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Ao contrário do que prega a tradição, cuidar de filho não é coisa de mulher

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Veja publicação original: Ao contrário do que prega a tradição, cuidar de filho não é coisa de mulher

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Por Regina Navarro Lins

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No Ocidente, o número de pais solteiros está crescendo. Ao contrário de outras épocas, que, em caso de separação, nem se discutia com quem o filho iria viver — só em casos excepcionais a criança ficava com o pai —, hoje muitos pais solicitam a guarda dos filhos.

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Vários estudos revelam que os homens se arranjam bem quando têm que ser pai e mãe ao mesmo tempo. A inglesa Margareth O’Brien, que conduziu uma pesquisa muito detalhada com 59 pais londrinos com a guarda de crianças de cinco a onze anos, cita esta confidência de um deles: “Devo referir-me a mim mesmo como a uma mãe, porque não há palavra para designar os homens que fazem o que eu faço”.

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Como a pesquisa do sociólogo americano Scott Coltrane documenta, os homens mais jovens, principalmente, estão começando a descartar as definições estereotipadas de paternidade como um papel distante, provedor de disciplina, ao invés de maior envolvimento com o cuidado da criança, geralmente classificado de maternagem.

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Ao contrário do que prega a tradição cultural, a maternagem — cuidados cotidianos proporcionados à criança, acompanhados da consciência da responsabilidade direta por ela — não tem sexo, mas também não tem nada a ver com os poucos minutos por dia que o pai tradicional dedica a seus filhos.

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Alguns homens romperam na frente com os padrões estabelecidos. Pouco antes de ser assassinado, John Lennon declarou publicamente: “Gosto que se saiba que, sim, cuido do bebê e faço pão, que eu era dono de casa e me orgulho disso.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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