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Visibilidade Trans: precisamos falar de cidadania

Saiu na REVISTA CLAUDIA

Veja a Publicação Original

cidadania envolve direitos e deveres, ou seja, o que você tem por direito e o que você deve fazer e respeitar na sociedade como um todo. Ela nos assegura constitucionalmente direito a moradia, saúde, alimentação e educação. No entanto, há uma parcela da população sistematicamente privada desses direitos: a população transexual e travesti.

Hoje, as políticas públicas que envolvem a população T são mais assertivas, mas ainda são falhas, pouco eficientes ou até utópicas. No cenário ainda reinam a dor, desprezo e preconceito, e os números mostram isso. O Brasil mantém o título de país que mais mata transexuais no mundo, mesmo com dados que apresentam subnotificação por conta da pandemia, conforme dossiê publicado nesta sexta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans, pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

Ao questionar três transexuais e dois coordenadores de projetos para trans e travestis, as maiores dificuldades relatadas são: violência, preconceito, falta de oportunidade para estudo e trabalho formal, o que se agravou com a pandemia. “[…] não houve um único projeto específico de apoio a população LGBTQI+para o enfrentamento da pandemia.”, aponta um trecho do dossiê.

Estudo e Capacitação profissional

baixa escolaridade da população T é algo muito presente, consequência da evasão escolar motivada pela fuga do lar precoce, baixa inclusão, violência, assédio e agressão, como aponta artigo da revista Ciência e Saúde Coletiva. Em consequência disso, muitos transexuais e travestis recorrem ao trabalho informal e prostituição.

Esses fatores são reflexo da violência e morte. Veja:

Ciclo de exclusões
– (Reprodução / Dossiê dos assassinatos e da violência contra pessoas Trans em 2020)/Reprodução

A transexual Luana Buenno, ao ser questionada sobre as dificuldades da capacitação profissional e empregabilidade, defendeu que estudar faz sim diferença. “O conhecimento e a forma como você se porta em cada lugar são para mim os dois pontos mais importantes.”, diz. Com Ensino Médio completo e curso de relações humanas, Luana mostra que há espaço no mundo para os T.

Marcelo Gil, da ONG ABCD’S, frisa que as parcerias com órgãos públicos e as políticas são muito importantes para estimular que essa população estude e se capacite. Um bom exemplo é o projeto “Cozinha e Voz” no ABC Paulista fruto de parceria com o Ministério Público do Trabalho. O curso, ministrado pela chef Paola Carosella, fornece capacitação, oportunidade de empregabilidade e também financiamento para 50 mulheres trans selecionadas.

“Dando visibilidade [ao público trans], você cria um projeto de empregabilidade, numa realidade em que não existem formas de indicação e de oferecer cursos.”, diz Marcelo.

Empregabilidade e informalidade

Um desafio resiste: a transfobia institucional. Estimativas da Antra apontam que apenas 10% do grupo trabalham registrados. 90% do público que trabalha de forma informal, recorre ao trabalho sexual.

“Sobre a empregabilidade, a questão é muito mais profunda. É preciso incluir nossa população em programas de capacitação primeiramente.”, aponta Jana Falcão, coordenadora da ONG ABCD’S e do FONATRANS. “No caso das profissões que não exigem escolaridade e experiência profissional, nossa desvantagem já é nitidamente situada por nossa identidade. Pessoas CIS, brancas, jovens e magras têm privilégios em seleções de emprego. Nos é negada a oportunidade de concorrer a uma vaga.”

Sobre a conquista de empregos formais durante a pandemia para as trans que têm acesso à ONG , Marcelo diz que “não conseguimos empregar ninguém” e diz que a invisibilidade desta população se intensificou.

Com a pandemia, a quantidade de pessoas T que se expõem na internet cresceu e o trabalho sexual nas ruas, que exige exposição à violência e ao vírus, continuou sendo uma forma de garantir subsistência, que não foi suprida pelo auxílio emergencial.

“Estimamos que cerca de 70% da população trans não tenha tido acesso às medidas emergenciais ou auxílio por parte do Estado, devido a questões como falta de documentação, acesso à internet e meios tecnológicos insuficientes, assim como dificuldade no preenchimento do cadastro, que sequer contava com campo para o uso no nome social, causando assim a exclusão de uma parcela significativa de nossa população da possibilidade de acesso à política insuficiente que foi disponibilizada pelo estado.”, aponta o dossiê.

Saúde

Mais uma das preocupações que assolam a população trans é com relação a vacinação contra a Covid-19.

“Se nas políticas públicas no campo da Saúde, que a nós são sempre excludentes, não houver mudança, na questão da vacinação não será diferente.”, aponta Jana Falcão.

“Marcelo Gil concorda e diz que “se for pelo fator geracional muitos vão ter direito a tomar a vacina, tem que ter esse acesso. O acesso é igual a todos e todas. Mas se não fosse esse fator, elas não teriam esse acesso.”

Esperança e representatividade

A Casa Florescer, que desde 2016 tem sido a representação da esperança para a população T em São Paulo. Auxiliada por políticas públicas, oferece escape a mulheres trans em estado de vulnerabilidade, contribuindo com abrigo, cursos e oportunidades de emprego, mesmo durante a pandemia da Covid-19. Nesse período, houve a conexão da associação com outras organizações que se sensibilizaram com a dinâmica das mulheres da casa.

“Algumas meninas conseguiram ser inseridas nos mercado de trabalho formal, porque mesmo com toda a dificuldade ligada à empregabilidade, a conexão com o corporativo fortaleceu o projeto como um todo”, explicou Alberto, diretor da Casa Florescer do Bom Retiro.

Jana Falcão, ressalta a importância de hoje ter representantes da causa T no legislativo: “É representatividade! Visibilidade que já está incomodando os conservadores, […] ocupando estes espaços de construção das políticas.”

Paula Teck Valéria, de 44 anos, criadora da ONG Portal pela Vida, que hoje, se intitula como produtora de eventos, cantora, apresentadora e feliz também incentiva: “Nunca foi fácil, nunca foi simples, mas sempre foi libertador.”

Veja a Matéria Completa Aqui!

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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