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74% das mulheres se sentem inseguras nas cidades no Brasil, aponta estudo

Saiu no site MARIE CLAIRE

Pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz revela que mulheres apresentam níveis mais altos de medo e preocupação, além de maior propensão a mudar hábitos em razão da violência

A sensação de insegurança é predominante no Brasil, mas as mulheres apresentam níveis mais altos de preocupação: 74% delas se sentem inseguras nas cidades, segundo um estudo realizado pela Oma Pesquisa, a pedido do Instituto Sou da Paz. Além disso, 83% dos entrevistados identificam a violência contra a mulher como uma realidade presente em suas cidades, enquanto 73% apontam a violência sexual.

A pesquisa, publicada na segunda-feira (18), foi realizada entre novembro e dezembro de 2025, com abrangência nacional, e contou com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares. Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, os números confirmam que a violência contra a mulher tem uma dimensão cultural e está na base da sociedade brasileira.

“Está ligada à questão do machismo estrutural, que vê a mulher como um objeto, como passível de ser propriedade de alguém, cujo corpo pode ser usado da forma que um homem quiser”, afirma.

 

O levantamento também apontou que 63% das mulheres já mudaram a rotina por medo da violência, enquanto entre os homens esse índice é de 51%. De forma geral, elas demonstram maior propensão a alterar hábitos – especialmente horários e circulação pela cidade – incorporando ao medo não apenas a violência criminal, mas também violências cotidianas, como o assédio.

“Para além da questão do risco de perda patrimonial, de um assalto de celular, as mulheres têm medo de andar na rua, de sofrer uma violência sexual, medo de andar no ônibus”, diz Ricardo. “Os números mostram essa falta de capacidade que o poder público tem de dar uma resposta correta para esse tipo de violência.”

 

Violência de gênero como questão secundária

 

Os achados da pesquisa constatam o quanto o Brasil ainda trata a violência de gênero como uma questão secundária dentro da segurança pública. Na avaliação da diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, existe uma lógica punitiva baseada na prisão do agressor, que mira apenas a ponta do problema.

“Isso não é suficiente. É claro que a gente precisa eventualmente prender ou manter afastado o homem da mulher que pode ser vítima de um feminicídio, mas, mais do que isso, você precisa preparar essa mulher para ela reconhecer a violência que está sofrendo, depois ter condições para se afastar do agressor”, afirma.

Ela ressalta que, muitas vezes, mulheres vítimas de violência passam por um processo de revitimização ao tentarem fazer a denúncia, pois precisam lidar com a falta de preparo dos agentes de segurança para lidar com casos desse tipo.

“Nossa política pública não está preparada, porque a gente só sabe dizer: cadeia, cadeia, aumenta, prende, prende, prende. Só que não é isso que vai resolver o problema, até porque esse homem vai sair e, quando sair, vai se relacionar com outra mulher de novo e, muito possivelmente, vai praticar novamente essa violência”, avalia.

Para Ricardo, falta uma visão de prioridade de que toda menina e mulher precisa ser protegida – algo que ainda não foi efetivamente incorporado pelas autoridades públicas. E, mesmo quando isso acontece, faltam ferramentas e decisão política para implementar políticas públicas mais complexas.

“A gente precisa cobrar. Eu acho que as eleições são um grande momento para isso. A prioridade zero que deve ser cobrada de cada candidato, de cada candidata, é: qual é o seu plano para enfrentar a violência contra a mulher?”, observa Ricardo.

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