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A história de ‘Poppy’ Northcutt, a única mulher no controle das missões Apollo

Saiu no site O GLOBO

 

Veja publicação original:     A história de ‘Poppy’ Northcutt, a única mulher no controle das missões Apollo

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Matemática americana integrava equipe que criou o programa de computador responsável por traçar a trajetória que trouxe astronautas de volta da Lua e serviu de inspiração para meninas ao redor do mundo

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Por Cesar Baima

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RIO – Normalmente prolixa na descrição de suas missões e objetivos, a Nasa foi incomumente simples e direta na Apollo 11 : “Realizar um pouso lunar tripulado e voltar”, afirmava no material distribuído à imprensa do mundo em recém-completados 50 anos atrás. No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong, no comando manual do módulo “Eagle”, cumpriu a primeira parte . Já para a segunda, a tripulação, novamente reunida a bordo do módulo de comando “Colúmbia” dois dias depois, contou com a direção de um programa de computador que teve entre seus criadoresFrances “Poppy” Northcutt , única mulher trabalhando como engenheira no controle da missão no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas, na época.

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Formada em matemática pela Universidade do Texas em 1965, Northcutt ingressou no programa espacial como uma “computadora humana” da empresa americana TRW, uma das muitas contratadas pela Nasa para o projeto Apollo . Seu talento, no entanto, logo a fez se sobressair, e pouco mais de um ano depois ela foi promovida a engenheira, integrando a equipe da TRW responsável por desenvolver o programa que realizaria a manobra para trazer os astronautas de volta da Lua , conhecida como “injeção transterrestre”, na qual a nave entra em trajetória livre rumo à Terra, isto é, sem uso de propulsão no caminho, “puxada” apenas pela gravidade de nosso planeta.

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Foi neste papel que Northcutt participou do controle das missões Apollo 8, 10, 11, 12 e 13 — a Apollo 9 permaneceu na órbita terrestre, testando os sistemas de separação e acoplagem dos módulos de comando e lunar.

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— Em todas missões que participei, meu trabalho foi basicamente o mesmo: eu era a especialista de volta à Terra, o que significa que me especializei em calcular as trajetórias para a manobra que coloca a nave em retorno livre da Lua — disse Northcutt em entrevista ao GLOBO desde Houston, onde hoje, metamorfoseada em advogada, é ativista e defensora dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero.

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Lotada em uma sala anexa ao enorme salão semicircular onde ficavam a direção de voo e os principais sistemas de controle da missão no Centro Espacial Johnson, Northcutt se revezava com um colega em prontidão caso precisassem de ajuda com seu programa ou realizar ajustes na trajetória em uma emergência, atuando especialmente quando as naves entravam ou partiam da órbita lunar. Ela lembra que os momentos mais tensos foram durante a Apollo 8, a primeira a ir até a Lua e primeira “prova de fogo” de seu programa, e a malfadada Apollo 13, em que uma explosão no módulo de serviço da nave transformou uma missão de exploração em uma de resgate. Em ambos, porém, sua programação cumpriu a função esperada.

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— Era um programa bem desenhado e especializado que trouxe de volta em segurança à Terra todos os astronautas que foram até a órbita da Lua — destaca, modesta.

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O nascer da Terra visto pelos astronautas da Apollo 8 na véspera do Natal de 1968: missão foi a primeira a ir até a Lua e a 'prova de fogo' do programa escrito por Northcutt, que fez então sua estreia na sala de controle em Houston Foto: Nasa
O nascer da Terra visto pelos astronautas da Apollo 8 na véspera do Natal de 1968: missão foi a primeira a ir até a Lua e a ‘prova de fogo’ do programa escrito por Northcutt, que fez então sua estreia na sala de controle em Houston Foto: Nasa

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Atenção da mídia e dos colegas

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Mas mesmo em uma sala separada da principal, a presença de Northcutt — uma bela e loura jovem de 20 e poucos anos então — no controle das missões do programa Apollo logo chamou a atenção da mídia, e de seus colegas.

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— Eu definitivamente era uma singularidade, uma exceção. Sentia como se as pessoas estivessem me observando, e elas estavam — conta, ainda com um riso nervoso e constrangido, em referência à sua descoberta, por acaso, de que uma câmera instalada na sala onde estava acompanhava seus movimentos, com alguns colegas acessando o canal interno que transmitia as imagens apenas para apreciar sua beleza.

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Apesar disso, Northcutt afirma que em nenhum momento se sentiu assediada ou discriminada por ser mulher para além do que era comum na época, ou ainda hoje.

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— Mas experimentei o mesmo tipo de discriminação que qualquer mulher sofria em geral nos ambientes de trabalho naquela época, na forma de diferenças salariais, ser preterida em promoções e coisas desta natureza — relata, lamentando serem problemas que persistem, e até são piores, hoje: — A questão salarial não é tão ruim quanto na época, mas muitas mulheres hoje enfrentam um tratamento pior do que tive que aguentar então, assediadas, perseguidas na internet, tendo suas fotos manipuladas. Estamos vendo muitas coisas doentias hoje nas mídias sociais.

