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Ameaça, stalking e violência psicológica: crimes contra a mulher crescem no Brasil

Saiu no site EXAME

Os crimes de ameaça, perseguição, também conhecido como stalking, e violência psicológica contra mulheres desenharam uma alta crescente no Brasil em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira, 23.

De acordo com o Anuário, a escalada desses crimes reforça um fenômeno que especialistas classificam como a base da violência de gênero. Embora não resultem, necessariamente, em morte, esses crimes estruturam o cotidiano de medo, controle e restrição experienciado por mulheres e, muitas vezes, antecedem formas mais graves de violência.

Segundo o Fórum, os números ainda representam apenas uma parcela da realidade.

O medo de denunciar, a vergonha, a dependência econômica, a percepção de impunidade e a naturalização de comportamentos abusivos fazem com que uma parte significativa dessas violências sequer chegue ao conhecimento das autoridades.

“Os números apresentados nesta seção devem ser interpretados como um retrato dos casos que chegaram até as instituições policiais, e não da totalidade da violência efetivamente vivida pelas mulheres brasileiras”, destaca um trecho do Anuário.

Ameaça é o crime mais frequente

Entre todos os indicadores analisados pelo Fórum, a ameaça continua sendo o crime de gênero mais comum registrado pelas polícias brasileiras.

Em 2025, foram contabilizadas 788.531 ocorrências, o equivalente a 720,9 registros para cada 100 mil mulheres, praticamente estável em relação ao ano anterior.

As diferenças entre os estados, porém, são expressivas. Enquanto o Ceará registrou a menor taxa do país, com 338 ocorrências por 100 mil mulheres, Santa Catarina liderou o ranking, com 1.733 registros, seguida por Amapá (1.491,3) e Distrito Federal (1.477,9). Nos três casos, as taxas são mais que o dobro da média nacional.

O Fórum destaca ainda o Distrito Federal por ter registrado aumento em todos os nove indicadores de violência contra a mulher analisados pelo Anuário.

Já Acre e Amazonas chamam atenção pelos maiores crescimentos nas ocorrências de ameaça, de 68,2% e 60,0%, respectivamente.

Stalking cresce mais de 30% em um ano
Entre os crimes mais recentes previstos na legislação brasileira, o de perseguição, ou stalking, foi o que apresentou um dos maiores avanços.

Tipificado em 2021, o crime registrou crescimento de 30,1% entre 2024 e 2025. Ao todo, 123.871 mulheres procuraram as autoridades para denunciar perseguições persistentes, o equivalente a uma taxa de 113,3 registros por 100 mil mulheres, cerca de 14 ocorrências por hora.

Segundo o Fórum, o crime aumentou em praticamente todo o país. Apenas Mato Grosso do Sul e Roraima apresentaram redução dos registros, de 7,8% e 20,6%, respectivamente.

Os maiores aumentos ocorreram no Amazonas (73,5%), Maranhão (52,6%) e São Paulo (46,6%).

Em relação às taxas, o Amapá lidera o ranking nacional, com 301,3 casos por 100 mil mulheres, mais que o dobro da média brasileira. Em seguida aparecem São Paulo (207,1) e Amazonas (175,6).

O Anuário destaca que São Paulo concentra, sozinha, cerca de 40% de todos os registros de stalking do país, refletindo tanto o tamanho da população quanto a elevada incidência desse tipo de violência.

Na outra ponta, as menores taxas foram observadas em Pernambuco (24,3), Mato Grosso do Sul (25,0) e Maranhão (46,8).

Violência psicológica
Outro crime tipificado em 2021, a violência psicológica contra a mulher, também manteve a trajetória de crescimento.

Em 2025, foram 60.830 registros, alta de 16,9% em relação ao ano anterior. A taxa nacional chegou a 55,6 ocorrências por 100 mil mulhere

O caso que mais chama atenção continua sendo Roraima, que registrou 1.173,5 casos por 100 mil mulheres, mais de vinte vezes acima da média nacional. Apesar disso, o estado apresentou queda de 27,6% nos registros em comparação com 2024.

Outro destaque é Mato Grosso, que registrou a segunda maior taxa do país (192,3 por 100 mil mulheres) e o maior crescimento entre os estados, de 70,3%.

No extremo oposto, Rondônia informou ausência de registros de violência psicológica em 2025. Para o Fórum, o dado dificilmente pode ser interpretado como inexistência do fenômeno e sugere diferenças importantes na forma como as polícias estaduais classificam e registram esse tipo de crime.

Violência invisível
Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os chamados “novos crimes” de gênero ajudam a revelar uma dimensão da violência contra a mulher que permanece amplamente invisível.

Se feminicídios representam o ponto mais extremo da violência, crimes como ameaça, stalking e violência psicológica compõem sua estrutura, marcada por intimidação, controle, perseguição e abuso contínuo.

O Anuário ressalta, porém, que diferenças entre os estados não refletem apenas a incidência da violência, mas também aspectos como capacidade de registro das ocorrências, atuação das polícias, existência de políticas públicas e disposição das vítimas para denunciar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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