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Completamente sozinhas, mulheres seguem em maternidade solo

Saiu no site CORREIO 

 

Veja publicação original:   Completamente sozinhas, mulheres seguem em maternidade solo

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Por Flavia Azevedo

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Já que, hoje, falamos de “mães solo”, o carão é um recadinho pros “pais de selfie”. Para bom entendedor, um meme basta.

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Completamente sozinhas, com rede de apoio ou com pai “presente” (entre aspas, se não está no dia-a-dia como, mesmo separado, deveria), mulheres seguem, cada vez mais, em maternidade solo. Na última QuantA especial do Mês da Consciência Negra, você vai conhecer cinco mães solo negras que esbanjam amor e poesia, mesmo matando um leão por dia e segurando touros pelos chifres. E quais são os desafios?

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Ana Paula Pereira, mãe solo de Iara, é designer de moda e RP
Iara foi uma surpresa para Ana Paula que convive, diariamente, com as dores da fibromialgia. É fácil? Não é. E qual o maior desafio? Para ela, “as pessoas cobram muito da mãe, opinam sem serem questionadas, quando deveriam apenas abraçar e acolher. Me vejo as vezes tendo meus desejos ignorados, pois acham que sou nova e não entendo nada da vida. Seria cômico, se não fosse trágico. Maternar é muita treta!”. Principalmente para quem, como ela, pratica “criação com apego”, amamentando em livre demanda e estimulando a autonomia da bebê.

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Foto: Divulgação

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Ana Marcia, mãe solo de Abayomi e Ana Flor, vende trufas caseiras

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Na foto, Ana aparece grávida da terceira filha que, infelizmente, morreu logo depois de nascer. Apesar da forte rede de apoio, é com a mãe que as meninas contam, em todos os momentos. Para ela, o maior desafio é educar e alimentar: “educar crianças negras para que tenham identidade, uma educação sexual, espiritual e, sobretudo, orgulho de quem são. Para que saibam se respeitar, respeitar o próximo e os princípios. Essa é uma das partes mas desafiadoras para mim”.

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Foto: Divulgação

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Elvisa Shalimar, mãe solo de  Maria Elisa e Maria Antonia, é professora da educação infantil
Ela terminou uma relação de 15 anos ao perceber que o mal estar interferia na mãe que estava se tornando. Desde então, segue enfrentando os desafios que  “são inúmeros, desde acolher emocionalmente minhas filhas e empoderá- las para seguirem um caminho de meninas pretas seguras diante do contexto monoparental até manter minha carreira em ascensão num mercado em que mulheres pretas e mães precisam se afirmar para atender demandas tal qual um homem. Além disso, voltar a me conectar comigo em experiências amorosas afrocentradas e encarar tudo isso com a leveza de quem goza a liberdade”.

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Foto: Divulgação

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Layane Fonseca, mãe solo de Ayana, é  assessora parlamentar
Depois de uma relação passageira e muitos exames por causa de uma crise de gastrite, ela descobriu a gravidez “acidental” quando a gestação já passava dos seis meses. Desde então, mora com a mãe e a filha cumprindo, todos os dias, a missão de educar. Layane tem o acolhimento da família paterna da filha e da própria família, e garante que “o maior desafio é educar, pois eu sou mulher negra e sei o quanto o racismo é cruel com as mulheres nesta sociedade em que vivemos. O racismo, o machismo, o sexismo, limitam nossos sonhos, nossos talentos”.

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Foto: Divulgação

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Elizabete Santos, mãe solo de Laíla, é assistente administrativa
Depois de um casamento de 18 anos, Elizabeth precisou se separar. Sem rede de apoio, aponta a questão financeira como uma grande dificuldade: “Ou você traz o dinheiro para casa ou você cria o filho. É uma grande responsabilidade. Pagar alimentação, escola, médico, dentista, material escolar, remédios, festa de aniversário… uma lista interminável. Educar e criar não é uma tarefa fácil. Tenho a ajuda de meus irmãos, é difícil assumir 100% sozinha”.

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Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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