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Violência doméstica: defesa de agressores pode ferir limites éticos

Saiu no site R7

 

Veja publicação original:  Violência doméstica: defesa de agressores pode ferir limites éticos

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Descontrole, provocação e interesse são os argumentos mais comuns utilizados para livrar suspeitos de violentar mulheres de condenação

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Por Fabíola Perez

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Imagens mostram a atriz Cristiane Cardoso brutalmente agredida pelo empresário e ex-companheiro na casa em que viviam no Rio de Janeiro.Nos vídeos, gravados a partir de câmeras que a própria atriz instalou em agosto desse ano, o agressor aparece espancando Cristiane, com um cinto e tentando enforcá-la com um fio de carregador de celular.

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De acordo com a atriz, um perito do IML (Instituto Médico Legal) realizou a análise das imagens e do exame de corpo e delito e afirmou que a intenção do ex-marido era matá-la. Segundo informações da Polícia Civil, o ex-marido da vítima se entregou na 28ª DP (Delegacia de Campinho) no domingo (25)

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Antes de se entregar, porém, a defesa do empresário negou as acusações. Mais do que isso: afirmou que, entre setembro e outubro, o casal conviveu em harmonia e que as acusações de Cristiane possuem interesse patrimonial e que tentou um acordo financeiro.

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Para a promotora e coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica) do Ministério Público de São Paulo, Silvia Chakian, embora todos os cidadãos tenham amplo direito à defesa, é importante que exista ética no processo. “Em casos de feminicídio, é preciso pensar em quem está na plateia e até que ponto a defesa, diante de testemunhas e filhos, atenta contra a memória da pessoa que morreu”, diz. “Não se pode colocar a vítima no banco dos réus.”

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Linha de defesa

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A promotora acredita que determinadas linhas de argumentação para defesa de supostos agressores ultrapassam os limites éticos. “Em geral, eles costumam dizer que a vítima é descontrolada, desequilibrada, que provoca o agressor e é aproveitadora.” O principal problema é que essa argumentação defende que a mulher merece ser violentada por uma suposta provocação. “É papel do Ministério Público, titular da ação penal, descontruir esses argumentos que se valem do comportamento da vítima para justificar a violência”, afirma.

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A advogada e membro da Comissão da Mulher da OAB de São Paulo, Luiza Nagib Eluf, explica que a posição adotada pela parte será julgadas pela Justiça com base em provas. “O agressor sempre vai dizer que não teve culpa e que a vítima se auto lesionou, mas sabemos que o machismo é um problema muito grave no País”, diz ela. “Quando o crime deixa marcas, os vestígios têm de ser periciados. É muito difícil o resultado de uma perícia ser refutada.”

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A advogada explica que é comum os agressores se referirem às mulheres como “histéricas, descontroladas e loucas”. Segundo ela, nas últimas décadas, muitas mulheres costumavam ser internadas em hospícios e manicômios após serem vítimas de violência. “Muitas apresentavam sintomas de estresse emocional que eram entendidos como um quadro de loucura”, diz.

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Violência que influencia

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Indícios como lesões, exames, depoimentos de testemunhas e gravações devem ser amplamente analisados. Além disso, mesmo quando a defesa afirma que a agressão surgiu a partir de um comportamento da vítima, a Justiça também deve analisar a proporcionalidade da reação. “Não é porque a pessoa deu um empurrão que um espancamento se justifica”, diz Silvia.

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Desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, não há margem para benefícios como suspensão do processo, pagamento de multa ou cesta básica. “Porém, a defesa pode tentar eventuais atenuantes”, explica Silvia. “Ainda falta muito para dizer que temos a Justiça justa, mas há avanços.”

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Casos como o de Cristiane, em que as defesas dos supostos agressores transferem a culpa dos atos às vítimas, podem, segundo especialistas, encorajar agressores em potencial a repetir atos brutais. “Contribui para justificar e banalizar a violência, isso é muito negativo”, diz a promotora. Para a advogada da OAB as linhas de defesa apresentadas podem influenciar, mas o peso maior é da decisão final da Justiça.

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R7 tentou contato com a defesa do suspeito de agredir Cristiane, mas até o fechamento da matéria não obteve resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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