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Lélias em movimento

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Lélia Gonzalez  é referência internacional nos estudos interseccionais de gênero, raça e classe. A filósofa e feminista estadunidense Angela Davis sempre quando em visita ao Brasil, não deixa de reverenciar a genialidade da intelectual brasileira, que é também uma de suas grandes referência sobre o feminismo afrolatinoamericano. Davis, em 2019, realizou uma pergunta às mulheres brasileiras sobre o porquê de procurarmos nas estadunidenses outras possibilidades de luta, sendo que no próprio Brasil o ineditismo de Lélia e de tantas outras mulheres negras estão fervilhando rebeldias únicas. Gonzalez inspira, além de deixar um grande legado, abriu passagem para uma contribuição enorme que perpassa e tem fertilidade em todas as áreas do conhecimento.

No último ano assistimos o aumento do interesse do mercado editorial brasileiro nos escritos da mineira que lançou as bases para o movimento antirracista no Brasil bem como também para o de mulheres organizadas, como defende Jolúzia Batista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA). Isso demonstra ainda mais a relevância dessa mulher negra que atuou fortemente no Brasil dos anos 80 e que ainda mobiliza produções e discussões sobre o que é ser mulher no Brasil.

Pensando nisso, convidamos algumas representantes de organizações atuantes pela transformação das relações de gênero, raça e classe no país para contar um pouco sobre a contribuição de Lélia Gonzalez ao movimento de mulheres organizadas. Confira:

Ana Lúcia da Rocha, Iêda Leal e Jolúzia Batista são mulheres que dão continuidade ao legado de Lélia Gonzalez e que toparam compartilhar com a gente sobre como essa intelectual se faz viva ainda hoje, com o mundo se transformando constantemente. As Lélias Gonzalez de hoje demonstram que o Brasil da década de 80 nem está tão longe assim e que estar organizada é essencial.

Veja a Matéria completa Aqui!

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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