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Os 10 momentos mais feministas no Rock in Rio 2019

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE

 

Veja publicação original:   Os 10 momentos mais feministas no Rock in Rio 2019

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O Rock in Rio 2019 foi palco para manifestações políticas, discursos feministas e anti-racistas ao longo dos dois finais de semana de festival

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Por Julia Pitanga

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Rock in Rio é um dos maiores eventos de cultura e entretenimento do planeta. Ao longo de suas 19 edições – considerando as internacionais – o festival historicamente envolve muito mais do que diversão. Desde Woodstock, em 1969, artistas se preocupam em trazer para os palcos os discursos políticos das ruas.

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Marie Claire faz um exercício de memória e relembra dez momentos em que o festival de 2019 foi cenário de manifestações políticos-feministas.

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LELLÊ & BLAYA

As cantoras Lellê e Blaya, brasileira radicada em Portugal, abriram o Palco Sunset no primeiro dia de Rock in Rio 2019, com um show repleto de referências à black music, às favelas e ao funk.

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Lellê, antes conhecida como a Lellêzinha do Dream Team do Passinho, fez homenagem ao Dj Rennan da Penha e defendeu sua liberdade: idealizador do Baile da Gaiola, Rennan está preso desde abril, condenado por associação ao tráfico. “Eu tenho essa responsabilidade enquanto mulher preta e favelada… Liberdade ao Dj Rennan da Penha!”

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Nos primeiros minutos de seu show, o telão mostrou o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado em crime ainda não elucidado. Acompanhou a imagem o áudio de um dos últimos discursos de Marielle: “Não serei interrompida. Não aturo interrompimento dos vereadores dessa casa. Não aturarei o cidadão que veio aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher eleita”, disse Marielle no trecho do discurso que foi reproduzido no Palco Sunset. Pelas redes, a homenagem foi celebrada. Este é o primeiro Rock in Rio depois da morte de Marielle.

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A cantora ainda pediu palmas para a menina Ágatha Félix, de oito anos, assassinada no último final na comunidade da Fazendinha, no Rio de Janeiro.

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KAROL CONKA

Também no primeiro dia de festival, a cantora Karol Conka dividiu o Palco Sunset em um show de viés feminista com Linn da Quebrada e Glória Groove. O discurso predominante foi a liberdade e o empoderamento feminino, Karol Conka mandou o seu recado para o público e ainda aproveitou seu espetáculo para fazer críticas ao atual momento do Brasil.

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Enquanto Linn pediu o fim do genocídio da população negra, “pelo fim do genocídio da população negra, parem de nos matar! E isso não é um pedido”, Conka entoou “fogo nos racistas”, levando o público a repetir a mesma frase. “Quem tem mais atitude rock do que eu, Linn e Glória? A gente é foda”, vibrou Karol, que entoou coro e vibrações com o hino feminista de seu repertório Lalá.

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IZA

Uma das vozes mais potentes da música brasileira contemporânea, Iza recebeu Alcione no Palco Sunset no terceiro dia de Rock in Rio e, ao emendar Bateu e Yoyo, ela dividiu o espaço com uma pequena sósia chamada Luara, de 9 anos. A menina impressionou dançando com a cantora e teve o nome gritado pelo público e viralizado na internet.

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Um dos pontos altos do show foi antes de receber Alcione no palco, quando Iza cantou Maria Maria, de Milton Nascimento, junto a um coral, com o público ajudando nas palmas até o final e sem cansar. E o show virou samba com Alcione, presença magnética e histórica que apresentou Não deixe o Samba MorrerMeu Ébano e Chain of Fools, sucesso de Aretha Franklin que foi regravado pelas duas cantoras brasileiras. “Se Deus quiser, no próximo Rock in Rio eu quero te ver no Palco Mundo”, disse Alcione a Iza.

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ELZA SOARES

No terceiro dia de Rock in Rio, a cantora Elza Soares comandou aquele que pode ser considerado o show com tom mais político da edição de 2019. O repertório de seu mais recente disco, Planeta Fome, carrega forte teor político ao falar de racismo, machismo e discursos de ódio no Brasil, e a cantora de 82 anos não poupou frases contra o racismo, a transfobia e a violência contra a mulher, pediu atenção para o povo nas ruas e disse que os brasileiros e cariocas precisam aprender a votar. Enquanto se apresentava no Palco Sunset com convidados como As Bahias da Cozinha Mineira, Kell Smith e Jessica Ellen, Elza fez intervenções com falas em defesa das mulheres, dos negros e contra os machistas.

