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Ativista estimula mulheres sauditas, proibidas de dirigir, a pedalar

Saiu no site FOLHA DE SP:

 

Veja publicação original: Ativista estimula mulheres sauditas, proibidas de dirigir, a pedalar

 

Para a saudita Baraah Luhaid, a liberdade tem duas rodas. A cicloativista de 25 anos acredita que as bicicletas podem ajudar as mulheres, proibidas de dirigir em seu país, a ter mais autonomia para se movimentar.

“As principais cidades da Arábia Saudita ainda são muito voltadas para os automóveis e têm pouca oferta de transporte coletivo. Bicicletas acabam sendo uma opção mais sustentável e barata que os carros e serviços de carona, como o Uber”, diz.

Pensando nisso, Luhaid abriu o Spokes Hub, um café para ciclistas em Riad onde vende equipamentos e organiza cursos para estimular mais pessoas a pedalar.

Ela também está em contato com estilistas para criar um modelo de abaya, a túnica feminina típica, que garanta flexibilidade e conforto na bicicleta sem desrespeitar a tradição islâmica.

A vestimenta das mulheres na Arábia Saudita é restringida pela sharia, a lei islâmica, sendo obrigatório o uso do véu e de trajes modestos em público.

Na semana passada, a modelo saudita Khulood foi detida após um vídeo em que ela aparece de minissaia caminhando pelo forte histórico de Ushayqir causar furor nas redes sociais. As autoridades a liberaram sem prestar queixas.

SUBORDINAÇÃO

Além das restrições de vestimenta e de não poderem dirigir, as mulheres na Arábia Saudita dependem da autorização de um guardião, em geral o marido ou um parente do sexo masculino, para realizar diversas atividades, como estudar e viajar.

“Esse status de subordinação das mulheres, que é legalizado no país, está muito vinculado à família”, explica Elcineia Castro, doutoranda em Relações Internacionais pelo programa San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).

O Ranking de Diferença de Gênero do Fórum Econômico Mundial posiciona a Arábia Saudita em 141º lugar na lista de 144 países.

Fundado em 1932, o reino saudita tem um regime político fechado à sociedade civil e adota como religião oficial o wahabismo, interpretação rigorosa do islã sunita.

Apesar das denúncias de violação de direitos humanos direcionadas às autoridades do país devido ao tratamento dispensado às mulheres, Castro ressalta que “as sauditas tiveram muitas conquistas importantes nos últimos dez, 15 anos”.

Desde 2009, mulheres foram apontadas para cargos no governo e ganharam destaque na chefia de universidades. Em 2013, a violência doméstica passou a ser considerada crime e mulheres integraram a Assembleia Consultiva do país.

Em 2015, elas puderam votar e ser eleitas pela primeira vez em pleitos municipais.

“Há uma grande mudança em curso no reino saudita, e o mais importante é que o gradativo reposicionamento das mulheres conta com a participação delas”, afirma a pesquisadora.

Para a especialista, o avanço nos direitos das mulheres na Arábia Saudita “deve ser visto com os olhos das próprias sauditas, e não de nós, ocidentais”.

“Muitas delas querem mais espaço sem necessariamente romper com a tradição islâmica”, lembra Castro.

Luhaid diz que, embora nenhuma lei do país impeça as mulheres de andar de bicicleta, ainda há poucas sauditas adeptas do ciclismo.

“As mulheres que conheceram meu projeto ficaram animadas”, conta. “Quero que as pessoas saibam que podem pedalar aqui.”

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