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“500 mulheres para calar 1 homem”, diz Bruna Lombardi sobre médium

Saiu no site R7

 

Veja publicação original:   “500 mulheres para calar 1 homem”, diz Bruna Lombardi sobre médium

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Atriz, que esteve em Abadiânia em julho deste ano, fez um post comentando o caso de João de Deus, acusado de abuso sexual

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Por Deborah Bresser

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A atriz e escritora Bruna Lombardi usou seu Instagram, nesta sexta-feira (21), para comentar as acusações de abuso sexual contra o João de Deus, que está preso preventivamente. No post, Bruna relata a visita que fez ao centro do médium Abadiânia e se disse em choque com as notícias.

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— Visitei Abadiânia pela primeira vez e fui conhecer o medium João de Deus em julho desse ano. Fui com minha família e passamos dois dias. Fomos apenas por curiosidade, ninguém precisava de cura e nem buscava apoio espiritual. E todos, inclusive ele, foram extraordinariamente gentis conosco.

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Bruna Lombardi também comentou sobre a quantidade de mulheres que acusam o médium, e sobre a dificuldade que as vítimas enfrentam, levando muitas a desistirem por medo da impunidade do agressor.

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— Alguns meses depois o choque. As notícias, os relatos, as histórias de todas essas mulheres que tiveram a coragem, depois de tanta dor, de denunciar o abuso. E dói pensar que foi preciso quinhentas mulmulheres pra calar a voz de um homem. Dói pensar num sistema conivente que fragiliza a tal ponto a posição da mulher, que ela se recolhe, com dor e vergonha, sabendo que não tem a força suficiente para ser ouvida. Dói pensar que a vítima desiste sabendo que tudo é impune. Quantas vidas massacradas ainda vão se calar diante de uma sociedade que absolve feminicídios? Que admite e compactua com a violência doméstica? Que nem registra abusos entre marido e mulher?

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A atriz também fez uma análise de 2018, dizendo que foi um ano transformador, no qual acenderam-se os porões e a brutalidade da natureza humana deixou marcas e perdas irreparáveis. “Todos perdemos um pouco”, avaliou.

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— Fé, confiança, esperança. Perdemos pessoas que lutavam, perdemos heróis anônimos…  E diante de todo esse cataclisma, de todo esse movimento do magma, ficamos perplexos e mais sofridos. Vozes de razão, vozes de ódio, vozes de medo, vozes de separação. Um mundo polarizado. Uma velha frase do Bernard Shaw dizia que o bom senso existe, mas se esconde com medo do senso comum. Mas da mistura de tudo isso nasce uma nova flor. Uma nova liberdade. Uma nova força.

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Ela termina seu post com palavras de otimismo e incentivo para todas as mulheres.

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— Não somos mais as bruxas caçadas e queimadas, somos fruto da mistura de tudo isso, que resulta numa nova resistência. Agora somos imbatíveis. Sabemos que podemos. Podemos contar umas com as outras, podemos ser o que somos e alcançar o que queremos. Estamos juntas, somos solidárias, ninguém tá sozinha. A gente consegue sim transformar a situação. A voz de uma é a voz de todas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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