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O suicídio de Tiziana Cantone poderia ter sido evitado

Saiu no site Pragmatismo Político:

Tiziana Cantone se enforcou em casa após passar um ano lutando na Justiça italiana pelo direito ao esquecimento. A jovem virou meme em páginas de humor e até camisetas sobre ela foram confeccionadas. “No dia em que ela morreu, minha vida acabou”, conta a mãe da jovem

Tiziana Cantone, 31 anos, cometeu suicídio em Nápoles, na Itália, no dia 13 de setembro de 2016. Até agora, sua morte deixou uma lacuna de vergonha, choque e desesperança entre os italianos.

A jovem tirou a própria vida depois de lutar um ano na Justiça para que um vídeo em que aparece tendo relações sexuais com o ex-namorado fosse removido da internet. Seu enterro causou comoção nacional.

Abalada, Tiziana mudou de cidade, parou de trabalhar e passou a viver trancada em casa. Nem assim foi esquecida. O material foi compartilhado em milhares de páginas.

Sites e programas de humor usaram o vídeo da italiana para propagar memes e piadas. Até camisetas sobre ela foram confeccionadas.

Em entrevista a James Reynolds, da BBC, a melhor amiga de Tiziana conta que ela já não suportava mais lidar com as consequências do vídeo.

“Ela não queria sair de casa porque podia ser reconhecida. Ela descobriu que o mundo virtual e o mundo real eram a mesma coisa. Em algum momento, entendeu que o caso nunca seria resolvido; que seu futuro marido, seus futuros filhos, poderiam achar os vídeos, que eles nunca iriam desaparecer”, relata Teresa Petrosino, amiga de Tiziana durante 15 anos.

Maria Teresa Giglio, mãe de Tiziana, segue sem forças para lidar com a perda trágica da filha.

“Minha filha era boa, mas também era vulnerável. Sua vida foi arruinada diante de todo mundo. As pessoas riam dela, faziam paródias em sites de pornografia. Ela era chamada de nomes infames”.

Em setembro do ano passado, mês em que Tiziana se suicidou, um tribunal de Nápoles determinou que os vídeos íntimos fossem retirados da internet. A corte, porém, exigiu que a vítima pagasse 20 mil euros (R$ 66,4 mil) de custas legais a cinco sites por considerar que ela consentiu com as gravações.

A morte

No dia 13 de setembro do último ano, Maria deixou Tiziana em casa e saiu para trabalhar. Horas depois, recebeu um telefonema da cunhada, que pediu para que ela voltasse para casa.

“Minha cunhada tentou salvá-la. Meus vizinhos não me deixaram sair do carro. Quase desmaiei. Não me deixaram entrar aqui em casa. Não pude nem vê-la pela última vez. No dia em que ela morreu, minha vida acabou”, lamenta.

Maria acredita que a distribuição dos vídeos da filha na internet não aconteceu por acaso. “É como se fosse premeditado, um plano criminoso. Só queriam mostrar aquela pobre menina, com a intenção de expô-la na internet”.

Maria Teresa quer que o ex-namorado da filha, Sergio Di Palo, explique exatamente qual o seu papel no compartilhamento dos vídeos. “Não vai me ajudar a salvar a vida dela. Mas talvez me ajude a chegar à verdade. Estou desesperada.”

Lições do caso Tiziana

Depois do suicídio de Tiziana Cantone, o tom do debate em torno da pornografia e da privacidade mudou na Itália.

“Acho que este caso marca uma diferença, quase drástica, na maneira como a imprensa italiana trata casos de revenge porn” (pornô de vingança, em inglês), afirma a jornalista italiana Selvaggia Lucarelli.

“O jornalistas costumavam ter uma abordagem muito despreocupada, e a morte dela mudou isso. Em casos seguintes, um deles envolvendo uma celebridade, eles foram muito mais cuidadosos”, acrescenta.

Mas também é uma lição para qualquer pessoa que compartilha vídeos íntimos nas redes sociais.

“As pessoas acham que a vida social e a vida real são realidades paralelas,” adverte Lucarelli. “Não são. Elas são coincidentes. A rede é a nossa vida. Por isso, tudo o que você não faz na vida real não deve ser feito online.”

Os vídeos de Tiziana não podem mais ser localizados pelos principais mecanismos de busca da internet, mas ainda existem.

A mãe dela quer que a Itália e todos os países da União Europeia aprovem um dispositivo ágil para a retirada rápida de material privado da rede e que faça as gigantes da internet agirem com responsabilidade.

“Falo em nome de outras mães que podem estar sofrendo como eu”, disse.

Para a mãe de Tiziana, a vida agora se resume a lutar para defender o nome da filha e evitar que outras mulheres tenham o mesmo destino.

Publicação Original: O suicídio de Tiziana Cantone poderia ter sido evitado

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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