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Há 30 anos, Kevin Spacey interpretava um assediador no filme ‘Uma Secretária de Futuro’

Saiu no site HUFFPOST

 

Veja publicação original:  Há 30 anos, Kevin Spacey interpretava um assediador no filme ‘Uma Secretária de Futuro’

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No aniversário de 30 anos de ‘Uma Secretária de Futuro’, vale a pena lembrar dos temas #MeToo do filme – e do abusador que interpretou um abusador antes de ficar famoso.

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Por Emma Gray

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Décadas antes de Kevin Spacey ser acusado de assédio sexual e ataques sexuais por mais de 15 homens, ele fez o papel de um cara que assediou mulheres no trabalho. Será que chamaríamos isso de… ironia? Chocante? Adequado? Todas as opções anteriores?

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A comédia romântica Uma Secretária de Futuro fez 30 anos neste mês de dezembro.

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O filme é estrelado por Melanie Griffith, no papel de Tess McGill, uma secretária de Staten Island que tem “cabeça para os negócios” e quer ser levada a sério no mundo das finanças. Com a participação de Harrison Ford (no papel de Jack Trainer, um banqueiro especializado em fusões e aquisições que, é claro, conquista o coração da nossa protagonista) e Sigourney Weaver como Katharine Parker (uma megera de quase 30 anos e a única mulher hiper bem sucedida do filme), Secretária é um filme surpreendentemente à frente do seu tempo quando se trata de assédio sexual e suas consequências para as carreiras das mulheres em setores dominados por homens.

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O filme começa com uma tomada do skyline de Nova York: a Estátua da Liberdade em primeiro plano. Tess e seu melhor amigo (John Cusack!) estão na embarcação que liga Staten Island a Manhattan, indo para o trabalho, em Wall Street. Tess está comemorando 30 anos. Do momento em que ela entra no escritório frenético – cheio de homens brancos digitando em computadores de 1988 e gritando no telefone fixo -, fica claro que Tess é muito inteligente e pouco apreciada. Ela faz um ótimo trabalho, mas não consegue ser aceita num programa especial que faria sua carreira deslanchar. Os homens com quem ela trabalha (Oliver Platt e James Lally) a menosprezam, a chamam de “Tessie” e até mesmo tentam juntá-la com um colega, “Bob, da arbitragem”, sob o pretexto de uma oportunidade de emprego.

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Quem é o Bob, um cara nojento que cheira cocaína? Kevin Spacey.

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Bob é o que chamaríamos de Parte do Problema. Uma suposta reunião de networking se transforma num rolê de limusine para um hotel. Quando Bob menciona um quarto que ele reservou com o dinheiro da empresa, usa drogas e derrama champanhe em Tess, ela faz uma dança conhecida de muitas mulheres que passam os dias de trabalho cercadas por homens. Ela finge interesse profissional, mas mantém uma distância segura. Mas aí as coisas começam a piorar: Bob tenta beijá-la no lugar onde derramou o champanhe e a faz assistir um filme pornô na TV da limusine. O golpe está claro: Bob não tinha nenhum interesse na carreira de Tess, só queria comê-la. O cérebro dela não tinha valor nenhum para Bob – nem para os outros colegas, aparentemente.

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Griffith fala dessa cena em uma depoimento sobre Uma Secretária de Futuropublicado no Hollywood Reporter, mencionando o papel de Spacey e afirmando que o fato de ele hoje em dia estar envolvido em escândalos é uma “coincidência estranha”. (É de se perguntar se o ator já pensou na ligação daquele papel com os casos ocorridos longe das telas.)

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“Em Secretária, eu fujo do carro por causa dos avanços [do personagem dele]”, disse Griffith. “Existem milhões de mulheres que passaram por isso, e é por esse motivo que tantas amam esse filme e me dizem até hoje como ele mudou suas vidas.”

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Trinta anos depois, as cenas ainda parecem novas. É claro que houve progressos, ou talvez o assédio seja mais sutil – mais comentários microagressivos, menos filmes pornôs na limusine. Mas até mesmo as millennials que trabalham no setor financeiro seguem relatando casos de comentários sexuais, objetificação e discriminação.

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Como disse Oliver Platt ao Hollywood Reporter: “Eu sabia que estava fazendo o papel de um canalha. Eu e Kevin Spacey éramos os canalhas, meio que os caras culpados do #MeToo. Eis o lance triste: esses canalhas eram muito comuns em Wall Street. Eu achei que meu personagem era um tipo raro, mas descobrimos que, pelo contrário, eles são muito comuns.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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