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Feminicídio é parte mais visível de explosão da violência contra mulheres

Saiu no site METRÓPOLES

Números de vítimas de violência doméstica cresceu nos primeiros cinco meses do ano, em meio à alta nos casos de feminicídios no estado de SP

O número de mulheres que foram vítimas de violência doméstica cresceu nos primeiros cinco meses deste ano no estado de São Paulo, na comparação com igual período de 2025. Foram mais de 154 mil registros — média de cerca de 1.000 por dia — ante 135 mil no ano passado, um aumento de 14,6%.

Os dados mais recentes disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) mostram que houve aumento significativo no número de vítimas em todos os tipos de crimes catalogados no âmbito da violência doméstica contra as mulheres.

No mesmo período, os feminicídios cresceram 15,7% no estado, saltando de 108 para 125 casos. Entre os crimes dessa natureza, está a morte da soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos. Então companheiro dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi apontado pelas investigações como responsável pelo assassinato e está preso na capital paulista.

Em meio ao crescimento dos casos de violência contra a mulher, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) promoveu mudanças na área da segurança pública, incluindo a nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli como a primeira mulher a assumir o comando-geral da PM no estado de São Paulo.

As ameaças lideram o ranking de registros. Foram 46.653 vítimas de janeiro a maio, ante 41.114 nos cinco primeiros meses de 2025. Trata-se de um aumento de 13,5%.

O número de vítimas de lesões corporais dolosas (com intenção de machucar) também teve crescimento no comparativo entre os dois anos, aumentando 11,1%, passando de pouco mais de 28 mil para cerca de 31 mil.

Foram também mais de 35 mil vítimas de calúnia, difamação e injúria, cerca de 3.000 a mais do que no mesmo período de 2025, representando um crescimento de 9%.

Também na casa dos milhares de registros surgem as perseguições, com aumento de 26,6% nos primeiros cinco meses do ano, de 13.975 para 17.698 vítimas.

Destaca-se ainda o crescimento nos descumprimentos de medida protetiva, passando de 9.498 para 11.185 vítimas desse tipo de infração (17,8%).

As vítimas de invasão de domicílio foram 1.304 em 2025. Já em 2026, passaram para 1.862 (42,8%).

Constrangimento e divulgação de fotos e vídeos íntimos

Os números da SSP mostram também um crescimento expressivo no número de vítimas de constrangimento ilegal, passando de 57 para 102 (78,9%).

A divulgação de fotos e vídeos íntimos teve aumento de 41,4%, de 307 para 434 vítimas. Já os crimes contra a dignidade sexual saltaram de 419 para 641 (53%).

O que diz a SSP

A Secretaria da Segurança Pública afirma que trata com absoluta prioridade a prevenção à violência contra a mulher, o acolhimento às vítimas e a investigação rigorosa de todas as denúncias.

“Desde o início de 2023, 56,1 mil agressores foram presos ou apreendidos em flagrante por violência doméstica. Desse total, mais de 9,1 mil prisões e apreensões ocorreram nos cinco primeiros meses deste ano, um aumento de 25,5% em relação ao mesmo período de 2025”, diz, em nota.

Segundo a SSP, o fortalecimento da rede de proteção e o estímulo à denúncia contribuem para ampliar a notificação desses crimes e a apuração de cada caso pelas autoridades policiais.

“O Estado de São Paulo conta com uma rede formada por 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), das quais 19 funcionam 24 horas por dia, 220 Salas DDM Online para atendimento remoto e o reforço de mais de 650 policiais nas unidades especializadas. O estado também conta com a Cabine Lilás no Copom, a Patrulha SP Mulher Segura, o aplicativo SP Mulher Segura e o monitoramento eletrônico de agressores”, afirma a pasta.

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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