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Violência sofrida e filmada pela própria mulher coloca em foco que a vítima ainda é desacreditada

Saiu no site REVISTA MARIE CLAIRE

 

Veja publicação original:  Violência sofrida e filmada pela própria mulher coloca em foco que a vítima ainda é desacreditada

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Em sua coluna desta semana, Debora Diniz comenta sobre a violência doméstica sofrida por Luciana Sinzimbra e filmada por ela própria

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Assisti aos 90 segundos em que Luciana Sinzimbra é espancada por um rapaz. Não sei se ele é quem dizem ser, o filho do ex-prefeito de Anápolis, uma cidade do interior do Goiás. Espero que a polícia o nomeie; a mim importa falar dela, a vítima. Proteger a mulher não exige linchamento público, divulgação por redes do nome da mãe ou documentos do possível agressor – não precisamos de milícias para proteger as mulheres vítimas de violência. Precisamos acreditar na palavra da mulher e permitir que as instituições de proteção e investigação cumpram seu papel.

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Por isso, importa entender por que Luciana filmou a si mesma como uma presa à espera do ataque? Porque precisava provar que era vítima de violência. Ela não foi a primeira mulher a usar dessa tática: câmeras escondidas como documento de um segredo inominável e inconfessável. Com as imagens, a palavra da vítima é confiável, porém novamente acessória à verdade da violência. Há um efeito perverso na prova da violência para a criminalização do agressor – se a imagem é uma prova de que Luciana era vítima da violência, por outro, se fragiliza a palavra da vítima sem a evidência da violência.

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Exigir que vítimas comprovem a violência é transferir o dever policial de investigar às mulheres. É submetê-las a rituais privados prévios de preparação da prova; é amplificar seus contextos de vulnerabilidade à violência. Basta imaginar que um desses homens desconfie da câmera para que a violência possa ser letal: o agressor de Luciana tem ímpetos de enforcá-la, além de chutá-la e esmurrá-la. Luciana diz que jamais pensou em transformar sua história em um espetáculo, por isso se espantou com a publicidade do vídeo.

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Não é verdade que todo homem é um agressor em potencial. Alguns homens são agressores de fato, outros alimentam práticas violentas no machismo cotidiano. Se há algo compartilhado entre os homens, é uma certa conivência com a brutalidade como linguagem dos machos – hordas de homens que agora se indignam e clamam pelo linchamento são alguns dos que convivem com homens agressores no trabalho ou na vizinhança. Se queremos atuar para impedir que tragédias como a de Luciana ocorram, nosso dever, como homens e mulheres, é o de acreditar na vítima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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