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Relações abusivas: afinal, de que se trata?

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Veja publicação original: Relações abusivas: afinal, de que se trata?

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Por Giovana Colombo Baroni

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O ser humano é um ser relacional: ou seja, durante toda sua vida, ele se relaciona com outros seres humanos, sendo o homem incapaz de viver isolado da sua espécie, necessitando do outro para sobreviver. Exemplo disso é o bebê, que nasce e precisa ser alimentado por outro ser humano para continuar vivo. Sendo essa necessidade de estar em relação com o outro, segue durante as demais etapas da vida de cada pessoa.

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Te convido hoje a refletir um pouco sobre os relacionamentos. Relacionamento é ato ou efeito de relacionar-se, ainda que essas relações vivenciadas por cada pessoa possam ser saudáveis ou não. Mas deixa eu te perguntar, você sabe identificar qual tipo de relação você possui com o outro? Hoje vamos falar sobre relacionamentos abusivos.

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Após a criação da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006 cada vez mais ouve-se falar em relacionamentos abusivos, sendo que essa lei foi criada diante das demandas de violência doméstica que aparecem a cada dia. Feminicídios, violências, abusos, enfim: formas de violência contra a mulher.

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É bastante comum ouvirmos falar em relacionamentos amorosos com o agravante de relacionamento abusivo, porém, precisamos ampliar a visão e compreender que relacionamento abusivo não restringe-se ao gênero feminino, nem tampouco nas relações conjugais, mas devemos considerar ainda as demais relações que fazem parte da vida do sujeito, como relações familiares (entre mãe e filha, enteado e padrasto, primos…), de amigos, entre chefe e funcionário, entre outras.

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Há uma peculiaridade muito característica nas relações abusivas: a manipulação. O abusador, muitas vezes, tem a necessidade de sentir-se superior ao outro e assim, lhe violenta de alguma forma. Podemos pensar em abuso emocional, agressões verbais, perseguição, abuso econômico, abuso físico, comportamentos agressivos, ameaças, violência sexual, proibições (de sair de casa, por exemplo.)

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A relação abusiva torna-se um espaço de grande tensão para a vítima, o que pode resultar, a longo prazo, em sofrimento psicológico pelo fato de estar, o tempo todo, precisando moldar-se a um padrão de comportamento estipulado por alguém. E, acima de tudo, a proibição de ser você mesmo.

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Muitas vezes o abusador pode usar de maneiras sutis de manter o controle sobre o outro, fazendo com que o mesmo nem perceba que está sendo abusado de alguma forma e compreenda o abuso como uma forma de amor. Cada relação é única e particular, mas existem alguns sinais que podem denunciar uma relação abusiva e que são caracterizados por limitar o outro: decidir o que o outro vai vestir, dizer que ele está “louco” por pensar de determinada forma, menosprezá-lo e dizer a ele que não presta para nada, que ele não é capaz de ser amado, afastá-lo das pessoas, ameaça-lo, ser excessivamente ciumento e controlador e querer que ele seja quem eu quero.

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Enquanto que nas relações saudáveis há diálogo sobre questões positivas e negativas da relação, respeito mútuo, erros e acertos, tolerância com o outro, abertura para discussões construtivas e reciprocidade. Nas relações abusivas geralmente os diálogos são para colocar a culpa no outro, menosprezar, inferiorizar e ameaçar, agredir (independente da forma de agressão), proibir o outro de fazer coisas que ele gosta/sonha fazer, entre outras questões. Nas relações abusivas há muito limite, e muitas vezes, o abusado deixa de ser ele mesmo para ser o que o abusador quer, diante das circunstâncias e da dinâmica da relação.

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A longo prazo, esses relacionamentos podem resultar em sofrimento psicológico, alguns sintomas como depressão, ansiedade, transtornos específicos, entre outras demandas que surgem em cada sujeito. É importante compreender que independentemente do tipo de relação que está sendo abusiva, pode ser que haja envolvimento afetivo e emocional. Se isso ocorre por exemplo na relação entre irmãos, ao laços emocionais podem ser maiores, sendo mais difícil por vezes identificar ou conseguir promover alguma mudança na relação.

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Antes de qualquer tipo de julgamento, quem está dentro de uma relação abusiva necessita de apoio, suporte e cuidado. Assim, pode-se pensar em estratégias para mudar essa realidade de sofrimento: tentativa de conversar com o abusador, a fim de verificar se há desejo de mudança da parte dele, romper os vínculos com o abusador, para preservar e cuidar da sua saúde emocional, conversar com pessoas nas quais você confia, a fim de que elas possam lhe ofertar o cuidado que você precisa no momento, e, além disso, caso o sofrimento esteja lhe afetando psicologicamente, a indicação é a psicoterapia, a fim de resolver essas questões pessoais e prosseguir a vida.  Poderíamos discutir de forma mais alongada sobre isso, já que é um tema bastante atual e pertinente, e com certeza iremos revê-lo novamente em outro momento.

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Caso você perceba que está em uma relação abusiva, tenha calma, procure alguém de confiança para conversar e dividir seus pensamentos, e aos poucos, procure visualizar o que é melhor para você neste momento.

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“Não importa quem apagou a sua luz. O que importa é que você sempre pode acendê-la.” – Autor Desconhecido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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