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Fé contra a violência: religiões se unem em campanha contra o feminicídio

Saiu no site O GLOBO

Lideranças de diferentes tradições religiosas e representantes do poder público participaram da primeira reunião da campanha ‘Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade’

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro sediou, nesta segunda-feira, a primeira reunião de planejamento da campanha “Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade”, iniciativa que reúne lideranças religiosas, autoridades públicas, representantes do sistema de Justiça e membros da sociedade civil para estruturar ações de prevenção ao feminicídio e de acolhimento a mulheres em situação de violência. O encontro foi presidido pelo cardeal Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio.

Promovida pelo Instituto Religare, pela Comissão Diálogo e Paz, pela Expo Religião e pela Arquidiocese do Rio, a campanha pretende mobilizar diferentes segmentos da sociedade em torno de ações de prevenção ao feminicídio, acolhimento às vítimas e promoção da dignidade da mulher. Durante a reunião, foram definidos os primeiros grupos de trabalho, as responsabilidades das instituições participantes e o cronograma das próximas etapas da iniciativa.

Entre as propostas discutidas estão a criação de uma rede inter-religiosa de acolhimento para mulheres em situação de violência, com templos religiosos funcionando como pontos de primeira escuta e orientação, o fortalecimento da articulação com órgãos públicos de proteção às mulheres e o apoio ao aperfeiçoamento de mecanismos de monitoramento de agressores, como o uso de tornozeleiras eletrônicas nos casos previstos em lei.

A reunião contou com representantes da Igreja Católica, de igrejas evangélicas, do espiritismo, judaísmo, islamismo, fé bahá’í, Hare Krishna, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, umbanda, religiões de matriz africana, xamanismo e tradição de Ifá. Também participaram representantes do Ministério Público, da Polícia Civil, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de instituições ligadas à defesa dos direitos das mulheres.

Segundo a Arquidiocese, dom Orani afirmou que a defesa da vida e da dignidade da mulher “exige união entre instituições públicas, comunidades de fé e sociedade civil, e destacou que as religiões podem contribuir para a promoção da cultura da paz, a prevenção da violência e o acolhimento às vítimas”.
Ainda conforme a nota, ao fim do encontro, os participantes “reafirmaram o compromisso de construir uma campanha permanente e anunciaram que a próxima etapa será a consolidação das equipes temáticas e o lançamento das primeiras ações públicas da iniciativa”.

 

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Transcrição A bióloga e advogada Bertha Lutz nasceu em 1894, filha da enfermeira Amy Fowler e do cientista Adolfo Lutz. Fez parte de seus estudos na Universidade de Sorbonne, em Paris e depois de formada atuou na área de botânica do Museu Nacional até 1964. Sempre participou em causas sociais envolvendo direitos das mulheres, sendo presidente da Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Em sua homenagem, todos os anos o Senado entrega o Diploma Berta Lutz a personalidades que se destacam na defesa de direitos das mulheres e das questões de gênero. Em 2003, na primeira edição do prêmio, a então senadora Emília Fernandes, do Rio Grande do Sul, ressaltou o pioneirismo de Bertha em diversas áreas. Emília Fernandes – A mulher cidadã Bertha Lutz, advogada e bióloga que se diplomou em tempo no qual a mulher não tinha outra opção além de tornar-se dona de casa e gerar numerosa prole. Foi uma mulher muito à frente de seu tempo, um tempo de nefasta opressão que, além de negar acesso às instâncias formais de poder, reprimia de maneira terrível todas aquelas mulheres que tentassem romper as barreiras impostas por uma sociedade marcada por valores machistas. Bertha Lutz fez parte do grupo conhecido como sufragistas brasileiras que teve como conquista o voto feminino no país em 1932. Foi a segunda mulher a ser deputada federal no Brasil em 1936. Bertha ainda fez parte da delegação brasileira em 1945 que participou da construção da Carta das Nações Unidas. Ela faleceu em 16 de setembro de 1976.

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