Saiu no site CNN
Estudo da Casa Fluminense mostra que a capital lidera o número de ocorrências, com 35% das denúncias registradas
A região Metropolitana do Rio de Janeiro concentrou 70% de todos os casos de violência de gênero registrados no estado no ano de 2025. Os dados fazem parte do Mapa da Desigualdade 2026, elaborado pela Casa Fluminense a partir dos dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).
O estudo, que está em sua quinta edição, traz 40 indicadores sobre os 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, organizados a partir dos eixos de justiça econômica, racial, de gênero e climática.
A pesquisa considera cinco eixos de crimes: as violências física, sexual, psicológica, moral e patrimonial.
De acordo com o relatório, a taxa média de violência de gênero nessa região do estado é de 16,3 registros para cada mil mulheres.
A capital lidera o número de ocorrências, concentrando 35% dos casos do estado. Em seguida, a Baixada Fluminense com 23% das denúncias, enquanto o Leste Fluminense representa aproximadamente 10% dos registros.
Violência nos transportes
A vulnerabilidade na região Metropolitana é alta também no transporte e atinge a população negra com maior frequência.
Em 2025, ao menos 113 meninas e mulheres negras foram vítimas de violência sexual em ônibus, trens, metrô, táxis, vans, além de estações e plataformas.
Mulheres negras representam 55% do total de vítimas de violência sexual nos transportes tanto na Grande Rio quanto no estado.
Em cinco municípios da Região Metropolitana — Belford Roxo, Magé, Mesquita, Queimados e Tanguá —, 100% das vítimas registradas no sistema de transporte eram negras.
Casos não notificados e invisibilidade
Os números apresentados não representam o problema total. O relatório ressalta que os índices reais de assédio e violência tendem a ser maiores devido às altas taxas de subnotificação.
Além disso, a pesquisa aponta invisibilidade estatística da população trans e de travestis. As agressões sofridas por essa parte da população raramente aparece nos dados oficiais, já que o banco de dados do ISP utiliza apenas o critério de sexo biológico.
A falta de registros, porém, contrasta com os indicadores nacionais levantados pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que apontam o Brasil na liderança do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans.








