namoro-legal-15082019155044006

Cartilha ensina mulheres jovens a identificarem namoro abusivo

Saiu no site R7

 

Veja publicação original:   Cartilha ensina mulheres jovens a identificarem namoro abusivo

.

Projeto do núcleo de gênero do Ministério Público de São Paulo traz dicas práticas para alertar adolescentes sobre violência nos relacionamentos

.

Por Deborah Bresser

.

O ciclo do relacionamento abusivo é ardiloso e tem feito cada vez vítimas entre mulheres jovens e adolescentes. Os comportamentos masculinos de controle, isolamento e ciúmes excessivo são naturalizados e, como a manipulação é sutil, fica difícil de as garotas perceberem que estão em uma cilada.

.

Para ajudar as mulheres a identificarem o processo e criarem mecanismos de defesa, o Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo lançou a cartilha ‘Namoro Legal’. O material, disponível online, traz sete dicas que representam os espaços de dominação em um relacionamento.

.

“O objetivo é que as mulheres, principalmente as mais novas, identifiquem as situações. O primeiro passo é reconhecer a relação abusiva. Há estágios de um relacionamento abusivo em que ainda é possível impor limites”, explica a promotora Valéria Scarance, coordenadora do Núcleo de Gênero do MPSP.

.

Reprodução

.

Com uma linguagem jovem e atual, a cartilha trata da violência sem falar de violência, de vítima sem falar de vítima. Isso porque mulheres não se enxergam como vítimas, mesmo quando sofrem violências graves. Se é complicado elas admitirem a agressão quando há uma violência física ou ameaça grave, imagine quando essa violência é comportamental?

.

Entre as dicas, Valéria Scarance destaca a que auxilia as jovens a estabelecerem bases de segurança. Quando processo de dominação e submissão tem início, um dos estágios é o isolamento. “A estratégia de afastar a namorada da família e dos amigos é uma artimanha do abusador para evitar que a vítima perceba a manipulação. É importante que ela saiba quais são os espaços só dela”, explica.

.

Valorize o seu espaço, o seu território físico e mental, o lugar onde você se sente segura e conectada com sua essência. Esse espaço compreende sua família, amigos, estudo, trabalho e lazer, seu modo de ser. E você não deve abrir mão desse espaço por ninguém!

.

A promotora esclarece que nem todo dominador é feminicida, mas todo feminicida é dominador. “Não dá para arriscar. A cartilha traz informações para que a pessoa se fortaleça, saiba o que fazer. E ajuda a desmistificar algumas verdades, como a de que a mulher transforma o homem com seu amor, sua dedicação, se demonstrar sofrimento. Mas isso não acontece. Fera não vira príncipe”, alerta.

.

Na vivência do Ministério Público, Valéria relata que as mulheres jovens têm vivenciado relações violentas cada vez mais cedo e que evoluem para um feminicídio muito rapidamente. Como pouco se fala sobre os atos que antecedem uma situação fatal, várias vítimas acham que a violência física é algo distante. Esse fenômeno da negação acomete mulheres adultas também, mas as jovens têm mais dificuldade de impor limites. Para piorar, quem pratica essa violência perturbadora e silenciosa é alguém de quem a vítima gosta.

.

Não há amor capaz de mudar um padrão que está naturalizado dentro do garoto. Ele é o que é. Um alerta especial sobre aqueles boys esquentadinhos. Ofender, xingar, constranger, perseguir, dar um tapinha, puxar o cabelo, apertar o pescoço… Tudo isso é agressão! Se acontecer, procure ajuda!
.

A cartilha traz questões práticas que mostram caminhos que podem levar à violência, gerando adesão em vez de aversão. “Normalmente, não conseguimos falar com mulheres adultas, pois além de negarem a violência, elas não têm esse interesse, não se identificam. Com a cartilha, estamos vendo as mães das adolescententes procurando informações para as filhas. Elas acabam se identificando e estão mudando de vida também”, conta a promotora.

.

A cartilha ‘Namoro Legal’ conta com a parceria da revista Capricho, da Microsoft e  apoio da ONU Mulheres. As dicas completas estão no site do Ministério Público.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

 

Compartilhe nas suas redes sociais!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone

Deixe uma resposta

Seu e-mail não será divulgado.