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Relacionamentos abusivos

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Veja publicação original: Relacionamentos abusivos

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Por Alessandra Nuzzo

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A Lei Maria da Penha completará 11 anos em agosto

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Muitas pessoas, ao pensarem sobre a Lei Maria da Penha e violência do-
méstica, acabam fazendo relação unicamente com a violência física, mas
desconhecem que existem vários outros tipos de violência que também
são abarcadas por esta lei.

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No próximo dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completará 11 anos e
por isso é muito importante que debatamos abertamente sobre ela, sem
atribuição de julgamentos e sem tabus.
No artigo 7o da referida lei, temos um rol exemplificativo das violências
previstas: violência moral, patrimonial, sexual, psicológica, além da física
obviamente.
A violência psicológica é a espiral de todas as outras violências.
Segundo um estudo feito pela OMS, a violência psicológica é a mais fre-
quente nas relações intrafamiliares.

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A violência psicológica fere o princípio constitucional da dignidade da
pessoa humana. A mulher, nesta situação, tem sua autoestima total-
mente deteriorada, se sente inferiorizada, além de vulnerável a receber
todos os outros tipos de violência existentes.A violência psicológica está presente, por exemplo, quando a mulher é xingada, exposta em grupos, ridicularizada. Com isto, a mulher tem sua autoestima ferida.
Temos também casos em que as vítimas perdem a autonomia sobre seu
patrimônio ou sobre sua liberdade de ir e vir, que é garantida constitucionalmente, destaco.

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Infelizmente, a violência doméstica está cada dia mais presente em nossa
realidade, posto que é uma violência que tem relação com o gênero e não
com a classe social que a pessoa pertence. Considerando que temos uma
sociedade extremamente machista, fica fácil compreender esta afirma-
ção.
.É obsoleta a idéia de que apenas as mulheres de comunidades ou regiões
de periferia sofrem com este tipo de violência. Entendo que é importante que desmistifiquemos este assunto, para que ele possa ser tratado de maneira informal, abrindo espaço para que cada vez mais mulheres possam ser multiplicadoras de informação e possam assim ajudar suas amigas, vizinhas, parentes próximas….

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Muitas mulheres que estão em relacionamentos abusivos, quando víti-
mas de violências mais ” silenciosas”, acabam não percebendo a gravi-
dade disto, ou mesmo, por inocência, relacionam eventual ” grosseria” de
seus parceiros a uma atitude “normal” dos homens. Isto é muito preocu-
pante e fruto de nossa sociedade que impõe o patriarcado.
.Por isso, penso que o empoderamento feminino é ferramenta extrema-
mente importante no resgate de mulheres que estão nesta difícil situação.
Sororidade é a palavra de ordem!
Temos também que ressaltar que a Lei Maria da Penha prevê uma série
de medidas protetivas e de urgência em favor da mulher e contra o agres-
sor, além de medidas assistenciais.

.As medidas protetivas podem afastar o agressor do lar, definir raio mí-
nimo de aproximação e até conceder de forma provisória alimentos.
Quanto as proteções conferidas pela lei, ressaltamos que as medidas pro-
tetivas, quando REQUISITADAS ao Juiz, devem ser deferidas, por lei, em
até 48 horas!

Na esfera da família, sem querer instrumentalizar a Lei Maria da Penha,
a mesma pode sim auxiliar e muito na revisão do regime de visitas esta-
belecido e até suspende-lo, contudo sempre observando o melhor inte-
resse da criança.
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.A guarda dos filhos também deve ser com urgência revista ou regulari-
zada, para que possamos evitar problemas futuros.
Nossa sociedade é extremamente machista e a mulher foi educada para
cuidar da família e filhos, além de sempre preterir suas necessidades e
vontades próprias.

.Em muitos casos, quando falamos de uma mulher já fragilizada, esta tem
medo de ficar sozinha, de não conseguir educar seus filhos, de prejudicar
o sustento dos mesmos e por isso muitas vezes acaba se sujeitando a
situações de violência.

.Repito, não podemos julgar! A hora é de empoderar, acolher e direcionar
esta vítima. Normalmente, uma relação abusiva é fruto de um homem controlador,
machista, inseguro e alienador, entre outras características.
O homem que pratica este tipo de crime segue um ritual, onde ele procura
desmerecer a mulher e faze-la acreditar o quão bom ele é por suportar
uma mulher que é tão desprezível. A mulher, já frágil, aceita esta idéia e
o jogo continua. A violência psicológica é tamanha que a mulher acaba por acreditar que
é culpada de tudo de ruim que sofre, pois ela é a pessoa que deu causa
a tudo. É tão difícil recuperar-se de um abuso emocional como é de um abuso
físico. Uma pessoa abusiva pode dizer que ama você e que irá mudar, portanto
você não tem que deixá-la. No entanto, quanto mais vezes você a recebe
de volta, mais controle ela ganhará sobre você. Promessas vazias tornam-
se a norma.

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.Há alguns sinais a respeito de uma pessoa abusiva:

.1. Ciúmes e possessividade
2. Controle
3. Superioridade
4. Manipulação
5. Mudanças de humor
6. Suas ações não correspondem a suas palavras
7. Pune você
8. Aliena a mulher
9. Desrespeita as mulheres
10. Tem atitudes machistas

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Como já dito, a mulher vítima de violência doméstica não deve ser julgada
mas sim orientada, acolhida e direcionada a equipes multidisciplinares
formadas por psicólogas e assistentes sociais que estão extremamente
preparadas.
.As DDMs (delegacias de defesa da mulher) tem equipes preparadas para
tal. Temos delegacias 24 horas já funcionando.

.O Ligue 180 também recebe e encaminha ligações sobre outros tipos de
violência contra a mulher, como, por exemplo, Cárcere Privado, Explora-
ção Sexual e Violência Obstétrica.

.Finalizo dizendo que o intuito deste artigo é conscientizar o leitor da im-
portância de estar atento, disseminar informação e nunca julgar.
Gosto sempre de dizer que juntos somos mais fortes!

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