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Larissa Cruz Morata foi encontrada morta na casa em que morava com o marido, o policial militar Vinícius Costa Silva, em Embu das Artes
Laudos de exames nas mãos de Larissa Cruz Morata, 29, encontrada morta com um tiro na cabeça em um apartamento na Grande São Paulo, e de seu marido, o policial militar Vinicius Costa Silva, mostram resíduos de chumbo nas mãos do casal.
O que apontou o laudo
O resultado do laudo residuográfico na vítima, Larissa, mostrou que havia resquício de chumbo em suas mãos. A informação foi confirmada pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), em nota.
O PM acusado também tinha resíduo de chumbo em uma de suas mãos e nas mangas da blusa que usava no dia dos fatos, de acordo com o exame residuográfico. Chumbo está presente em disparos de arma de fogo principalmente na munição e no iniciador da espoleta. Quando alguém faz um disparo com arma de fogo, os resquícios ficam nas mãos, mesmo que não consiga se ver a olho nu, pois o calor e a pressão fazem com que as partículas da substância saiam pelo cano da arma.
O chumbo pode estar presente nas mãos, roupas, corpo da vítima, na arma e em superfícies próximas. A presença de chumbo, analisada de maneira individual, não prova que uma pessoa tenha efetuado um tiro. O resíduo pode atingir que disparou, quem estava próximo ao tiro, quem manuseou a arma depois do disparo e até quem teve contato com uma superfície próxima.
Réu pela morte
O soldado da polícia militar é acusado pela morte da esposa, a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, 29. A denúncia foi oferecida pelo MPSP no último dia 26 e aceita pela 3ª Vara de Embu das Artes. O caso segue em segredo de justiça.
Com a decisão da Justiça, o PM teve sua prisão convertida para preventiva. Ele estava preso temporariamente desde o início do mês por suspeita da morte de Larissa.
Inicialmente, policial havia relatado que a esposa tinha cometido suicídio. Ela foi encontrada morta no banheiro do apartamento do casal com um tiro na cabeça, no último dia 6 de setembro, em Embu das Artes.
Contudo, exames periciais colocaram o policial em contradição. A perícia do IML e do Instituto de Criminalista apontaram que a trajetória do projétil na cabeça da vítima saiu de trás para frente e da esquerda para a direita da cabeça.
Marcas semelhantes a hematomas também foram apontados no exame necroscópico. As marcas estavam espalhadas por mãos, pés, joelhos e perna da vítima.
Marcas semelhantes a hematomas também foram apontados no exame necroscópico. As marcas estavam espalhadas por mãos, pés, joelhos e perna da vítima.
O caso
Quem acionou a PM foi o companheiro da vítima, que afirmou ter achado a mulher morta ao acordar. A irmã dele também estava no apartamento no momento do fato, e relatou que estava cuidando do sobrinho, filho do casal, no momento dos fatos.
Antes da prisão, o advogado dele classificou o caso ao UOL como uma “tragédia profundamente dolorosa” e disse que exames e laudos periciais permitirão a comprovação da inocência dele. A reportagem tenta um novo contato com a defesa. O texto será atualizado tão logo haja manifestação.
PM foi preso quando estava no velório de Larissa quando foi abordado pela polícia e conduzido à Delegacia de Embu das Artes, que apura o caso. Depois, o suspeito deixou o local em uma viatura da Corregedoria da Polícia Militar. Ele foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Vila Albertina, zona norte de São Paulo.
A arma usada no crime, de propriedade de Vinícius, foi encontrada embaixo do corpo de Larissa após a equipe médica mover o corpo. O revólver foi apreendido para a perícia, assim como coldre, carregador, munições e o estojo de munição
À polícia, o PM disse que ele e Larissa tinham conversado sobre terminar o relacionamento horas antes da morte dela. Ele negou envolvimento no crime e também disse que a esposa sabia onde ele guardava a arma.
O advogado afirmou, ainda, que o casal não tinha histórico de violência e disse que tanto o policial quanto a irmã dele deram esclarecimentos às autoridades. “A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinícius, nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento”, diz trecho da nota.
Vinícius é soldado de primeira classe e entrou na Polícia Militar em janeiro de 2023. Ele estava alocado no 27° Batalhão da Polícia Militar, no extremo sul de São Paulo, segundo informações obtidas pelo UOL.
Família não acredita na hipótese de suicídio e afirma que Larissa contou, em ligação à avó horas antes de morrer, que tinha acabado o relacionamento com o PM. “Ela ligou entre oito e nove da manhã para falar que eles tinham terminado e que ela estava arrumando as coisas para ir embora com o filho para casa da avó. No fundo da ligação, dava para ouvir o barulho de gente na casa”, afirmou uma familiar da vítima ouvida pelo UOL.
A familiar também contou que o PM apressou a liberação do corpo de Larissa do Instituto Médico Legal e marcou um enterro sem avisar a nenhum parente dela. Eles temiam que o corpo da vítima fosse cremado para esconder evidências de um possível crime.
O homem tinha um histórico de violência e era agressivo, segundo os familiares de Larissa. Ele não permitia que a família visitasse Larissa e já teria se mudado mais de uma vez por “arrumar briga com todos e ameaçar as pessoas com armas”.
A mulher deixa um filho de dois anos. A criança morava com o casal e está, até o momento, com a família materna. Segundo os parentes de Larissa, o PM disse que mandaria uma viatura para pegar o menino ainda na tarde de hoje.
Caso foi registrado como morte suspeita e a polícia pediu exames periciais nas mãos da vítima e do marido. Em nota enviada ao UOL, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as investigações seguem para esclarecimento das circunstâncias do caso.








