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Não é só uma menina: É o futuro

Saiu no site HUFFPOST

Veja publicação original:  Não é só uma menina: É o futuro

 

Por trás de toda mulher pouco representada, há a história de uma menina que também não o foi.

 

 

Maria Antômnia Deziderio, ao centro, quando presidiu a sessão na Câmara do Parlamento Jovem Brasileiro, em 2018.

Provavelmente você não sabe, mas o dia 11 de outubro é o Dia Internacional da Menina. A diferença desse dia para os vários outros que temos em nosso calendário é que ele foi criado pela ONU e carrega em seu significado, além da comemoração, um grito de alerta para a situação desse grupo tão pouco assistido.

Aos 18 anos, eu faço parte desse grupo. Sou uma menina. E escrevo esse artigo pensando em milhões de outras meninas como eu, que sabem ou que não sabem sobre o nosso dia. Mas escrevo para que você saiba.

Vivemos em um mundo claramente desigual em questões de gênero. O papel da mulher ainda é muito pouco discutido e extremamente marginalizado. Mas por trás de toda mulher pouco representada, há a história de uma menina que também não o foi. E é analisando de maneira quase que cíclica esses fatos que somos levados a observar a importância de se valorizar meninas.

Quando escrevo “valorização” me refiro, na verdade, à promoção de direitos básicos como acesso a educação. Sim, por mais que estejamos na era da informação e da conexão, ainda existem muitas crianças que são privadas de direitos básicos, como o de frequentar escolas. A UNESCO afirma que na região da África Subsaariana, para cada 100 meninos de seis a onze anos fora da escola, há 123 garotas sem direito à educação. Tal fato leva, consequentemente, a falta de representação de mulheres em posição de poder e com capacidade de exigir qualquer tipo de direito.

Foi analisando esses dados, e vendo muitas poucas mulheres em cargos importantes  que eu, aos meus 15 anos, entendi que isso era errado, mas que aparentemente ninguém estava fazendo muita coisa. Como falar sobre direitos da mulheres já é algo muito difícil, especialmente pelo preconceito que se tem com o palavrão chamado “feminismo”, demorei a encontrar pessoas com as quais pudesse falar e questionar sobre como é ser menina numa sociedade tão desigual e assolada pela pobreza e violência como é a nossa. Falar sobre igualdade de gênero na minha escola com os meus amigos meninos principalmente, me rendeu o título de “faladeira”, “politicamente correta” e até mesmo “chata”.

Me rendi à internet, único meio em que ainda se tem uma liberdade de fala maior e sem tantas represálias como na vida real. E, pesquisando, três anos depois, eu conheci uma menina que ia mudar a minha vida para sempre. Helena, uma menina de 17 anos, me contou que participava de uma organização chamada Girl Up e que eles tratavam sobre questões de gênero e valorização das meninas. Ouvir aquilo foi surreal. Todas as minhas ideias sufocadas, questionamentos e indignações encontraram espaço para serem ouvidas, espaço muito maior do que meus “textões” de Facebook.

O Girl Up trabalha com a ideia de liderança horizontal e de que empoderar meninas para que elas sejam líderes é a melhor forma de combater as desigualdades vividas em suas comunidades. Montei meu Clube Girl Up no início de 2019, com o nome de Roda Baiana. O Clube, que começou como uma espécie de lugar seguro  onde várias meninas do meu colégio se reuniam na minha casa para falar sobre como lidar com assédio, ou como deveriam existir mais times de futebol para meninas na escola, acabou se tornando algo muito grande.

Em julho desse ano, tive a oportunidade de ir para o Girl Up Leadership Summit, que é uma conferência realizada pela instituição e que reúne as líderes de todo o mundo em Washington para falar como podemos fazer impacto. Foi louco viajar para outro país, para uma conferência que a Michelle Obama já  participou, para ouvir várias meninas falarem de igualdade de gênero e protagonismo jovem. E o mais surreal ainda é que minha ida foi viabilizada por vaquinha que eu tirei do papel. Até as pessoas que antes me apelidavam de “politicamente correta” e “chata” perceberem que igualdade de gênero é coisa séria, e acesso à educação também.

Com a rede de contato de meninas de todo Brasil e mundo conectadas com um propósito, aprendi que somos fortes se unidas. Em setembro participei do Parlamento Jovem Brasileiro, um programa promovido pela Câmara dos Deputados para que jovens possam ter a vivência de um parlamentar. Uma das atividades que tivemos foi a criação de partidos fictícios, e junto com outras meninas criei um partido chamado Fêmina indo contra tudo que era feito até então no programa, mas que para mim, já estava mais que na hora de ocorrer.

O Fêmina tinha como bandeira combater a desigualdade dos números que ainda permeiam no Congresso, onde apenas 15% dos parlamentares são mulheres. Me candidatei à presidência da Câmara, algo inédito, já que seria a primeira vez que o programa teria uma presidente mulher, nordestina, e negra. O discurso de sororidade do Fêmina ganhou muitos adeptos, e acabei sendo eleita, com direito a muitos gritos de “me representa presidenta!”

O que quero demonstrar através desses fatos é que o Dia Internacional da Menina é também uma forma de reforçar a ideia de que quando se educa e empodera garotas, elas educam a sociedade. Quando elas acreditam que são capazes e devem ocupar todos os espaços, elas ocupam. Feliz Dia da Menina e lembre-se: não é só uma garota, é o futuro.

Este artigo é de autoria de articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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