Saiu no site O GLOBO
República Islâmica já executou 29 homens por acusações relacionadas aos protestos que tomaram diversas cidades do país em dezembro de 2025 e janeiro deste ano.
Duas mulheres foram condenadas à morte no Irã por participação em protestos antigovernamentais, informam grupos de direitos humanos nesta segunda-feira. As sentenças foram proferidas em processos separados, mas relacionados a episódios registrados em Isfahan, uma das cidades onde ocorreram manifestações durante a mobilização nacional que atingiu o auge nos dias 8 e 9 de janeiro deste ano.
Em meio à guerra contra os Estados Unidos — iniciada por uma ataque de Israel e EUA contra território iraniano no dia 28 de fevereiro —, o Irã já executou 29 homens por acusações relacionadas aos protestos, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega. Até agora, nenhuma mulher havia sido executada pelo mesmo motivo.
Uma das condenadas é Taraneh Rahimi, de 20 anos. Segundo o grupo Hengaw e a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), ela foi responsabilizada por incidentes ocorridos em uma praça de Isfahan, onde duas pessoas morreram, entre elas um integrante das forças de segurança.
Outros réus no mesmo processo receberam penas de até 36 anos de prisão, incluindo a irmã de Taraneh, de acordo com as organizações.
— Os advogados dos acusados não tiveram acesso a uma parte importante do processo e contestaram o fato de não ter sido concedido tempo suficiente para revisar os documentos e as provas — afirma a HRANA.
A outra condenada é Leila Abolhasani, de 43 anos, mãe de dois adolescentes. Ela foi sentenciada à morte por incendiar uma loja. Segundo o Observatório Jurídico Dadban e a HRANA, familiares afirmam que Leila apenas filmava o estabelecimento em chamas.
Abolhasani foi condenada pelo crime de “fazer guerra contra Deus”, uma acusação prevista na legislação iraniana e que pode levar à pena de morte. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal do Irã para revisão.
Como foram os protestos no Irã
A onda de protestos no Irã ganhou força a partir de 28 de dezembro de 2025, quando a insatisfação explodiu em Teerã após uma nova e brusca desvalorização da moeda iraniana frente ao dólar. Imagens confirmadas pela imprensa internacional mostram manifestações antigoverno em mais de 50 cidades, inclusive em áreas historicamente consideradas leais ao regime.
Em janeiro deste ano, após quase duas semanas de protestos, que incluíam gritos de “morte ao ditador” (o então aiatolá Ali Khamenei, morto no ataque de EUA e Israel no dia 28 de fevereiro), um vídeo de Khamenei foi transmitido na televisão estatal, em que o líder supremo chamava os manifestantes de “vândalos” e os acusava de agir para “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já ameaçava atacar o Irã.
Grupos de direitos humanos acusaram as autoridades iranianas de atirar diretamente contra os manifestantes e de bloquear o acesso à internet desde 8 de janeiro para ocultar a dimensão da repressão.
As ONGs que monitoram o número de vítimas da repressão denunciaram que seu trabalho foi dificultado pelo bloqueio da internet na região. Também advertiram que os números citados pelas autoridades provavelmente são muito inferiores ao total real de vítimas. Em janeiro, a HRANA afirmou ter confirmado a morte de 5.848 pessoas, entre elas 209 integrantes das forças de segurança.
No entanto, o grupo acrescentou que ainda investiga outras 17.091 possíveis mortes. Segundo a organização, ao menos 41.283 pessoas foram detidas. Em seu primeiro balanço oficial dos protestos, as autoridades iranianas informaram na semana passada 3.117 mortes, a maioria de integrantes das forças de segurança ou de transeuntes inocentes assassinados por “vândalos”.





