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Violência e feminicídio: é muito importante o debate do tema e é crucial medidas concretas e emergenciais

Saiu no site RONDÔNIA DINÂMICA

 

Veja publicação original:  Violência e feminicídio: é muito importante o debate do tema e é crucial medidas concretas e emergenciais

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Há muito o que fazer, é imprescindível que seja feito e é urgente que mais e novas medidas sejam implementadas

 

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Por Itamar Ferreira

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RETICÊNCIAS POLÍTICAS

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O tema do feminicídio vem ganhando cada vez mais espaço nos noticiários, nas redes sociais, na academia e nas conversas cotidianas. Especialmente após o advento auspicioso da aprovação da Lei Maria da Penha e do aumento no rigor nas penas relacionadas ao assassinato de mulher por ser mulher.

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Todavia, em uma avaliação mais apressada e superficial, tem se a impressão de que após a entrada em vigor dessas leis mais duras os números da violência doméstica e do feminicídio aumentou em vez de diminuir. Entretanto, essa nova legislação está revelando um submundo, secularmente oculto, que antes não vinha à público e a sociedade como um todo enxergava apenas a “ponta do iceberg”.

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A maior conscientização da sociedade como um todo, a criação de delegacias da mulher – ainda insuficientes e funcionando apenas em horário comercial – casa abrigo (infelizmente uma raridade) e as novas leis, estão encorajando mais e mais mulheres a denunciar a violência doméstica, além de tipificar o feminicídio que antes entrava nas estatísticas gerais de violência.

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Em nossa multissecular cultura machista, que está em maior ou menor grau presente em praticamente todos os homens e mulheres, sempre houve um processo de responsabilização das vítimas; além da visão de que “brigas de casal” seria um problema doméstico, não afeto à terceiros, como no esdrúxulo e popular ditado de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Felizmente isso está mudando e atualmente não se “mete a colher”, mas sim a polícia, o Ministério Público e a Justiça.

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Mas, essa nova legislação, estrutura de amparo e defesa e maior publicidade sobre os casos de violência doméstica ainda são muito insuficientes diante da enormidade e gravidade do problema. É preciso novas e mais medidas concretas e emergenciais. Neste sentido, aponta-se neste artigo duas sugestões de linha de ação.

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“É de pequenino que se torce o pepino”, como dizia meu saudoso avô Cirilo. Precisamos conscientizar as novas gerações, criar uma cultura de que a violência contra a mulher é algo vergonhoso, vexatório e covarde. Isso poderia começar com palestras nas escolas, feitas por autoridades, médicos, advogados, lideranças religiosas/ sociais… E, também, buscar incluir este tema na grade curricular, de forma enfática.

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Segundo, a ausência de apoio e a dependência econômica são as principais barreiras para muitas mulheres, que estão sendo vítimas de violência neste exato momento, formalizarem uma denúncia contra seus companheiros agressores. É preciso criar uma ampla rede de apoio, não só fornecida pelo Estado, como pelas entidades da sociedade civil organizada, como ONGs, Igrejas e Sindicatos. A mulher agredida, que faz uma denúncia, precisa ser protegida e afastada do agressor.

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Há muito o que fazer, é imprescindível que seja feito e é urgente que mais e novas medidas sejam implementadas, visando criar uma nova cultura de repúdio e indignação em relação à violência contra mulher. É preciso, igualmente, medidas para evitar/diminuir o feminicídio e garantir punições exemplares para cada algoz que praticar esta infâmia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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