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‘Marcha da Lama’: há 119 anos, mulheres tomaram as ruas de Londres sob chuva para exigir o voto

Saiu  no site OGLOBO

 

Manifestação histórica de 1907 marcou a entrada definitiva do sufrágio feminino na agenda política britânica.

O que leva milhares de mulheres a enfrentar chuva, frio e ruas tomadas pela lama para ocupar o espaço público? Em 9 de fevereiro de 1907, há exatos 119 anos, essa resposta começou a ser dada no coração de Londres, quando mais de três mil manifestantes marcharam pelo direito ao voto feminino, em um dos atos mais simbólicos da história política do Reino Unido.

Conhecida depois como a Marcha da Lama, a manifestação foi organizada pela União Nacional das Sociedades de Sufrágio Feminino (NUWSS), liderada por Millicent Garrett Fawcett. Defensora de uma estratégia pacífica e institucional, Fawcett apostava na mobilização ordeira como forma de pressionar o Parlamento e tornar incontornável uma reivindicação básica: o reconhecimento das mulheres como cidadãs com plenos direitos políticos.

A coluna saiu de Hyde Park Corner e percorreu cerca de quatro quilômetros até o Exeter Hall, sob chuva intensa e vento cortante. Professora­s, operárias, escritoras, aristocratas e empregadas domésticas caminharam lado a lado, acompanhadas por lideranças do movimento sufragista e apoiadores como Keir Hardie, fundador do Partido Trabalhista. A organização ficou a cargo de Philippa Strachey, que garantiu disciplina e coesão à marcha.

Da lama à agenda política

A imagem das manifestantes avançando em meio à lama teve forte impacto simbólico e imediato. A imprensa britânica destacou o caráter pacífico, numeroso e respeitável do protesto, exatamente o efeito buscado pela NUWSS. Pela primeira vez, o sufrágio feminino deixou de ser tratado como uma excentricidade e passou a ser reconhecido como uma força política organizada.

Embora não tenha resultado em mudanças legislativas imediatas, a marcha consolidou o movimento sufragista moderado e forçou o Parlamento a incluir o tema do voto feminino em seus debates. A partir dali, a pressão só aumentaria, culminando na conquista parcial do direito ao voto em 1918 e na igualdade plena em 1928.

Ao completar 119 anos, a Marcha da Lama permanece como um marco histórico: a demonstração de que direitos não são concedidos espontaneamente. Eles são conquistados, mesmo que seja preciso dar os primeiros passos em meio à chuva e à lama.

 

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