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Feminismo no cotidiano para mulheres e homens

Saiu no site IG

 

Veja publicação original:  Feminismo no cotidiano para mulheres e homens

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Entrevistamos a autora e feminista Marli Gonçalves sobre seu novo livro

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Por Elisa Dinis

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O feminismo embora seja extremamente importante é um assunto frequentemente distorcido quanto ao seu valor e atuação, sendo inclusive visto por alguns como algo negativo.

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Marli Gonçalves
Gal Oppido

Marli Gonçalves

 

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A jornalista, escritora e feminista assumida Marli Gonçalves lançou o livro ” Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres e para homens também ” (Editora Contexto), que aborda as várias atuações efetivas do movimento no nosso dia a dia.

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Extremamente esclarecedor, é uma ótima opção de leitura para quem quer começar a entender o papel do feminismo e sua importância histórica não só para as mulheres, mas para a sociedade como um todo.

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Elisa Dinis – Acredito que uma das dúvidas mais frequentes é sobre o comparativo equivocado entre feminismo e machismo. Sabemos que um não é o contrário do outro. Poderia nos explicar resumidamente o que seria cada um deles?

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Marli Gonçalves – Para mim, em resumo, machismo é doença, insegurança, falta de educação, de cultura, às vezes até por conta de uma criação equivocada, que acaba sendo replicada.

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O feminismo é um movimento político de grande importância porque assegura novas conquistas, impede retrocessos, e mantém a luta feminina por Justiça, igualdade social, sempre em destaque. O feminismo deve ser absorvido por todos, homens e mulheres.

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E.D. -Outro dado muito comum são as pessoas generalizarem o feminismo a movimentos radicais, como o Fêmen (mulheres manifestam com os seios à mostra e flores na cabeça), diminuindo sua causa. Por que você acredita que chegamos a isso? 

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M.G. – Porque esses movimentos, com muita razão, precisaram recorrer a “golpes” de marketing para obterem visibilidade na mídia, onde as questões femininas ainda têm pouco alcance. Elas não chegam a diminuir a causa, discordo.  O problema é que justamente imagens mais fortes que geram em seus protestos é que são usadas para tentar denegrir o movimento, como sempre. Quando não tem, chegam a criar! Muitas fake news correm por aí, mas uma coisa é uma coisa e outra, outra.

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O movimento feminista abrange os mais diferentes tipos de mulheres (e homens, não esqueça, importantíssimo), e alguns grupos trazem novas questões e conceitos, mais avançados ou radicais, e que também precisam ser conhecidos e debatidos. Tenho observado que algumas jovens feministas vêm usando uma linguagem um pouco agressiva e que talvez só com a maturidade essa forma seja resolvida. Entendo que elas também têm pressa. Veja: comecei aos 16 anos; estou com 61 anos.  Nossas vitórias são muito lentas.

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Capa do livro de Marli Gonçalves
Gal Oppido

Capa do livro de Marli Gonçalves

 

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E.D.- Qual o papel dos influenciadores digitais que fomentam esse ódio ao feminismo?

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M.G. – Chamo essa gente de pessoas do mal, isso quando são pessoas! Ultimamente são apenas robôs ou gente desqualificada, ignorante, cega por idolatrias políticas, sem qualquer condição de comentar nem o que almoçou, e seguidas por gente (ou robôs) iguais a eles. De qualquer forma, eu considero importantíssimo falar com todos, desde que haja uma base de respeito. Anda difícil encontrar respeito em quem antagoniza com o feminismo, mas uma das minhas maiores alegrias com a publicação do livro é o número de homens que têm comentado o assunto comigo, que leram mesmo, e foram impactados por coisas que eles admitem que não  tinham ainda percebido em suas próprias atitudes, ou mesmo os aspectos sociais envolvidos.

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E.D.- E a escola, qual o papel dela na construção do feminismo?

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M.G. – A Educação é fundamental. Tanto na escola como nos lares. A mãe, em geral, é a maior educadora. Se ela se posiciona, tem orgulho de ser mulher, tem noção do significado da luta feminista (na verdade, de tudo o que enfrenta no dia a dia como mulher) criará novas pessoas, com mais atenção ao tema.

