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Cartão adicional é armadilha para mulheres? Entenda a polêmica do score ‘zero’

Saiu no site VALOR INVESTE

Embora centralizar os gastos do casal em um único CPF possa facilitar a gestão das contas, produto pode impactar o dependente na construção do histórico próprio no mercado, segundo especialistas

cartão de crédito adicional é uma ferramenta utilizada por muitos brasileiros no planejamento familiar. À primeira vista, as vantagens são várias: centralizar os gastos em uma única fatura, acelerar o acúmulo de pontos ou milhas em um único produto. No entanto, uma publicação feita esta semana por Ana Zucato, CEO da fintech Noh, acendeu o alerta sobre um efeito colateral pouco discutido: a invisibilidade financeira de quem usa o produto.

Segundo a executiva, o uso do cartão adicional pode mascarar o histórico de crédito de quem é dependente, mesmo que essa pessoa arque rigorosamente com a sua parte dos pagamentos.

 

“O que parece conveniência pode ser, na prática, invisibilidade financeira herdada de anos de invisibilidade das mulheres no sistema financeiro”, diz a publicação. “Histórico de crédito não é seu. Todo o histórico de pagamentos vai para o titular, não para você. Se o namoro/casamento terminar, você começa do zero”, acrescenta a executiva da instituição.

Impacto no score

 

Esse formato de crédito, contudo, reflete uma estrutura antiga do mercado bancário. Fabrício Winter, consultor e sócio da Fábrica de Fintechs, explica que o cartão adicional nasceu em um contexto em que o crédito era “algo super restrito no Brasil”.

“Era uma forma de alguém elegível poder compartilhar com a família. Para o banco em si, é uma alavanca importante de ativação de produtos. Pesquisas que apontam que um titular que tem um adicional emitido costuma ter um valor de cliente ao longo do tempo bem mais longo, mas [o adicional] ficou com um desenho defasado para o mercado que temos hoje“, pondera ele.

 

No adicional, como o limite e o histórico de pagamentos são vinculados exclusivamente ao CPF do titular, o usuário do cartão extra não desenvolve sua própria pontuação de crédito (score) no mercado. Na prática, para os bancos e bureaus de crédito, esse consumidor fica invisibilizado, o que pode dificultar o acesso a empréstimos, financiamentos ou cartões próprios no futuro.

 

“Visibilidade = zero. Você não existe para o banco. Existe para a fatura”, acrescenta a executiva da Noh na publicação.

 

Segundo Winter, o impasse surge quando o cartão adicional deixa de ser um apoio e passa a ocupar o lugar de protagonismo na vida financeira da pessoa. Ou seja: quando é o único instrumento de pagamento daquela pessoa, que está contribuindo para dar visibilidade e movimentação para o titular, sem ter clareza de que está abrindo mão de construir a sua própria história de crédito.

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