Saiu no site BAND
Crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros que não aceitavam o fim da relação; apenas duas vítimas tinham medida protetiva.
O Rio Grande do Sul registra um dado alarmante no início de 2026: dez mulheres foram vítimas de feminicídio apenas no mês de janeiro. Todos os crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, motivados pela não aceitação do fim do relacionamento. O levantamento aponta que a maioria das mulheres assassinadas deixou filhos, com idades que variavam entre 15 e 59 anos.
As vítimas foram identificadas como Paula, Leila, Karizele, Uliana, Mirela, Paula Gabriela, Josiane, Marinês, Letícia e Gislaine. O cenário de violência no estado também foi marcado pelo resgate de uma jovem de 21 anos nesta terça-feira, em Tupanciretã, no norte gaúcho. Ela foi encontrada pela polícia acorrentada pelo pé a uma cama. O companheiro foi preso em flagrante por sequestro, cárcere privado e agressão.
Sistema de proteção e barreiras para denúncia
Um dado que chama a atenção das autoridades é que apenas duas das dez vítimas possuíam medidas protetivas ativas contra seus agressores. Para a juíza Madgéli Frantz Machado, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Porto Alegre, a ausência da denúncia oficial não deve ser creditada à vítima, mas sim a uma falha do sistema em identificar as barreiras que impedem essas mulheres de pedir ajuda.
Segundo a magistrada, é comum que mulheres tenham dificuldade em se identificar como vítimas dentro de uma escalada de violência. Ela ressalta que o feminicídio é o ápice de um ciclo que muitas vezes começa de forma silenciosa. O sistema de enfrentamento à violência precisa, na visão da juíza,intervir de maneira mais eficaz para entender por que os mecanismos de proteção não estão chegando a todas as mulheres em risco.
Déficit de delegacias especializadas no estado
A estrutura de atendimento às mulheres no Rio Grande do Sul também é alvo de críticas. O estado, que possui quase 500 municípios, conta com apenas 23 Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs). Além do número reduzido de unidades, há um entrave logístico: somente a delegacia da capital, Porto Alegre, funciona em regime de 24 horas.
Em relação aos autores dos crimes registrados em janeiro, a resposta policial foi imediata na maioria dos casos. Dos dez criminosos identificados, nove já estão presos e um permanece foragido. As investigações continuam para localizar o último suspeito e concluir os inquéritos de cada um dos feminicídios registrados neste início de ano.







