoas do mesmo sexo. A Índia se tornou o segundo país do Sul da Ásia a permitir as relações homossexuais, depois do Nepal.

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Embora a legislação de mais de 150 anos de antiguidade raras vezes tenha sido usada como base para sanções penais, a sentença ditada no início de setembro mudou o cenário de uma sociedade majoritariamente reacionária e, ao mesmo tempo, o reflexo de uma acelerada mudança social no país, onde o Supremo tinha ratificado a mesma lei há apenas cinco anos.

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E isso foi só o começo. Não demorou muito para que os mesmos magistrados voltassem a mexer nas bases conservadoras do país com duas outras decisões.

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Os juízes derrubaram o artigo 497 do Código Penal, redigido também na Era Vitoriana – quando a Índia fazia parte do Império Britânico – e que punia com até cinco anos de prisão quem tivesse relações sexuais com a “esposa de outro homem, sem o consentimento” do marido.

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Com isso, o Supremo fez o país dar um novo passo rumo à igualdade da mulher, especialmente importante em uma sociedade patriarcal que enfatiza o direito dos homens como fiadores da conservação da linhagem.

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A Justiça insistiu mais de uma vez em transgredir os costumes e tradições em direção à igualdade. No mesmo mês, defendeu a liberdade das mulheres sobre o patriarcado da religião, o que permitiu por anos excluí-las de algumas práticas religiosas.

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Contra a tradição hinduísta – que argumenta que as mulheres menstruadas são consideradas impuras e danificam as “vibrações” que emanam do deus -, o Supremo ditou jurisprudência para permitir que elas pudessem entrar no templo do deus Ayyappa, dando resposta a um processo que aguardou 12 anos para ser analisado pela corte.

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As mudanças não foram necessariamente medidas populares, principalmente nos setores mais conservadores, que veem com alarmismo uma acelerada mudança para a “ocidentalização” de uma das civilizações mais antigas do mundo.

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Essa última decisão provocou confrontos de centenas de devotos e membros de organizações hinduístas com as forças de segurança nas portas do templo do deus Ayyappa. Eles tentaram impedir a entrada das mulheres no lugar sagrado.

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Em outra decisão favorável às mulheres, o governo indiano aprovou uma medida que criminaliza, com penas de prisão, a prática muçulmana do “talaq” triplo, com o qual um marido pode se divorciar de forma instantânea e unilateral.

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Embora a Justiça pareça ter traçado um rumo progressista em assuntos de igualdade, em algumas situações com a ajuda do governo, ainda há outros casos a serem trabalhados. Neste ano, os linchamentos consternaram o país com mais de 50 vítimas, na falta de uma legislação para combater esses crimes.

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Muitas das vítimas são suspeitas de sequestrarem crianças e outras caem em mãos de grupos de “protetores de vacas” de extrema direita hinduísta, que consideram esse animal sagrado. Também há crimes de ódio por outras razões religiosas.

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Casos como o de uma multidão que linchou cinco homens após rumores espalhados pelo Whatsapp sobre um suposto grupo de sequestradores de crianças na região. Outro que repercutiu bastante foi o de um muçulmano de 25 anos linchado por supostamente ter roubado gado.

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Enquanto isso, a política segue o próprio rumo com a mais atenção nas eleições gerais de 2019, nas quais o primeiro-ministro, Narendra Modi, planeja ser reeleito.

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O partido nacionalista hindu BJP, de Modi, demonstrou neste ano que chega como favorito para a reeleição, após os resultados das eleições regionais terem deixado claro o grande apoio recebido, deixando poucas chances para o Partido do Congresso, o principal da oposição.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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