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Foi no momento do início do seu hino feminista Maria da Vila Matilde, acompanhada por Kell Smith, que Elza conclamou o público a denunciar a violência contra as mulheres no Brasil. “Mulheres, a história agora é outra. Gemer, só de prazer. Chega de sofrer calada! Denuncie, por favor. É 180 [telefone para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência] neles! Machistas não passarão! E não é não”, disse a cantora, antes de puxar um coro incansável de “Não é não” em todo o Rock in Rio.

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Em tom mais inflamado, Elza cobrou: “Vocês não sabem votar, nós não sabemos votar. Vamos para rua! Esse povo sofrido que sonha com um lugar melhor para viver. Sonha, mas é preciso acordar, minha gente! Lutar! Gritar, ir para as ruas, aprender a votar! Nós não sabemos. Vamos para as ruas, vamos buscar os nossos direitos. Esse Rio de Janeiro acabado, esse Rio de Janeiro completamente distorcido. Cadê o povo? Cadê a voz da gente? Cadê as mulheres? Somos faladeiras, vamos falar até não aguentar mais”, declarou Elza Soares no palco e o público eufórico puxou gritos contra o presidente.

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A cantora ainda comentou dois casos e fez um duro protesto: “Chega de perseguir os negros e pobres”. “Ágatha Félix tinha 8 anos, o músico Evaldo Rosa levou 80 tiros. Marielle lutava pelos pobres, pelos negros, pelos pretos, pelo nosso povo. Chega!”, gritou a cantora. “Chega de perseguir os negros, chega de perseguir os pobres. Mulher negra, coragem, pra frente!”, continuou, sendo ovacionada pela plateia.

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EMICIDA E IBEYI

Emicida apresentou as irmãs franco-cubanas e feministas do Ibeyi para o público no quarto dia Palco Sunset do Rock in Rio 2019 em um show dançante e político. A apresentação foi mixada com sucessos do rapper, alguns singles das gêmeas e as duas músicas gravadas pela parceria, o trio botou a galera pra dançar e lembrou de casos de violência no Rio de Janeiro.

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“We are all Ágatha Félix”, mostrava o telão, em referência à menina de 8 anos, antes de Deathless, canção baseada no abuso sofrido por uma das cantoras com a polícia francesa.

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Além dela, a apresentação também relembrou Marielle Franco durante No Man Is Big Enough For My Arms, maior hit das gêmeas, que leva no começo da música a fala de Michelle Obama. “A medida de qualquer sociedade é como ela trata suas mulheres e meninas”, fala de Michelle em 2017, na campanha de Hillary Clinton. Ela estava respondendo ao então candidato americano Donald Trump se gabando de agredir sexualmente mulheres na fita do Access Hollywood, e sua completa falta de remorso depois. A dupla apresentou a música no Palco Sunset enquanto o telão mostrava diversas mulheres negras de destaque do Brasil e do mundo.

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Perto do fim, Emicida ainda pediu novamente a liberdade do Dj Rennan da Penha.

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MALÍA

A cantora de 20 anos da Cidade de Deus fez sua estreia no terceiro dia de Rock in Rio, no Espaço Favela. A jovem estrela abriu a apresentação com Escuta e foi acompanhada por um coro animado.

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A cantora ainda apresentou uma releitura de Faz uma loucura por mim, de Alcione, que se apresentou no Palco Sunset ao lado de Iza no mesmo dia: “Só estou aqui hoje porque ela fez tudo que fez com outras divas maravilhosas”, declarou Malía ao referir-se à sambista.

