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Comissão Mista da Mulher lança publicação ‘12 anos da Lei Maria da Penha’

Saiu no site SENADO

 

Veja publicação no site original: Comissão Mista da Mulher lança publicação ‘12 anos da Lei Maria da Penha’ 

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Por Isabela Graton, sob supervisão de Paola Lima

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A Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher (CMCVM) apresentou, na quarta-feira (11), a publicação do seminário “12 anos de Lei Maria da Penha”, realizado em 2018, que reúne artigos dos participantes do evento.

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Para o lançamento da publicação, foram convidadas as autoras e um autor dos artigos: Ela Wiecko de Castilho, subprocuradora-geral da República e professora da Universidade de Brasília; Maria Cristiana Ziuova, conselheira do Conselho Nacional de Justiça; Érica Verícia Canuto de Oliveira, promotora de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte; Fabiana Cristina Severi, professora da Universidade de São Paulo e coordenadora do Centro de Estudos em Direito e Desigualdades da FDRP/USP; Flávia Moreira Guimarães Pessoa, juíza auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça; Iáris Ramalho Cortês, advogada e fundadora do Cfemea; Rúbia Abs da Cruz, advogada e mestre em direitos humanos; e Henrique Marques Ribeiro, coordenador do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.

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Segundo a senadora Zenaide Maia (Pros-RN), presidente da comissão mista, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006) é uma grande conquista para todas as brasileiras, pois, desde a sua implementação, salvou a vida de muitas mulheres.

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“Ela é considerada uma das três melhores leis do mundo no enfrentamento à violência contra a mulher, exatamente porque prevê o tripé proteção das vítimas, prevenção da violência e responsabilização dos agressores”, explica em um requerimento. .

 

No entanto, as convidadas que compuseram a mesa também ressaltaram que é necessário debater os problemas da Lei Maria da Penha, principalmente da sua aplicação e da atuação do Poder Judiciário.

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Para Érica Verícia, um dos maiores problemas é que ainda se utiliza o paradigma do Código Penal, uma legislação muito antiga, para os processos da Lei Maria da Penha. Assim, embora essa legislação tenha trazido um modelo novo que instaura o princípio da proteção integral para as mulheres, elas ainda são submetidas aos problemas do Poder Judiciário.

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— A lei foi criada para dizer que a mulher tem importância, tem proteção integral, é ela que é o centro desta lei. Mas a gente põe o procedimento antigo, não é culpa da Lei Maria da Penha, mas o procedimento criminal do processo penal que impede que essas mulheres tenham voz. Então é um paradoxo — explicou.

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Ela Wiecko também ressaltou que a Lei Maria da Penha não tem um viés “punitivista”, pois valoriza a proteção da mulher, no entanto, é aplicada muitas vezes pelos membros do Judiciário como se fosse igual a outras leis.

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— A Lei Maria da Penha se tornou punitiva pela forma como foi vendida para a mídia que dizia: ‘Agora o agressor vai ser preso, agora é crime’. Como se antes não fosse. E passou muito forte essa ideia da punição. No momento em que foi para vara criminal, onde evidentemente os juízes estão acostumados a aplicar o Código de Processo Penal, eles não quiseram aplicar a lei tal como ela disse que deveria ser aplicada — afirmou.

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Outras participantes explicaram que é necessário treinar os atores do Poder Judiciário para que eles saibam como agir nos casos de violência doméstica, visto que, em diversas situações, a mulher é “revitimizada” quando tenta realizar a denúncia.

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— Estamos atentas à necessidade de uma maior empatia do Poder Judiciário com as vítimas. Por isso, fomos lá procurar a Escola Nacional de Formação de Magistrados, para que essa autoridade seja um eixo específico da formação de magistrados. A gente pediu especificamente para violência doméstica — explicou Flávia Moreira.

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Todas as participantes da audiência ressaltaram que a Lei Maria da Penha é de extrema importância para a sociedade brasileira, mas precisa ser sempre reavaliada para se pensar de que forma os mecanismos contidos nela podem ser efetivamente aplicados. Pois, como ressaltou Rúbia Abs da Cruz, a implementação efetiva dessa legislação ainda não ocorreu.

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— Efetivamente, a implementação da Lei Maria da Penha não aconteceu, não totalmente. Por exemplo, na questão da educação. A legislação trouxe inicialmente a importância e a necessidade de trabalhar nas escolas a questão da violência de gênero e aconteceu bem o contrário, pois surgiu a escola sem partido e a invenção da ideologia de gênero — argumentou.

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Seminário 

Em 12 de dezembro de 2018, a comissão realizou, em parceria com a Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, um seminário que discutiu e avaliou a Lei Maria da Penha após 12 anos de vigência. Esse evento reuniu mulheres protagonistas da luta feminista brasileira que participaram da elaboração desta importante lei que, segundo a deputada Luizianne Lins (PT-CE), autora do requerimento desta audiência de quarta-feira, é “uma grande conquista para nós, sobretudo para garantia da vida e de uma vida digna, sem opressão e violência para as mulheres”.

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Na ocasião, as participantes do evento debateram sobre as políticas públicas e os instrumentos de enfrentamento à violência contra as mulheres reconhecendo um cenário político desafiador e todo um panorama de tentativas de mudanças nessa legislação que ocorreram em 12 anos. O resultado do seminário foi transformado, então, na publicação sobre a Lei Maria da Penha que serve para instruir a sociedade brasileira e os movimentos sociais sobre esta legislação.

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Agência Senado 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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