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ARTIGO: ”Ser mulher é estar sob risco”

Saiu no site CORREIO BRAZILIENSE

 

Veja publicação original:   ARTIGO: ”Ser mulher é estar sob risco”

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Por Fabriziane Zapata

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No Brasil, desde 2015, a lei penal pune o crime de feminicídio, que consiste em matar “a mulher por razões da condição de sexo feminino”. Segundo o Código Penal, há razões da condição de sexo feminino “quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. É feminicídio não apenas o caso em que vítima e seu algoz mantiveram alguma relação afetiva, mas também quando os fatos criminosos evidentemente demonstram que a “condição” de mulher foi decisiva para seu cometimento. Ser mulher é, infelizmente, estar constantemente sob o risco de sofrer violências, por toda a vida, desde criança até idosa, em todas as classes sociais e em todas as raças.

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Atualmente, cifras assustadoras (e vergonhosas) apontam o Brasil como o quinto país do mundo que mais mata as suas mulheres. E, por isso, precisamos falar sobre gênero, sobre as relações profundamente desiguais de poder entre homens e mulheres. Afinal, o que faz um homem acreditar que ele pode eliminar a vida de uma mulher quando ela se recusa a manter relação sexual com ele (ou quando se recusa a um beijo, ou a um abraço, ou a qualquer ato lascivo) ou quando ela se recusa a permanecer no relacionamento (aqui, a famosa frase “se não for minha, não vai ser de mais ninguém”)?

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Incentiva-se que meninos, desde muito cedo, sejam agressivos e que mostrem que são homens (“homem não chora”, “homem não leva desaforo para casa”, “vira homem!”). Na adolescência, ou mesmo antes dela, meninos são encorajados, e até mesmo obrigados, a mostrarem toda sua virilidade (“já tem namorada?”, “pegou quantas?”, “esse vai ser um garanhão!”). Além dos comentários mais “inocentes” de familiares e amigos, ainda temos que nos atentar para publicidades que reforçam os estereótipos de gênero, mostrando a mulher como um corpo a ser consumido, em última análise, uma coisa. E se as mulheres são apresentadas a todo tempo como coisas (umas mais valiosas, outras menos), a partir do momento em que não servem mais, podem ser descartadas.

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Por outro lado, paremos de julgar a vítima mulher. Afinal, a culpa pela morte da mulher não é da “saia curta”, ou do seu “belo corpo”, ou porque ela estava “andando sozinha na rua”. Ela foi morta porque existe uma cultura machista que legitima a posição de superioridade de homens, perpetuando relações violentas entre os sexos.

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Não se trata de negar as diferenças entre homens e mulheres, mas de afastar as ditas “masculinidades tóxicas”, a busca para se provar “macho” a todo momento – estimulando violência, fechamento emocional, homofobia e obsessão com dinheiro, sexo e poder.

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Precisamos urgentemente de um movimento consciente de toda a sociedade (homens e mulheres) para a educação de meninos e meninas, ensinando e mostrando, no dia a dia, que têm os mesmos direitos e oportunidades (equidade de gênero) e que merecem respeito. Somente através da educação, nas famílias, nas escolas, nos meios de comunicação, que poderemos mudar esta cultura tão nefasta que adoece todo o corpo social, e causa tanta indignação, frustração, impotência, tristeza e sofrimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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