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Escalada de violência contra as mulheres

Saiu no site O TEMPO

No primeiro trimestre deste ano, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos

A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira (21/7) que investiga a morte de uma capitã da PM como feminicídio, tendo inclusive prendido o marido dela por este crime. No mesmo dia, policiais atenderam uma ocorrência de mulher ferida após ser jogada do terceiro andar de um prédio na região Leste de BH pelo companheiro. E estes são apenas dois exemplos de uma prática perversamente recorrente da violência contra mulheres no país.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública calcula que, no primeiro trimestre deste ano, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos. Das 399 mulheres mortas de janeiro a março, 42 foram em Minas Gerais. Desde que o feminicídio foi tipificado como crime, em 2015, o número de mortas cresceu 316%, atingindo a cifra recorde de 1470 vítimas no ano passado, sendo Minas Gerais o segundo estado com maior número de feminicídios, com 139 ocorrências – praticamente um em cada dez.
De acordo com o Painel de Feminicídios no Brasil do Conselho Nacional do Ministério Público, em todo o ano passado, foram 11.285 autos de prisão e inquéritos policiais em todo o Brasil por esse tipo de crime (1.244 em Minas Gerais). Mas, deste volume de registros, pouco mais de 3500 evoluíram até uma denúncia judicial.
Esta lacuna se deve a vários fatores, como arquivamentos ainda na fase policial, dificuldades de tipificar corretamente o crime (confundido com homicídios comuns ou por motivações financeiras) e uma burocracia e uma lentidão que arrastam o procedimento até a sua prescrição, criando uma espécie de “impunidade institucional”.
É preciso investir em um sistema de segurança pública e judicial com maior afinidade à questão de gênero. Hoje, o Brasil possui menos de uma delegacia especializada a cada 100 mil mulheres. Multiplicar os serviços de acolhimento e proteção, capacitar profissionais da segurança pública e justiça para melhor encaminhar inquéritos e processos e fortalecer os sistemas de prevenção e alerta. É um caminho complexo e longo, mas necessário para que nascer mulher deixe de ser um  risco fatal no Brasil.

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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