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Minas Gerais tem recorde de processos relacionados a feminicídio

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Veja publicação original:  Minas Gerais tem recorde de processos relacionados a feminicídio

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Até novembro de 2018, havia 248 ações em tramitação; número superou os dois anos anteriores

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Por Aline Diniz e Letícia Fontes

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Em Minas Gerais, 248 processos relacionados a feminicídio estavam em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em novembro do ano passado. Em 11 meses, o índice superou as estatísticas dos dois anos anteriores. Em dezembro de 2017, 226 ações tramitavam em dezembro e, no mesmo período de 2016, 217 casos eram analisados. A realidade da violência contra a mulher no Estado é confirmada pelas denúncias feitas por meio do 180. Minas é o terceiro Estado com o maior número de denúncias registradas, ficando atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro. No ano passado, foram 9.810 reclamações em Minas. No país, só em dezembro de 2018 houve 12.123 denúncias por meio do 180, um aumento de 101% com relação ao mesmo mês do ano anterior (quando foram feitas 6.024 denúncias pelo canal).

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“Tenho a impressão de que, em épocas de festas, com as pessoas de férias, temos mais situações de agressão. É muita bebida. Muitas vezes, o agressor quer passar o Natal e o Ano-Novo com o filho, e a mulher não deixa porque ele é alcoólatra, e aí começam a violência e a confusão”, avalia a juíza da 6ª Vara Criminal, Luziene Medeiros do Nascimento. Ainda de acordo com a magistrada, a maior parte desses agressores não consegue lidar com negativas. “Eles não aceitam um ‘não’. Se acham poderosos e têm em mente que têm que ser atendidos. Não resolvem a situação no diálogo”, complementa a juíza.

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Precariedade. A coordenadora da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Tetê Avelar, acredita que algumas vítimas não recebem esclarecimentos adequados sobre a situação de violência e, muitas vezes, ainda são culpabilizadas por familiares durante o atendimento e acabam desistindo da denúncia. Outras enfrentam resistência por parte até mesmo das autoridades.

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“Vemos um atendimento e estruturas precários. Elas (vítimas) ficam vulneráveis e acham que não vai adiantar (denunciar). A invisibilidade do interior é maior. Em muitas cidades, essas mulheres acabam sendo só mais uma morte. É preciso humanizar esse atendimento”, defende a especialista.

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Denúncia. Para denunciar, ligue para 180. O atendimento funciona 24 horas, é gratuito e confidencial. O canal também esclarece dúvidas. A vítima ainda pode procurar qualquer delegacia.

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Entenda 

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O que é feminicídio? Crime de homicídio contra a mulher motivado por violência doméstica e outros contextos marcados pela desigualdade de gênero.

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Qual é a Lei do Feminicídio? Lei 13.104, sancionada em 9 de março de 2015.

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O que mudou com a lei? Ela altera o Código Penal, prevendo o feminicídio como homicídio qualificado, o que o coloca no rol dos crimes hediondos.

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A punição é mais severa? Sim. A pena pode ser aumentada em um terço até a metade, dependendo dos agravantes, como a mulher estar grávida, por exemplo.

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Aplicativo em Diamantina

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Desde o fim de novembro de 2018, a Polícia Civil de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, conta com um aplicativo batizado de “Sistema Penha”. Ele reúne as medidas protetivas concedidas na comarca em um só lugar e permite a consulta ao banco de dados a qualquer hora do dia. “A autoridade policial não sabe se a medida foi concedida ou não, e a concessão dessa medida tem demorado e precisa ser urgente e, até mesmo, coloca a vítima em risco. É preciso alinhar essas condutas”, explicou a delegada Kíria Orlandi.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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