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Peça sobre feminicídio recebe Luiza Brunet e Cristiane Machado na plateia

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Veja publicação original:  Peça sobre feminicídio recebe Luiza Brunet e Cristiane Machado na plateia

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A plateia da peça “Por elas”, que trata sobre o feminicídio e está em cartaz no Rio até dia 20 de dezembro, recebeu duas figuras importantes na luta contra a violência doméstica: a modelo Luiza Brunet e a atriz Cristiane Machado. As duas foram agredidas pelos seus ex-maridos e o processo se arrasta na justiça

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— Eu fiquei muito mexida e constrangida com as histórias que via no espetáculo, sabe? Tomara que essa peça realmente possa rodar o Brasil e mostrar o caos que estamos vivendo. A história desmistifica essa impressão de que é só a mulher negra, pobre e favelada que se depara com a violência doméstica. Eu mesma sou um exemplo disso. Sou independente, bem-sucedida, tenho um certo conhecimento, mas também fui atingida por uma agressão física que me fez muito mal. Acontece que eu tive coragem de sair desse ciclo vicioso depois do sexto ataque. Hoje, estou inteira e comecei a fazer parte de um grupo de enfrentamento. A gente precisa encorajar outras pessoas a sairem disso — relata Luiza.

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A atriz e modelo diz que foi muito julgada por outras mulheres quando fez as denúnicas.

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— Acho que essa é a pior parte de toda a minha história desde que fiz a minha denúncia. Ele (o empresário Lírio Parisotto) foi condenado, pediu habeas corpus, mas o tempo todo eu ouvia “O que foi que ela fez?”, “Ela deve ter se machucado para tirar o dinheiro dele”, “Eu duvido que ele tenha feito algo, ela era um homem maravilhoso”… A pior coisa de você fazer a denúncia é enfrentar o julgamento. Não senti sororidade (apoio e união entre as mulheres) nenhuma e procuro fazer o oposto do que fizeram comigo quando encontro uma mulher que foi agredida. Temos que abraçar, dar amor e confiar no que ela fala — destaca Luiza, que orienta: — Estou fazendo a minha parte e acho que todas deveriam dar as mãos para fazerem um movimento gigantesco, porque essa é uma epidemia mundial.

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Cristiane posa com as atrizes da peça
Cristiane posa com as atrizes da peça Foto: divulgação

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A atriz Cristiane Machado também passou pelo mesmo problema e, para provar que sofria abusos do ex-marido, o ex-diplomata Sergio Schiller Thompson-Flores, gravou um dos momentos em que foi atacada por ele. Ela destaca que a peça é importante para alertar sobre como as várias maneiras de agressão se dão.

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— O espetáculo narra a história de sete mulheres de diferentes classes sociais, e isso vale como um alerta para a sociedade sobre o quanto é difícil detectar um relacionamento abusivo. É importante que as mulheres entendam que aquilo que estão vivendo é abusivo e que têm que ir embora. Eu, como atriz, mulher, que viveu uma tentativa de homicídio, uma violência doméstica, me sinto no dever de conscientizar e educar cada vez mais as meninas — diz ela, que acrescenta: — Quem assistir, vai sair do teatro com a cabeça transformada. Eu, que vivi um caso como esse, me tocou bastante para continuar a conscientizar mulheres que estão sendo vítimas.

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Serviço:

De terça-feira a domingo, às 19h.

Ingressos: R$15,00 (meia) e R$30,00 (inteira).

Endereço: CAIXA Cultural: Avenida Almirante Barroso 25, Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca).

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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