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Como o feminismo já mudou o mundo

SAIU NO SITE M DE MULHER:

CRÉDITO FOTO DE CAPA: Juliana Mavalli/ MdeMulher

Basta defender que todos tenham direitos iguais para ser uma delas. Veja como o feminismo já transformou o mundo

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, o feminismo não prega a superioridade da mulher nem a negação da feminilidade. Trata-se, na verdade, de um movimento social, político e filosófico que reivindica a igualdade de direitos entre os sexos. Saiba como o feminismo já transformou o mundo em mais de dois séculos de história:

No trabalho

Situação: Embora no Brasil as mulheres estudem mais do que os homens, elas têm menos oportunidades de emprego, ocupam as piores funções e ainda ganham 26% a menos.

Já conseguimos: Até os anos 60, por lei, as mulheres ainda precisavam de permissão do marido para trabalhar fora. De lá pra cá, muita coisa mudou: o assédio sexual no trabalho, por exemplo, passou a ser crime em 2001.

Ainda falta: Cuidar dos filhos continua a ser visto como uma atribuição feminina. Uma reivindicação importante é a criação de mais creches públicas, que permitam que mães de todas as classes sociais trabalhem tranquilas.

Na política

Situação: Ainda que o cargo político mais importante do país seja ocupado por uma mulher, a participação feminina nas esferas do poder é muito baixa. Decisões importantes são tomadas exclusivamente por homens.

Já conseguimos: No Brasil, o direito ao voto feminino foi autorizado por um decreto de 1932 – mas o debate sobre outros direitos demorou para pegar.

Ainda falta: Colocar mais mulheres no Congresso, nas assembleias e câmaras de vereadores. Entre os deputados federais, nós não chegamos a 9%! Delegacias, secretarias e outros órgãos de defesa das mulheres também precisam ganhar força.

Em casa

Situação: A divisão do trabalho dentro de casa ainda é muito desigual! As mulheres fazem 23,2 horas de trabalho doméstico por semana. Os homens, 5,18. Isso sem falar dos espancamentos (e até assassinatos) cometidos por homens que, em geral, não aceitam a separação.

Já conseguimos: No primeiro código civil brasileiro, o marido tinha o direito de “devolver” a mulher se suspeitasse que ela não era mais virgem. E a lei só mudou em 2001! Nos anos 70, o casamento deixou de ser obrigatoriamente para sempre. Em 2008, foi aprovada a Lei Maria da Penha, que garante proteção às vítimas de agressão doméstica.

Ainda falta: O direito de decidir sobre os próprios úteros é uma demanda superimportante do movimento feminista hoje. A proposta para isso é a descriminalização do aborto, acompanhada de uma política de assistência.

O que não é feminismo

1. Machismo ao contrário

Machismo é qualquer comportamento que coloque a mulher em uma posição inferior à do homem. Feministas NÃO acham que as mulheres são superiores: a reivindicação é pela igualdade de direitos.

2. Negação da feminilidade

O feminismo NÃO é contra a maquiagem, a depilação ou o salto alto. O que algumas feministas denunciam é a imposição de um padrão de beleza. Elas defendem simplesmente a autonomia: sair de minissaia, de batom roxo ou nunca mais depilar as axilas devem ser escolhas da própria mulher – e de mais ninguém.

3. Filosofia anti-homem

Feministas odeiam os homens, certo? ERRADO! Feministas odeiam não ser donas do próprio corpo ou receber salários menores só porque são mulheres. O problema não é com eles; é com uma cultura sexista. Até porque muitas mulheres também são bem machistas…

4. Coisa de mulher

Muitos homens são, SIM, feministas, e não é “por solidariedade”. A cultura machista também prejudica os homens, que ficam com o papel superultrapassado de macho alfa provedor e insensível.

5. Um movimento único

O feminismo NÃO é um só. Assim como as pessoas são diversas, existem muitos tipos diferentes de feminismo, com demandas e reivindicações específicas. Em comum, a luta pela igualdade.

 

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: Como o feminismo já mudou o mundo

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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