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Mulheres negras são as mais atingidas pelo feminicídio

Saiu no site JORNAL GGN

 

Veja publicação original: Mulheres negras são as mais atingidas pelo feminicídio

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O debate foi promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e faz parte da campanha internacional denominada “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, que acontece entre 25 de novembro e 10 de dezembro (Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

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Por Lara Haje e Roberto Seabra

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Seminário Mulheres Negras Movem o BrasilParticipantes de seminário também mostram que as mulheres negras são as principais vítimas da violência doméstica e obstétrica e sofrem com o acesso desigual à Justiça

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As mulheres negras são as mais atingidas pelo feminicídio, pela criminalização do aborto, pela violência doméstica e obstétrica. Esses foram alguns dos problemas apontados no seminário “Mulheres Negras Movem o Brasil: visibilidade e oportunidade”, promovido na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (20), Dia da Consciência Negra.

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“Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas em função da condição de gênero cresceu 54% enquanto o índice de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período”, ressaltou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

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Segundo ela, a violência doméstica atinge mais as mulheres negras, representando 58% das ligações ao Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher). Elas também são as mais afetadas pela mortalidade materna (56%) e pela violência obstétrica (65%), de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Criminalização do aborto
Já Charlene Borges, dos grupo de trabalho de mulheres e de políticas etnorraciais da Defensoria Pública da União, destacou que a criminalização do aborto afeta especialmente a mulher negra. “Elas são as mulheres que são efetivamente objeto da punição ou da persecução penal quando as denúncias são realizadas pelo sistema de saúde”, disse.

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“Também são elas as mais afetadas pela ausência de oferta de política pública de saúde reprodutiva e de planejamento familiar”, completou. “O atendimento nas emergências, quando ocorre a prática do aborto inseguro clandestino, só ocorre porque não existe uma oferta de política de saúde para essa mulher”, acrescentou ainda.

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Cerceamento de liberdade
A especialista em Direitos Humanos Deise Benedito, por sua vez, chamou atenção para a falta de acesso à Justiça e aos direitos básicos pela população negra. “Ainda somos coisificados, ainda somos despossuídos de direitos, ainda somos aqueles que não merecem ser respeitados”, afirmou. “A abolição não foi concluída, não garantiu nenhum direito, não garantiu escola, saúde, moradia e terra”, complementou.

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Segundo Deise, o cerceamento de liberdade ganhou novas metodologias, e os negros passaram do “ferro das senzalas aos ferros das grades das prisões”. “Basta ter a pele escura para ser preso. Basta estar com um guarda-chuva, em dia de chuva, para que você seja morto por confundirem um guarda-chuva com uma metralhadora”, disse.

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A representante da Frente de Mulheres Negras do DF e Entorno, a advogada Vera Araújo, acredita que a desigualdade racial no Brasil é sustentada pelo sistema de Justiça. Conforme ela, menos de 18% dos integrantes do Poder Judiciário são negros e a advocacia também é ostensivamente branca. “A advocacia brasileira sequer tem um censo sobre a presença de negros e não há registro de conselheiros da OAB ou presidentes da ordem negros”, mencionou.

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Assassinatos de quilombolas 
Conforme Givânia Silva, da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombola, o número de assassinato de quilombolas cresceu cerca de 350% entre 2016 e 2017 e esses casos não são investigados. Ela observou que, nos últimos 10 anos, o ano de 2017 foi o mais violento para as comunidades quilombolas de todo o Brasil

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Para deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que propôs o evento, há retrocessos institucionais, como a não demarcação de terras quilombolas nos últimos anos e a reforma trabalhista, que, na visão dela, atinge mais as mulheres negras.

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Promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, com apoio da Secretaria da Mulher da Câmara, o seminário abre os “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres” – campanha internacional que ocorre todos os anos, entre 25 de novembro e 10 de dezembro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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