Saiu no site G1
Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, recorde do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Caso de uma moradora do Rio mostra como um pedido silencioso pode interromper o ciclo da violência doméstica e reforça a importância de reconhecer sinais de violência antes que ela chegue ao desfecho mais grave
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica do Anuário da Segurança Pública, estudo lançado nessa semana. O documento aponta que foram 1.571 mulheres mortas por razões de gênero, alta de 4% em relação ao ano anterior. Em meio a esse cenário, uma moradora do Rio vítima de agressões dentro de casa viu seu companheiro ser preso em flagrante, após ela pedir ajuda pelo chat de uma consulta por telemedicina, sem que ele percebesse. O homem, que estava no mesmo ambiente da vítima, foi acusado de lesão corporal.
Após alguns minutos de consulta por vídeo, o médico da operadora de saúde percebeu que havia algo errado. A paciente não conseguia explicar o motivo do atendimento, evitava falar e passou a se comunicar apenas pelo chat da plataforma de telemedicina. As mensagens revelaram um cenário de violência doméstica e deram início a uma operação silenciosa para garantir a segurança da mulher sem levantar suspeitas de quem estava ao lado dela. (Veja os detalhes ao longo da reportagem).
O caso aconteceu em junho e ilustra um dos principais alertas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública: o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de agressões, ameaças e outras formas de violência que poderiam ser interrompidas antes de chegar ao extremo.
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Pedido silencioso de socorro durante teleconsulta ao lado de agressor salva mulher do Rio; Anuário aponta alta de feminicídios
Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, recorde do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Caso de uma moradora do Rio mostra como um pedido silencioso pode interromper o ciclo da violência doméstica e reforça a importância de reconhecer sinais de violência antes que ela chegue ao desfecho mais grave.
Por Raoni Alves, g1 Rio
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Uma mulher pediu socorro pelo chat de uma telemedicina ao lado do agressor, no Rio. A ação salvou a vítima e terminou na prisão do homem.
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No atendimento em junho, o médico notou marcas de agressão por vídeo. A conversa migrou para o chat, onde fotos das lesões foram enviadas à equipe.
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O Anuário de Segurança Pública revelou recorde de 1.571 feminicídios no país em 2025. O crime cresceu 4% em relação ao ano anterior.
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Violência doméstica — Foto: Arquivo Pessoal
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica do Anuário da Segurança Pública, estudo lançado nessa semana. O documento aponta que foram 1.571 mulheres mortas por razões de gênero, alta de 4% em relação ao ano anterior. Em meio a esse cenário, uma moradora do Rio vítima de agressões dentro de casa viu seu companheiro ser preso em flagrante, após ela pedir ajuda pelo chat de uma consulta por telemedicina, sem que ele percebesse. O homem, que estava no mesmo ambiente da vítima, foi acusado de lesão corporal.
Após alguns minutos de consulta por vídeo, o médico da operadora de saúde percebeu que havia algo errado. A paciente não conseguia explicar o motivo do atendimento, evitava falar e passou a se comunicar apenas pelo chat da plataforma de telemedicina. As mensagens revelaram um cenário de violência doméstica e deram início a uma operação silenciosa para garantir a segurança da mulher sem levantar suspeitas de quem estava ao lado dela. (Veja os detalhes ao longo da reportagem).
O caso aconteceu em junho e ilustra um dos principais alertas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública: o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de agressões, ameaças e outras formas de violência que poderiam ser interrompidas antes de chegar ao extremo.
Violência contra mulher: como pedir ajuda
Recorde de feminicídios
Divulgado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne informações enviadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias civis e militares e outras bases oficiais. O levantamento é uma das principais referências do país para acompanhar a evolução da violência e orientar políticas públicas de prevenção e enfrentamento.
Os números mostram que o feminicídio, na maioria das vezes, não acontece de forma repentina. Antes do assassinato, muitas vítimas já passaram por episódios de ameaça, agressões físicas, perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Foi exatamente esse contexto que cercava a paciente atendida por telemedicina no Rio (o nome da vítima será preservado). Impedida de falar livremente durante a consulta, ela encontrou no chat da plataforma uma oportunidade para romper o silêncio e acionar uma rede de proteção antes que a violência pudesse ter um desfecho ainda mais grave.
O Anuário também mostra que, em 2025:
- 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação a 2024;
- as tentativas de feminicídio cresceram 5,9%;
- os registros de lesão corporal em contexto de violência doméstica aumentaram 2,6%;
- os casos de perseguição cresceram 30,1%;
- a violência psicológica aumentou 16,9%;
- os registros de descumprimento de medidas protetivas cresceram 16,7%.
O perfil dos casos também ajuda a entender por que tantas mulheres têm dificuldade para denunciar. Nos registros em que a autoria foi identificada, 60,9% dos feminicídios foram cometidos por parceiros íntimos e 18,9% por ex-companheiros.
Além disso, 62,5% dos crimes ocorreram dentro da residência, justamente o ambiente em que muitas vítimas permanecem sob controle do agressor e encontram obstáculos para buscar ajuda, como ocorria com a vítima que conseguiu se livrar do parceiro agressor.
Violência doméstica em alta no RJ
Embora o Rio de Janeiro não tenha acompanhado o crescimento nacional dos feminicídios em 2025, os números do Anuário mostram que a violência contra a mulher continua sendo um desafio no estado. O levantamento registrou uma pequena redução nos feminicídios — de 107 para 105 casos (-1,9%) —, mas aponta aumento em outros indicadores que ajudam a explicar como a violência se mantém presente no cotidiano de milhares de mulheres fluminenses.
Foi nesse contexto que a moradora do Rio encontrou na telemedicina uma oportunidade para pedir ajuda sem despertar a atenção do companheiro. Assim como acontece em muitos casos de violência doméstica, a agressão ocorreu dentro de casa, onde a vítima recebeu socos e chutes na cabeça, no rosto e no abdômen.