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O mesmo nas escolas. Não entendo como pode um governo querer proibir a educação sexual, por exemplo, ou que se toque em temas de sexualidade. É um retrocesso que não tem tamanho. As famílias têm dificuldade de tocar nesse tema, a escola deveria suprir. Para você ter uma ideia, cresci durante a ditadura militar, mas com 8 para 9 anos, no Primário, lembro bem de ter tido algumas aulas que explicavam coisas como higiene, menstruação, gravidez, sexo, e que foram importantíssimas. O fundamentalismo religioso que assistimos hoje deve ser combatido com todas as forças, porque criará problemas para todo um futuro – vide o número de adolescentes grávidas. Fora a questão do assédio, de gênero, de opção sexual.

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E.D. – Seu livro é bem abrangente quanto a atuação e importância do feminismo, falando inclusive sobre a violência contra as mulheres e a atuação das delegacias no acolhimento a essas vítimas. Sabemos que precisamos mudar muita coisa, mas o que julga ser primordial para um melhor acolhimento e atendimento para as mulheres vítimas de violência?

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M.G. -Atenção, informação, redes de apoio, formas de socorro (botões de pânico, aplicativos), casas de acolhimento, locais reservados para conversas.  E leis duras, temos de acabar com a impunidade, antes de tudo. Nada disso de sair pela porta da frente da delegacia.

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São Paulo criou um aplicativo, mas apenas para mulheres já com medidas protetivas. Infelizmente, eu ainda duvido da eficácia do atendimento policial de emergência. Fui assaltada outro dia, coisa “simples”, e tive que percorrer três delegacias, porque não havia plantão. Acabei tendo de recorrer à delegacia eletrônica. No caso de violência – e digo, porque já fui vítima em um relacionamento quando tinha 26 anos – é questão de vida ou morte. Sou uma sobrevivente.

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E.D.- Qual o papel da política no movimento feminista?

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M.G. -Precisamos, urgente, conseguir a participação de mais mulheres nos centros de decisões políticas. Mulheres atuando nos centros de poder. As questões que nos são caras, às mulheres, ficam rodando durante anos naqueles corredores do Congresso e em outras casas legislativas. No Executivo, repare: é raro ver mulheres. Ainda é raro. A política ainda é muito masculina, e isso precisa mudar, para maior equidade. A questão da cota partidária não funcionou – levou apenas à corrupção e manipulação das mulheres, como cito no livro.

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E.D.- Você cita em seu livro alguns exemplos de situações machistas, e eu como empresária e mulher já passei por vários deles. É incrível como um homem tende a descredibilizar a fala de uma mulher, julgando que ele seja mais capaz ou mais inteligente que ela. Por quais situações você já passou?

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M.G. -Você tem o espaço de mais um livro, ou de todo o site, para me dar? Brincadeiras à parte, veja: sou ainda por cima solteira e sem filhos. Passei e passo a vida explicando que foi uma decisão tranquila que tomei aos 18 anos. Casei, sim, mas sem papel, algumas vezes.  Isso tudo faz com que você seja meio pária. Eu realmente precisaria de muito espaço para te contar quantas situações no dia a dia, como jornalista, como repórter nas ruas, nas redações, no dia a dia.  Acabei tendo de me impor de várias formas, e isso cansa, muito! Todo dia, toda hora, em todos os lugares. E ainda temos com tudo isso de evitar uma postura… masculina!

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E.D.- Ainda há uma desigualdade gritante entre homens e mulheres, mas também há uma negação sobre disso. Como mudar essa visão?

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M.G. -Falando sobre o feminismo, falando sobre o feminismo, falando sobre o feminismo.

