Saiu no site G1
Maída Vaz Fialho, de 31 anos, foi resgatada de uma comunidade ribeirinha de Macapá (AP) junto com os dois filhos após médicos identificarem sinais de agressão e denunciarem o caso.
Maída Vaz Fialho, de 31 anos, resgatada com dois filhos após viverem 15 anos em cárcere privado em uma comunidade ribeirinha de Macapá, no Amapá, contou em entrevista ao g1 que sonhava em se livrar da violência, mas tinha medo das ameaças do companheiro.
O resgate aconteceu na quinta-feira (4), na comunidade de Rio Fugido, depois que médicos denunciaram sinais de agressão no corpo dela. Ao chegar ao local, policiais foram recebidos a tiros por Vailson Pinheiro de Carvalho, de 34 anos. Os agentes reagiram e o suspeito morreu no confronto.
Maída contou que conheceu o agressor quando tinha 14 anos. Os dois viviam em comunidades ribeirinhas próximas e iniciaram um relacionamento.
Segundo ela, no início da relação, Vailson não demonstrava comportamento agressivo.
Com o tempo, as agressões se tornaram frequentes. Maída disse que o companheiro a torturava com um facão que causaram vários cortes no corpo.
“[As cicatrizes] são recentes e outras já são antigas. Ele pegava o terçado e me cortava. Mas não era sempre. Ele também me batia com a mão”, afirmou.
As agressões voltavam sempre que os ferimentos cicatrizavam.
Foi por causa desses cortes, sofridos em uma das agressões, que Maída precisou buscar atendimento médico em uma comunidade próxima. Assim que chegou ao posto de saúde, os profissionais, ao perceberem os sinais evidentes de violência, fotografaram as lesões e decidiram fazer uma denúncia à polícia.
“Os médicos perceberam que tinha isso. Eles me atenderam e me levaram para costurar [os cortes]. Aí o médico tirou as fotos e denunciou”, contou.
Ainda segundo a vítima, as agressões aconteciam quando o homem não aprovava a comida preparada por ela ou quando ele consumia bebidas alcoólicas.
As ameaças de morte eram constantes. Vailson dizia que, se ela denunciasse, a vida da mãe, dos filhos e a dela estariam em risco. Por isso, Maída conta que não buscou ajuda.
O casal tinha quatro filhos, mas apenas dois viviam com eles: uma adolescente de 15 anos e um menino de 4. Para sair de casa, mesmo que para compras simples, como alimentação e itens de limpeza, Maída precisava estar acompanhada do marido.
Ela não podia manter contato com ninguém fora de casa, nem amigos ou vizinhos, e também não tinha acesso à internet.
“Eu não tinha celular. Toda vez que eu comprava um, ele quebrava. Aí ele me batia, cortava meu cabelo e não queria que eu falasse com ninguém”, afirmou.
Recomeço
Após o resgate, Maída recebeu atendimento de órgãos de proteção à mulher no Amapá. Depois dos primeiros cuidados, ela voltou a morar com a família em Melgaço, no Pará, ao lado dos filhos.
Hoje, tenta reconstruir a vida após anos de violência e isolamento. Ao falar sobre o momento atual, descreveu a sensação de liberdade que voltou a ter.
“Eu tô me sentindo livre. Tô me sentindo como se fosse um passarinho livre. Posso sair pra onde quiser. Posso fazer o que eu quiser, posso trabalhar em paz. Posso dormir a hora que eu quiser também. Posso fazer tudo aquilo que eu queria fazer”, contou.






