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IGP cria núcleo para investigar feminicídios após RS ter 60 casos em 2026

Saiu no site CNN

Estrutura terá equipes na Capital e no interior e pretende ampliar a análise das cenas de crimes contra mulheres

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul criou um núcleo dedicado exclusivamente aos casos de feminicídio. A nova estrutura, chamada Núcleo de Perícias em Feminicídio (NUPEFEM), terá profissionais atuando em Porto Alegre e no interior e deverá mudar a forma como as evidências desses crimes são examinadas pela perícia oficial.

A criação ocorre em um ano marcado pelo registro de 60 feminicídios no Estado. De acordo com o IGP, a iniciativa é pioneira no país e busca levar em consideração, durante o trabalho pericial, características que diferenciam esse tipo de crime de outros homicídios.

Na prática, os peritos passarão a contar com diretrizes específicas para examinar os locais onde ocorreram feminicídios. A intenção é estabelecer uma metodologia comum para localizar, registrar, interpretar, recolher e preservar os vestígios encontrados nas cenas.

O trabalho não ficará restrito à procura de evidências que possam ligar um suspeito ao local. A perícia também deverá buscar informações que ajudem a entender como a violência aconteceu e o que havia antes do crime.

Isso inclui possíveis sinais de um histórico de agressões contra a vítima, como violência psicológica ou simbólica, além de outros elementos que possam ajudar a reconstruir a relação e as circunstâncias que antecederam o feminicídio. Até mesmo indícios de maus-tratos contra animais poderão ser considerados durante a análise, quando tiverem relação com o caso.

Para a coordenadora do NUPEFEM, Juliane Lorencena Chassot, esse conjunto de elementos exige que os locais de feminicídio sejam examinados sob uma perspectiva diferente.

“É um crime muito complexo, é um crime muito específico. Ele tem vestígios que a gente não encontra em outros locais, vestígios que são especificamente baseados no gênero, vestígios psicológicos, de violência simbólica, maus-tratos aos animais também tem, então tem que dar um outro olhar para esse tipo de crime”, afirmou.

Cinco áreas do IGP envolvidas

O novo núcleo não ficará concentrado em apenas um setor do Instituto-Geral de Perícias. A estrutura vai reunir profissionais de diferentes departamentos: Criminalística, Médico-Legal, Perícias Laboratoriais, Identificação e Perícias do Interior.

A ideia é cruzar informações produzidas por essas diferentes áreas e permitir uma avaliação mais abrangente de cada ocorrência. Para Juliane e para a coordenadora-adjunta do NUPEFEM, Luciana Farias Pereira, a integração também deverá permitir que os procedimentos sejam ajustados às características encontradas nas diferentes regiões do Estado.

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