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Carolina, Maisa e o assédio – dentro e fora do carnaval

Saiu no site Estadão:

As duas sabem que não têm culpa do assédio que sofreram – e ajudam a torná-lo menos frequente

A primeira cantada de que tenho memória aconteceu quando eu tinha uns 11 anos. Estava de uniforme, não me lembro se da escola ou do vôlei. Ia por uma passarela meio estreita sobre a ponte. Um sujeito vinha no sentido oposto e, quando chegou perto, se aproximou e falou uma palavra. Uma única palavra que eu nunca tinha ouvido. De um jeito que eu nunca tinha visto. E foi embora.

Foi tudo muito rápido. Segui meu caminho. Baixei a cabeça e não olhei para trás, aturdida e angustiada. Sentia talvez um misto de vergonha e culpa. Por isso mesmo não contei para ninguém. Mas me lembro de sonhar com o episódio e acordar assustada.

Depois dessa vez, vieram muitas. Já passaram a mão em mim, me puxaram pelo braço. E, ainda assim, tive sorte. Há casos de agressão muito piores. Como o que a atriz Carolina Froes relatou nesse pré-carnaval de São Paulo.

Depois de três horas trabalhando debaixo de sol, minhas amigas e eu estávamos indo embora junto com uma multidão, quando ele, vindo por trás, puxa e tira a minha parte de cima da roupa. Virei já reagindo, socando o homem que tinha o dobro do meu tamanho. Ele riu. Comecei a gritar, “Tá maluco?”, “Ele tirou minha roupa”. Um espaço se abriu. Continuei reagindo e tentando segurar o cara. “Chama a polícia, ele tirou minha roupa”, também lembro de gritar. Nisso ele me agarra pelo pescoço e me enforca enquanto eu tento chutar. Me levanta pelo pescoço, e então me joga no chão. Caí. Sem blusa e sem ajuda. Foi quando machuquei meu braço.

Ela escreveu em sua conta no Facebook e divulgou fotos da lesão.

Ou como o assédio virtual relatado por Maisa, de 14 ANOS. A apresentadora e atriz usou uma palavra que descreve bem o sentimento de muitas de nós: nojo.

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