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Elaine Caparróz foi agredida em casa e na internet. Por quê?

Saiu no site UNIVERSA

 

Veja publicação original:   Elaine Caparróz foi agredida em casa e na internet. Por quê?

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Por Luiza Sahd

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Dentre os assuntos mais comentados na internet essa semana, a agressão à empresária Elaine Caparróz ganhou destaque, primeiro, pelos detalhes absurdos do crime. As imagens do apartamento e do corpo ferido de Caparróz após quatro horas consecutivas de espancamento são de partir o coração — ou seriam, se todo mundo usasse o coração para algo além de bombear sangue oxigenado para o resto do corpo.

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O segundo motivo pelo qual o crime ganhou tanta atenção midiática foi a quantidade de gente que apareceu querendo “explicar”, nas redes sociais, as razões que levaram a empresária a sofrer a tentativa de assassinato.

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Não faltou quem destacasse a diferença de idade entre Caparróz (55) e seu agressor, Vinícius Batista Serra (27), — como se paquerar pessoas de idade semelhante protegesse alguém de sofrer violações. Também não faltaram críticas em relação ao descuido da vítima por convidar um cara para um jantar em casa no primeiro encontro, mesmo depois de passar oito meses conversando com ele via Instagram. Como se ninguém no mundo dormisse com gente que acabou de conhecer numa festa ou em um aplicativo de paquera.

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O crime contra Elaine assusta não só pela violência do abusador, mas também pela violência da mídia e de internautas contra alguém que já está ferida em todos os sentidos possíveis. Sejamos honestos: o que aconteceu à empresária poderia ter acontecido com praticamente qualquer pessoa solteira que não seja muito paranóica. O “descuido” de Elaine nunca existiu. O que existe é o risco constante de cruzar com uma pessoa cruel na hora e no local errados. Fora tudo isso, sempre haverá o risco de ser crucificada no lugar do agressor se você for uma mulher que se sente dona da própria sexualidade.

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Talvez não seja o sangue espalhado pela casa ou os hematomas da empresária que tenham chamado tanto a atenção das pessoas. Agressões machistas não são exatamente uma novidade no noticiário brasileiro, mas a coragem desta mulher — que se expôs na internet, aos 55 anos, para falar de um tema tão doloroso e importante — sim.

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A primeira coisa que uma mulher sente quando sofre uma agressão é vergonha; a segunda é culpa, mesmo que ela não seja responsável pela brutalidade alheia. Isso acontece porque nunca faltaram dedos apontados para as vítimas de agressões desmotivadas como essa, cometida por Vinícius Serra.

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Elaine Caparróz já declarou, em entrevista, que as mulheres precisam tomar cuidado e que ela nunca mais quer correr o risco de ser violentada. Dá uma tristeza imensa escutar sua fala e lembrar que a única maneira de se proteger de agressões como esta seria não se relacionar com absolutamente nenhum cara — já que  61% dos abusadores denunciados no último ano eram conhecidos da vítima, sendo principalmente companheiros e ex-companheiros. Muitas vezes, os assassinos foram companheiros de longa data das vítimas.

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Como é impossível proteger todas as mulheres das agressões de seus parceiros (sejam eles fixos ou casos de uma noite), seria um excelente começo protegê-las das agressões de desconhecidos na internet ou de hostilizações que não passam nem perto de resolver o problema. A culpa por abusos é sempre do abusador porque sem abusadores, não existiriam vítimas.

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Elaine Caparróz foi generosa com as mulheres ao dividir seu testemunho, mas acabou sofrendo agressões durante muito mais do que as quatro horas de espancamento: a primeira sessão de tortura aconteceu na própria casa; a outra continua acontecendo na internet.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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