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'Poppy' Northcutt em recente evento que apresentou prévia de documentário sobre a exploração espacial na Biblioteca LBJ, na Universidade do Texas em Austin: da fama ao feminismo Foto: Jay Godwin/LBJ Library/01-05-2019
‘Poppy’ Northcutt em recente evento que apresentou prévia de documentário sobre a exploração espacial na Biblioteca LBJ, na Universidade do Texas em Austin: da fama ao feminismo Foto: Jay Godwin/LBJ Library/01-05-2019

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Do programa espacial à militância feminista

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Consciente do impacto de sua atuação no programa Apollo, Northcutt passou a militar no movimento feminista e pelos direitos das mulheres já nos anos 1970. Atividade à qual se dedica integralmente e considera ainda mais fundamental hoje:

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— Estamos enfrentando novos desafios com o assédio nas redes sociais e a eleição de governos conservadores que ameaçam trazer retrocessos nos direitos das mulheres. Para combater isso precisamos que as mulheres tenham voz ativa dentro e fora das redes sociais, com iniciativas como o “MeToo” e participação política, se candidatando a cargos de governo.

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Assim, Northcutt é uma feroz crítica do presidente americano Donald Trump, a quem acusa de legitimar uma cultura de assédio e agressão às mulheres com suas atitudes e palavras.

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— Vejo os efeitos que nosso presidente está tendo em nossa cultura — diz. — Ele já foi denunciado por mais de uma dúzia de mulheres por agressão e assédio sexual e desdenha destas acusações, muitas delas que considero bem críveis. Acho que esta atitude encoraja as pessoas a pensarem que não tem importância se as mulheres são assediadas ou maltratadas e me preocupa pensar que tipo de cultura isso vai deixar para trás. O presidente de um país, qualquer país, afeta e legitima atitudes. Ele é uma ilustração da norma cultural, e o que temos hoje na Casa Branca está destruindo e desdenhando a norma do respeito às mulheres. Ele é muito cruel e ofensivo com relação às mulheres, e principalmente às mulheres que se opõem e criticam estas suas atitudes. É muito angustiante.

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Diante disso, nem o projeto de Trump de levar a primeira mulher à Lua em 2024 , como parte do programa Ártemis — irmã gêmea de Apollo na mitologia grega —, anima Northcutt.

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— Adoraria nos ver retornando à Lua , realizando missões avançadas para explorar completamente o lugar e depois seguir para Marte — finaliza. — Mas creio que o prazo de 2024 é irreal. Se tivéssemos um grande aporte de dinheiro ao programa e um compromisso clara e consistente com este objetivo ele até pode ser alcançável, mas não vejo nosso atual Congresso fazendo isso. Uma meta mais realista seria ir numa cooperação internacional, e com um cronograma mais alongado.

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A americana Frances ‘Poppy’ Northcutt (à esquerda), única mulher a participar do controle da missão no programa Apollo, e a cientista brasileira Rosaly Lopes, durante encontro das duas no JPL na semana passada: fonte de inspiração e modelo para meninas ao redor do mundo
Foto: Rosaly Lopes/Arquivo pessoal
A americana Frances ‘Poppy’ Northcutt (à esquerda), única mulher a participar do controle da missão no programa Apollo, e a cientista brasileira Rosaly Lopes, durante encontro das duas no JPL na semana passada: fonte de inspiração e modelo para meninas ao redor do mundo Foto: Rosaly Lopes/Arquivo pessoal

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Inspiração e modelo para meninas

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A presença de Northcutt no controle das missões Apollo também serviu de inspiração e modelo para meninas ao redor do mundo, entre elas a brasileira Rosaly Lopes. Hoje pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), Rosaly decidiu seguir carreira na ciência depois de ver fotos de Northcutt lá.

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— E vi a foto pela primeira vez quando tinha 13 anos, em reportagens da época dizendo que ela era a única mulher a trabalhar no controle da missão da Apollo — lembra Rosaly. — Isso me inspirou muito porque já queria ser astrônoma e trabalhar para a Nasa, mas naquele tempo só víamos homens fazendo isso. Então ver ela lá foi muito inspirador para mim.

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Embora trabalhe no JPL desde 1989, Rosaly nunca tinha se encontrado ou falado com Northcutt. Só recentemente a história chegou aos ouvidos da americana, por meio de um contato do consulado do Brasil em Houston, e, na semana passada, as duas finalmente se conheceram pessoalmente, com Rosaly levando Northcutt para um tour pelo JPL, num encontro que resumiu em uma palavra:

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— Maravilhoso!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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