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A Lei Maria da Penha e as violências invisíveis

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Veja publicação original: A Lei Maria da Penha e as violências invisíveis

 

No aniversário de 11 anos da Lei Maria da Penha, precisamos refletir sobre os avanços que a lei trouxe para a sociedade e também todas as violências invisíveis que a mulher sofre todos os dias.

Em 2012, as Nações Unidas classificaram a lei Maria da Penha como a terceira melhor do mundo no combate à violência contra a mulher, atrás apenas da Espanha e do Chile.

Atualmente, dos mais de 200 projetos de lei e Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tramitam no Congresso Nacional sobre a violência contra a mulher, 83 tratam sobre mudanças na Lei Maria da Penha.

Mas, apesar de ser uma lei pioneira na proteção à mulher, dos avanços na legislação – que criou Juizados da Violência Doméstica e Familiar e recentemente incluiu o Feminicídio no rol de crimes hediondos – e de 98% da população brasileira conhecer a lei (segundo dados do Instituto Patrícia Galvão e Data Popular/2013), nossa sociedade ainda não absorveu completamente a necessidade de protegermos as mulheres contra a violência doméstica. A lei é severa, mas a aplicação branda a banaliza.

Precisamos conscientizar a sociedade sobre a importância da erradicação da violência contra a mulher e cobrar do poder público a efetivação dos mecanismos necessários para a lei ser mais eficaz. Como a mulher ainda é considerada a responsável pela família e pelo lar e, assim, para manter a família, acontece a aceitação da violência doméstica.

Temos de provocar uma mudança cultural, para que a nossa sociedade entenda a mulher como sujeito de direitos, com cidadania e humanidade plenas. Só assim teremos o fim da violência contra a mulher e a diminuição das desigualdades de gênero, que também atingem outras áreas da sociedade.

Mas essa violência que acontece no espaço privado, também se estende para o espaço público e diariamente as mulheres são agredidas verbalmente, silenciadas, insultadas, expostas na internet, assediadas, ocupam menos cargos de chefia, recebem menos salários, são violentadas e agredidas nas ruas, nas empresas e nos órgãos públicos.

Por isso precisamos combater a violência doméstica para acabar com toda e qualquer violência contra a mulher. Erradicar a violência contra a mulher em todos os espaços é uma questão social, moral, política, de segurança e de justiça. Que continuemos refletindo sobre a Lei Maria da Penha, até o dia que ela não precise mais ser aplicada!

Ana Perugini é deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores de São Paulo, coordenadora nacional da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres, coordenadora-adjunta da Secretaria da Mulher e integrante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados

 

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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