Saiu no site O GLOBO
Atos ocorrem em cidades como Rio, São Paulo e Salvador; em Copacabana, mulheres fincaram cruzes na areia com o lema ‘Parem de nos matar’
Celebrado todos os anos no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher ganhou contornos mais urgentes em 2026 após o Brasil estabelecer uma marca recorde de feminicídios no ano passado, com 1.518 casos registrado no país. Na manhã deste domingo, atos pelo país mobilizaram milhares de pessoas pedindo o fim da violência contra mulheres.
No Rio de Janeiro, o ato aconteceu em Copacabana, na altura do Posto 3, no mesmo bairro em que há poucas semanas uma adolescente de 17 anos foi vítima de um estupro coletivo que abalou a cidade.
No início da manhã, às 8h, mulheres da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) fincaram cruzes na areia da Praia de Copacabana, em protesto com o lema “Parem de nos matar”.
— O 8 de março é um dia de reflexão, mas também de luta — afirma Katia Branco, representante do CTB. — Fincamos essas cruzes no maior cartão postal do Brasil, a Praia de Copacabana, para conscientizar as pessoas, especialmente os homens, que o feminicídio precisa acabar.
O ato principal começou por volta das 11h, com apresentação da Escola de Teatro Popular, que marcou presença com bateria de som e uma boneca de Marielle Franco no estilo dos tradicionais bonecos de Olinda.
Há uma semana tivemos a condenação dos mandantes do assassinato da minha mãe (Marielle), que mostrou que os milhares de votos que ela recebeu não foram em vão. Vamos seguir lutando — afirmou Luyara Franco, filha da vereadora assassinada em 2018, que compareceu ao ato representando o Instituto Marielle Franco.
A mobilização não se resumiu aos protestos contra o feminicídio e a violência contra a mulher. Dentre as demandas do presentes estavam o fim da escala 6 x 1, o direito ao aborto e o aumento da participação feminina na política nacional. Ao longa do ano, até mesmo demandas internacionais foram defendidas pelos manifestantes, como o fim do bloqueio à Cuba, a liberdade de Cristina Kirchner na Argentina e ataques ao presidente americano Donald Trump.
Além de membros da sociedade civil, o ato foi impulsionado por partidos políticos, entidades feministas e movimentos sindicais. Autoridades como a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, as deputadas Benedita da Silva e Talíria Petrone marcaram presença.
— A gente quer sim flores e chocolate no 8 de março, mas também quer respeito e igualdade — disse a ministra da Igualdade Racial, que se emocionou ao lembrar da irmã Marielle. — A gente tem chorado cada vez mais pelos corpos que têm sido tombados de mulheres. Estamos aqui hoje para mostrar que permanecemos de pé. Eles levaram o corpo da minha irmã, mas não nos levaram. Eles querendo ou não, vamos lutar para as mulheres estarem em todas as esferas do poder.
Após reunião do Posto 3, o ato caminhou em trio elétrico até o Posto 1, contando com falas de líderes políticos e sindicais. Usando adesivos e camisetas personalizadas com frases como “não é não”, “eu quero viver sem medo” e “a vergonha precisa mudar de lado”, mulheres das mais variadas idades caminharam pela orla carioca.
Pelo Brasil
Em São Paulo, foram realizados dois atos na Avenida Paulista. Um pela manhã, que contou com nomes como o da deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL), a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos) e a presidente do Podemos, Renata Abreu.
“Nós não queremos que o mês de março seja apenas de discursos ou homenagens simbólicas. Queremos que seja um marco de ação, de posicionamento e de mobilização real”, escreveu Renata em suas redes socais ao convocar o ato.
A manifestação seguinte, às 14h, além de debater o feminicídio, representantes da esquerda, como a vereadora Luana Alves (PSOL) se propuseram a discutir melhores condições de trabalho, com foco no fim da escala 6×1 e retomada de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, na capital paulista.
“Não podemos naturalizar a barbárie. Precisamos ocupar as ruas novamente neste 8 de março”, escreveu a vereadora em suas redes sociais.
Durante o ato paulista na parte da tarde, um grupo de homens chegaram a provocar as manifestantes com frases de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao presidente americano Donald Trump. Segundo relatos da CBN, a Guarda Civil Metropolitana foi acionada para conter a confusão e precisou utilizou spray de pimenta para dispersar o grupo. O ato seguiu normalmente após o incidente.
A capital mineira Belo Horizonte também contou com ato pelo Dia Internacional das Mulheres. Centenas de manifestantes se reuniram na Praça Raul Soares, no Centro da cidade. O protesto começou por volta das 9h e correu por toda manhã. Pré-candidata ao Senado pelo Psol, a ex-deputada Áurea Carolina marcou presença no ato. “O Brasil vive uma epidemia de feminicídios. São ex-namorados, ex-maridos, homens que não respeitam o ‘não’ de uma mulher. Eu tenho um filho menino e converso com ele cotidianamente sobre respeito às mulheres. Seguimos corajosas, trabalhando por um futuro em que ser mulher não seja uma condição de risco no mundo”, compartilhou Carolina nas redes logo após a manifestação.
Em Salvador, na Bahia, a convocação seguiu o mesmo mote: “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”, convida o Movimento 8M, coletivo que reúne organizações e entidades locais sobre o tema.





