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É preciso enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres

Saiu no site FOLHA DE S.PAULO

 

Veja publicação original: É preciso enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres

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Por Tatiane dos Anjos

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A violência contra as mulheres é sofrida em todas as fases da vida. Muitas vezes, ela se inicia ainda na infância e acontece em todas as classes sociais. A violência cometida contra as mulheres no âmbito doméstico e a violência sexual são fenômenos sociais e culturais ainda cercados pelo silêncio e pela dor.

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Constitui-se em uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos, atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde e à integridade física. É estruturante da desigualdade de gênero.

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O assédio também é uma violência que pode ocorrer no ambiente de trabalho, em que a mulher se sente muitas vezes intimidada, devido a esse tipo de prática ser exercida principalmente por pessoas que ocupam posições hierárquicas superiores.

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Mulheres lésbicas e bissexuais podem sofrer diversos tipos de violência em função de sua orientação sexual, desde agressões físicas, verbais e psicológicas, até estupros corretivos (que pretendem modificar a orientação sexual da mulher). Mulheres transexuais também se tornam alvos de preconceitos e agressões múltiplas e ainda lidam com violências dentro de instituições, como as que ocorrem no ambiente de trabalho e nos serviços de saúde.

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O tráfico e a exploração sexual de mulheres, meninas e jovens, também são práticas relevantes no que diz respeito às violências de gênero. O tráfico de mulheres, que tem como finalidade a exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, a escravatura, a servidão, a remoção de órgãos ou o casamento servil, envolve uma ampla rede de atores e ocorre tanto local quanto globalmente, e consiste em violação dos direitos humanos das mulheres.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou uma pesquisa com 83 países sobre o assassinato de mulheres. Nesse ranking, o Brasil ocupa a quinta posição com uma taxa de 4,8 homicídios de mulheres a cada 100 mil. É um indicador que os índices do país são excessivamente elevados.

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O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por serem mulheres. As negras são ainda mais violentadas: entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.

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O enfrentamento às múltiplas formas de violência contra as mulheres é uma importante demanda no que diz respeito a condições mais dignas e justas. A mulher deve possuir o direito de não sofrer agressões no espaço público ou privado, de ser respeitada em suas especificidades e de ter garantia de acesso aos serviços da rede de enfrentamento à violência quando passar por situação de agressão, seja  física, moral, psicológica ou verbal.

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É dever do Estado e uma demanda da sociedade enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Coibir, punir e erradicar todas as formas de violência devem ser preceitos fundamentais de um país que preze por uma sociedade justa e igualitária entre mulheres e homens.

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Aos 38 anos, Marielle Franco presidia a Comissão da Mulher e havia sido nomeada relatora da comissão que acompanharia a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

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A vereadora do PSOL foi assassinada a tiros na noite de uma quarta-feira, em 14 de abril, na região central do Rio. Além da vereadora, o motorista do carro em que Marielle estava, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morto. Ela voltava para casa depois de participar do evento Jovens Negras Movendo as Estruturas. Segundo a polícia, outro veículo emparelhou com o dela e os ocupantes abriram fogo. Foram recolhidas oito balas no local.

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O caso é paradigmático porque atinge a democracia como espaço de construção de alternativas. Parece-nos necessário partir do óbvio. A existência da democracia depende da participação política das mulheres em que seja assegurada e que a violência contra as que driblam barreiras e se fazem ouvir seja contida.

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A violência contra nós mulheres é um ciclo. Marielle dedicou sua vida a lutar contra a desigualdade e pelos direitos das mulheres, do povo preto, da favela, das LGBTs e de todas que viviam qualquer forma de opressão.

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Nesse contexto, a Visão Mundial, por meio do Monitoramento Jovem de Políticas Públicas, surge como um movimento que incentiva adolescentes e jovens de várias comunidades do Brasil a olhar para suas realidades, levantar os problemas e junto com os atores comunitários pensar em soluções.

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Hoje o movimento acompanha as políticas de educação, proteção infantil e pela redução dos índices de vulnerabilidade da juventude negra. Essa iniciativa mostra como é importante ter a participação dos jovens na incidência política, pois são agentes essenciais na transformação de suas comunidades e de minimizar os índices de violência.

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Vamos transformar nosso luto em luta e honrar a memória de Marielle e de diversas mulheres que sofrem todos os dias as diversas violências.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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