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Portugal promove campanha por igualdade salarial entre homens e mulheres

Saiu no site RFI

 

Veja publicação original: Portugal promove campanha por igualdade salarial entre homens e mulheres

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O governo de Portugal lançou nesta semana uma campanha de conscientização pela igualdade salarial entre homens e mulheres. A iniciativa quer ajudar na redução da disparidade atual, que é de quase 15%. Na prática, o número significa que as trabalhadoras do país ganham, em média, 150 euros a menos por mês do que os homens. Em atividades de alta qualificação, a diferença ultrapassa os 600 euros.

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Por Caroline Ribeiro

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Com o título “Eu Mereço Igual”, a campanha utiliza mensagens em fotos e vídeos que colocam em causa as justificativas mais populares para os salários menores das mulheres. “Eu mereço ganhar menos porque sou mãe?”, questiona uma das atrizes na peça publicitária.

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A campanha quer sensibilizar toda a sociedade, mas principalmente patrões e empresas, e reforça a entrada em vigor da Lei da Igualdade Salarial, ocorrida no último mês de fevereiro. A nova lei estabelece que os empregadores devem adotar uma política transparente para definir os salários e repassar os dados para os órgãos de fiscalização do ministério do Trabalho. Uma comissão competente analisa as informações e pode intervir caso encontre disparidades. O governo passa a ser obrigado a apresentar, anualmente, análises estatísticas sobre a situação.

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Em nota de divulgação sobre a campanha, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, destaca que “nunca é demais reafirmar que os salários só devem ser definidos com base em critérios objetivos e nunca com base no sexo; que as mulheres devem poder aceder às profissões mais bem pagas e a cargos de decisão; que o trabalho de cuidado deve ser assumido de forma igual por mulheres e por homens; e que devem ser asseguradas condições de conciliação da vida profissional, pessoal e familiar a umas e a outros. Só assim se conseguirá uma igualdade salarial efetiva”.

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Impacto

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Os dados do governo mostram que o gender pay gap, a diferença geral entre os salários de homens e mulheres, chega a ser de 57% no setor de atividades artísticas e esportivas, de 26% em atividades de saúde humana e de 24% em atividades de consultoria e científicas.

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“O impacto dessas desigualdades é grande na vida das mulheres. Pode não ser percebido à primeira vista, mas a mulher acaba por se sentir discriminada quando faz o mesmo trabalho que um homem e recebe menos. E isto é uma discriminação que já não se admite no século XXI”, afirma à RFI Manuela Tavares, diretora da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), principal entidade de defesa dos direitos das mulheres em Portugal.

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A ativista considera que as medidas adotadas recentemente pelo governo são importantes, principalmente “para começar a pressionar as empresas”, no entanto diz faltar investimento na qualificação profissional das mulheres. “Na prática as empresas acabam investindo menos na carreira profissional das mulheres porque é suposto que elas sejam as cuidadoras das famílias, dos filhos, das pessoas idosas. Enquanto esta mentalidade não se alterar, para que homens e mulheres partilhem mais as tarefas em casa, vai haver um reflexo em toda a sociedade”.

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A campanha “Eu Mereço Igual” faz parte um cenário mais amplo de atuação do governo pela diminuição das disparidades. Além da nova lei, Portugal aderiu, no último mês de julho, à Coligação Internacional para a Igualdade Salarial (EPIC, na sigla em inglês), que é liderada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo Departamento de Mulheres das Nações Unidas e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

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Esta é a primeira fase da campanha, que segue até o dia 15 de setembro. A próxima etapa vai ser realizada na primeira quinzena de novembro, para coincidir com as comemorações do Dia Nacional da Igualdade Salarial em Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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