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Combate à violência contra a mulher ganha parceria do Ifood e da Faculdade de Direito de Santo André/SP

Saiu no site CNJ 

 

  • 11 de fevereiro de 2025

 

As ações desenvolvidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o enfrentamento da violência contra a mulher ganharam mais dois aliados. Na tarde desta terça-feira (11/2), o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, assinou termo de cooperação técnica com a empresa A.B. Instituto Internacional de Ciências Sociais Ltda, por meio da Faculdade de Direito de Santo André/SP, e com a empresa IFood. 

O primeiro acordo contribuirá para a implementação e a disseminação de programas e ações para a promoção dos direitos das mulheres, a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar, por meio do Observatório de Violência contra a Mulher e do movimento ElesporElas. Já o acordo com o Ifood deve ampliar a divulgação do Programa “Sinal Vermelho”. A iniciativa consiste em reconhecer que a letra X escrita na mão da mulher, preferencialmente na cor vermelha, trata-se de denúncia de situação de violência.  

O ministro lembrou que a preocupação do CNJ com a violência contra a mulher vem de longe e classificou que as parcerias “ajudam a enfrentar esse processo histórico incivilizado de disseminação da violência doméstica”, salientou. Ele reforçou que “os números são assustadores e temos a preocupação de conscientizar e mobilizar a sociedade em virtude do aumento significativo de casos no Brasil”.  

Barroso citou dados de 2023 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública que registram crescimento de 6,1% de feminicídios somente no ano de 2022. “Foram 1.437 mulheres assassinadas, sendo que 61,1% eram negras, o que demonstra que o racismo também se evidencia nas mortes violentas de mulheres em nosso país”, pontuou. 

O mesmo documento traz que a cada seis minutos ocorre um estupro no Brasil, vitimando pelo menos 72.545 mulheres e crianças do gênero feminino. O presidente do CNJ destacou que a 4.ª edição da pesquisa “Visível e Invisível – a vitimização de mulheres no Brasil” registra que 60 mil mulheres brasileiras sofreram violência doméstica por dia em 2022. “Possivelmente esse número é subnotificado”, observou. 

Conscientização 

Presente no evento, a reitora da Faculdade de Santo André, Arleide Costa, informou que professores, coordenadores e estudantes do curso de Direito da faculdade contribuem para que as vítimas consultem seus processos.  “Muitas dessas mulheres sequer têm acesso à internet”, constatou. Ela informou que, por meio do Observatório, “buscam saídas para a conscientização e erradicação desse mal”. O acordo com o CNJ prevê a realização de campanhas educativas, capacitação e seminários, o fortalecimento da Lei Maria da Penha, entre outras iniciativas.

O vice-presidente do Ifood, Marini Pittione, informou que, apesar de as pessoas conhecerem a empresa como aplicativo para pedir comida, “é ferramenta poderosa de comunicação, com 6 a 10 milhões de acessos diários à plataforma”. O executivo disse ter convicção de que esse alcance contribuirá para levar “mais conscientização e informação aos usuários do sistema”. O ministro Barroso aproveitou para lembrar que a empresa é uma das doadoras do Programa CNJ de Ação Afirmativa para Ingresso na Magistratura. A iniciativa concede bolsas de estudos a candidatos negros.  

Conselheira Renata Gil. Foto: Ana Araújo/Agência CNJ de Notícias.

Uma das idealizadoras da Campanha Sinal Vermelho, a conselheira Renata Gil, destacou que os acordos assinados endossam o papel do CNJ “de atuar em diversas vertentes no combate à violência contra a mulher”. Ela enfatizou que unir a sociedade civil organizada, a academia e o sistema de justiça reforça essa tarefa.

 

 

Texto: Margareth Lourenço
Edição: Geysa Bigonha
Agência CNJ de Notícias

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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