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SLAM DAS MINAS

No segundo dia de Rock in Rio 2019, o Espaço Favela recebeu pela primeira vez uma Batalha de Slam – competição de poesia onde um júri, formado por 5 espectadores escolhidos da plateia, pontua as performances autorais de poetas. As poetas do Slam das Minas RJ, que organizam uma batalha só pra mulheres e LGBTQIA+s, estiveram por lá. As integrantes eram Carol Dall Farra, do Coletivo Poetas Favelados e Slam das Minas do RJ, Rejane Barcelos do Slam das Minas do RJ também, Lisa Castro, finalista do Slam Jovelina (Arena Carioca Jovelina Pérola Negra) e representante carioca no Flup Slam BNDES, Márcio Rufino, Gênesis, de Nova Iguaçu, a poeta Valentine, a escritora Letícia Brito, do Morro do Pinto, a poetisa, slammer e produtora cultural Maria Duda, de Cordovil, o slamer SK, do Chapadão, e o MC, compositor e ator WJ, de Coelho Neto.

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Na apresentação da banda Canto Cego também no Espaço Favela no quinto dia de festival, participou a MC Martina, a rapper e poeta jovem de 21 anos, do Slam da Laje, que em sua letra protestou contra a comercialização da favela: “Não confunda lugar de fala com seu amigo, mas para ficar mais bonito, pega tudo o que eu falei, mistura tudo num saco plástico e chama de Palco Favela do Rock in Rio.”

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GABY AMARANTOS

No show Pará Pop, no quarto dia de Rock in Rio, em que dividiu o palco com Fafá de Belém, Dona Onete, Lucas Estrela e Jaloo, Gaby Amarantos fez o primeiro show da sua vida sem meia-calça. Se posicionando contra os padrões de beleza impostos pela sociedade, a cantora subiu ao Palco Sunset com discursos empoderados. “É a primeira vez que subo ao palco sem meia-calça. Porque amo meu corpo do jeito que ele é e eu queria passar essa mensagem para todas as mulheres que ainda são presas nessa porra desse padrão que querem colocar na gente. Vamos tirar salto, meia-calça, vamos tirar tudo, todas as amarras”, disse ela, que usou um look-protesto inspirado no fogo das queimadas que tem atingido a Floresta Amazônica.

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NERVOSA

O dia do metal no Rock in Rio teve no seu quinto dia de festival, pela primeira vez, a apresentação de uma banda formada apenas por mulheres, com o trio paulistano Nervosa tocando na abertura da programação do Palco Sunset em show com som pesado, feminismo e música dedicada a Marielle Franco.

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“Essa próxima [música] fala sobre quando a gente faz essa mistura perigosa, que é religião com governo, que infelizmente está acontecendo bastante no Brasil. Cuidado, pode dar bosta!”, afirmou a vocalista.

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Fernanda lembrou do assassinato da vereadora Marielle Franco e a homenageou. “Essa música fala sobre acreditar em um ideal, lutar por um ideal e, às vezes, morrer por um ideal. E a gente está na terra de uma pessoa que morreu, infelizmente, por um ideal, simplesmente porque ela queria justiça social. O nome dela era Marielle Franco, e essa música é pra ela”. Bandeira defendida pela banda, o feminismo também esteve presente, com a vocalista chamando pelo público feminino e ironizando quem achava que mulher não podia fazer som pesado. “Cadê a mulherada aí da plateia? Acharam que mulher não podia fazer metal pesado, mas quem achou estava errado. Mulher pode fazer o que ela quiser, hoje e sempre. Deve fazer o que ela quiser.”

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PINK

Headline do dia pop no Rock in Rio e uma das atrações mais esperadas da edição de 2019, a cantora americana Pink cumprimentou o público com “Finalmente! Muito obrigado por nos trazer aqui. É tão lindo como me falaram que seria”, disse, antes de cantar Who Knew. Ela começou o show gerando gritos e reações eufóricas do público ao surgir pendurada em um lustre cor-de-rosa e fazendo acrobacias aéreas, enquanto cantava a música Get The Party Started, sem perder a voz e nem o fôlego. Como de costume nos shows da turnê Beautiful Trauma World Tour, ela voou por cima do público em vários pontos da Cidade do Rock e fez acrobacias mil pelo ar.

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Ela ainda tocou em assuntos como machismo, diversidade sexual, autoestima e causas sociais. Todos retratados em sua discografia, e também em vídeos com teor feminista apresentados durante a apresentação no telão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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