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ONU alerta para avanço de discursos que desprezam mulheres e minorias

Saiu no site INSTITUTO GELEDÉS

 

Veja publicação original:  ONU alerta para avanço de discursos que desprezam mulheres e minorias

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No mês em que o mundo comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, a chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, alertou para o surgimento de uma nova ordem mundial, que neutraliza as opiniões contrárias e se alimenta do desprezo pelas mulheres e minorias.

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Segundo a dirigente, esses discursos e posicionamentos veem os refugiados, migrantes, os povos indígenas e outros grupos como “a desordem”, como se fossem elementos menos valiosos da sociedade.

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No mês em que o mundo comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, a chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, alertou para o avanço de discursos e posicionamentos que ameaçam essas garantias fundamentais. Dirigente vê com preocupação o que descreveu como o surgimento de uma nova ordem mundial, que silencia as vozes discordantes e se alimenta do desprezo pelas mulheres e minorias.

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“É alarmante constatar atualmente como, em todo o mundo, cresce e se legitima uma ordem mundial que coloca em risco os direitos humanos básicos, uma ordem que neutraliza as opiniões contrárias e sufoca o debate, que recusa o multilateralismo e as instituições internacionais de cooperação e solidariedade e que coloca em risco as normas e os padrões universais de direitos humanos, igualdade, justiça e bem-estar”, afirmou a dirigente.

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Segundo Phumzile, “essa ordem mundial se alimenta das estruturas patriarcais que subordinam as mulheres e as minorias, que silenciam vozes, que menosprezam as opiniões discordantes”.

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“É uma ordem que não tem espaço para aqueles que estão lutando às margens da nossa sociedade. Ao contrário, vê esses grupos — as pessoas migrantes ou refugiadas, os povos indígenas ou qualquer um que desafie as normas sociais tradicionais — como se fossem ‘a desordem’, como se fossem elementos menos valiosos da sociedade. Está baseada na exclusão ao invés da inclusão. Está baseada na injustiça ao invés da justiça”, completou a diretora-executiva da ONU Mulheres.

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A especialista lembrou que, ao longo dos 70 anos desde a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, a comunidade internacional se empenhou em manter uma ordem global bem distinta desse novo panorama, baseada inversamente na solidariedade, no respeito pela humanidade compartilhada e no compromisso com o bem público. Isso foi possível mesmo com as diferenças culturais, linguísticas, religiosas e políticas.

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“Nesse Dia dos Direitos Humanos e nesse 70º aniversário, lembremos que todos os Estados-membros da ONU são obrigados a implementar e defender os direitos humanos fundamentais, a dignidade e o valor de todas as pessoas e a igualdade de direitos entre homens e mulheres”, afirmou Phumzile.

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Países, acrescentou, também devem estabelecer as condições que mantenham a justiça e o respeito das obrigações contidas nos tratados e outras fontes do direito internacional.

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Direitos humanos: responsabilidade de todos

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Phumzile explicou ainda que não apenas os governos, mas todos os cidadãos têm o dever de defender os direitos humanos.

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“Todos nós na sociedade temos um papel a desempenhar, manifestando-se pelos direitos humanos universais, chamando atenção para abusos e levando nossos dirigentes a responder pelos valores que eles prometeram garantir. Cabe a todos nós defender e manter os valores sobre os quais as Nações Unidas foram fundadas, apoiar, fortalecer e integrar o trabalho vital dos movimentos solidários e amplificar as vozes de mulheres e meninas no mundo, que estão se manifestando em alto e bom som”, disse a dirigente.

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“Hoje, reafirmemos o nosso compromisso com um mundo em que os direitos humanos e os direitos das mulheres sustentem a justiça, a solidariedade, a harmonia e a prosperidade para todas e todos.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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