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Como você deve ter notado, no livro busquei usar a linguagem mais simples, direta e acessível. Até com certo humor, que costumam dizer que nós, feministas, somos mal-humoradas, bravas…

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Meu maior objetivo é justamente chegar ao maior número de pessoas, repito, homens e mulheres, para que entendam o feminismo. Primeiro, que o feminismo é simples. Justo. Não há como não admitir isso. Mas é preciso entender também que as mulheres têm, sim, características especiais que precisam de atenção maior, como os direitos reprodutivos, entre outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Preliminares rejeitadas Ao analisar o caso, a relatora, desembargadora Lucimeire Maria da Silva, afastou inicialmente a alegação de inépcia da inicial. Segundo a magistrada, a petição apresentou de forma lógica a causa de pedir e os fatos e fundamentos jurídicos necessários ao exercício do contraditório. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa. O voto destacou que os réus participaram virtualmente da audiência e tiveram oportunidade de prestar depoimento pessoal, mas a produção da prova foi inviabilizada por eles próprios. Conforme registrado na ata, os réus foram instados três vezes a abrir a câmera. Quando um deles finalmente o fez, constatou-se que ambos estavam no mesmo ambiente. Mesmo após duas determinações para que permanecessem separados, de modo a preservar a incomunicabilidade entre os depoentes, eles não atenderam à ordem. Provas da espionagem No mérito, a desembargadora afastou a alegação de insuficiência de provas. Além da perícia realizada no aparelho, destacou os depoimentos que descreveram como ocorreu a instalação do programa e a forma de acesso às informações. Conforme ressaltou, tanto a vítima quanto os informantes afirmaram que os réus chegaram a mostrar à mulher informações e imagens obtidas pelo aplicativo, em uma espécie de intimidação. Para a relatora, o conjunto probatório demonstrou suficientemente que a mulher foi submetida a reiterada perseguição pelo ex-companheiro e pelo filho, que instalaram o aplicativo para monitorar suas ligações, localização e outros dados pessoais. Violação da intimidade Ao analisar a responsabilidade civil, a magistrada considerou que o monitoramento clandestino representou ingerência abusiva na esfera privada da mulher e violou direitos da personalidade, especialmente a intimidade, a vida privada e a liberdade individual. Segundo o voto, a instalação de mecanismo de vigilância sem consentimento caracterizou ato ilícito, nos termos do art. 186 do CC. Comprovados também o dano e o nexo causal, incidiu o dever de indenizar previsto no art. 927. A relatora o dano moral in re ipsa. De acordo com ela, a gravidade da violação à esfera íntima torna desnecessária a demonstração específica do prejuízo. Conforme afirmou, a vigilância constante, mediante interceptação de dados pessoais e monitoramento da rotina, ultrapassou mero dissabor e atingiu a dignidade, a autonomia e a segurança emocional da vítima. Violência doméstica Outro ponto destacado foi o enquadramento da conduta na lei Maria da Penha. Para a magistrada, o vínculo familiar não reduz a gravidade dos fatos, ao contrário, aumenta a reprovabilidade do comportamento, diante dos deveres de lealdade, respeito e proteção esperados nas relações familiares. A relatora observou que a instalação do aplicativo para acompanhar comunicações, deslocamentos e a rotina da mulher constitui forma de controle abusivo e invasivo no âmbito familiar. Assim, enquadrou a prática nas modalidades de violência psicológica e moral previstas no art. 7º da lei 11.340/06. Segundo o voto, a vigilância clandestina submeteu a vítima a situação de permanente controle e violação de sua esfera íntima, afetando diretamente sua liberdade e integridade psíquica. “A utilização de mecanismos tecnológicos para vigilância não autorizada intensifica a reprovabilidade do comportamento, evidenciando dolo e deliberada intenção de controle”, registrou. Indenização majorada Ao examinar o recurso da vítima, a relatora concluiu que os R$ 5 mil fixados contra cada réu eram insuficientes diante das circunstâncias do caso. Segundo o voto, a definição do dano moral deve considerar a situação das partes, a extensão do dano e a gravidade da culpa, além de observar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sem permitir enriquecimento sem causa nem reduzir a condenação a montante incapaz de cumprir sua função preventiva e corretiva. No caso, a desembargadora classificou a conduta dos réus como “extremamente reprovável” e destacou o real constrangimento imposto à vítima. Assim, fixou a reparação em R$ 6 mil por réu, totalizando R$ 12 mil, valor considerado mais adequado para compensar a violação aos direitos da personalidade e desestimular novos atos ilícitos. O entendimento foi acompanhado pelo colegiado. Processo: 0710401-64.2022.8.07.0005 Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/quentes/462340/filho-e-ex-indenizarao-por-espionar-celular-de-mulher-apos-termino

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