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Companhias usam a tecnologia para combater violência contra mulheres Este trecho é parte de conteúdo que pode ser compartilhado utilizando o link https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/04/16/companhias-usam-a-tecnologia-para-combater-violencia-contra-mulheres.ghtml ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos do Valor estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do Valor (falecom@valor.com.br). Essas regras têm como objetivo proteger o investimento que o Valor faz na qualidade de seu jornalismo.

Saiu no site VALOR

Alerta sobre alteração de fotos no X, canais de atendimento e suporte estão entre as iniciativas

A tecnologia tem sido uma aliada cada vez mais importante no combate à violência contra as mulheres. Empresas de diferentes setores estão investindo em ferramentas digitais para apoiar vítimas de crimes reais e virtuais. É o caso do Grupo Boticário, que anunciou, na semana passada, uma iniciativa para enfrentar a manipulação de imagens por inteligência artificial.

Chamado de Code Her, o movimento inclui um bot (robô) na plataforma X (antigo Twitter) capaz de monitorar tentativas de alterar fotos com potencial de sexualização ou distorção. Ao identificar modificações suspeitas, a ferramenta notifica a usuária e oferece orientações sobre denúncia e proteção. O valor do investimento no projeto não foi revelado.

Segundo a diretora-executiva de marketing e branding do Boticário e Quem Disse, Berenice?, Carolina Carrasco, a iniciativa surgiu em um contexto de aumento expressivo da misoginia e violência contra as mulheres na internet.

Quase 9 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência digital no intervalo de 12 meses até dezembro de 2025, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, em parceria com a Nexus. “Isso é algo que repudiamos, por isso decidimos mostrar que a internet não é terra sem lei”, afirma.

Sobre a possibilidade de reproduzir a iniciativa em outras plataformas digitais, Carrasco explica que, a princípio, o Code Her foi lançado no X para validar a tecnologia e fomentar a conversa sobre manipulação de imagens por IA. “Qualquer expansão será avaliada a partir da evolução das discussões sobre segurança digital para mulheres.”

A executiva destaca ainda que a campanha do Code Her é multiplataforma, incluindo um filme para as redes sociais protagonizado pela cantora Marina Sena que cita a jornalista Rose Leonel, que teve suas imagens íntimas divulgadas sem consentimento no início dos anos 2000, caso que contribuiu para a criação da Lei Rose Leonel (Nº 13.772/18). A iniciat

Entre as brasileiras, 4 em cada 10 não reconhecem agressões como violência”
— Letícia Passini
Além dessa iniciativa, a companhia tem investido em frentes como o canal de WhatsApp “Precisamos Falar”, criado em parceria com a plataforma digital de saúde feminina Bloom Care, que reuniu mais de 15 mil participantes em março, e o Centro de Pesquisa da M

Mulher, voltado a estudos científicos sobre bem-estar feminino.

“O objetivo é fazer um contraponto direto ao histórico tradicional da ciência, que sempre utilizou corpos masculinos para pesquisas e investigações, deixando de lado análises e estudos que fossem mais voltados diretamente às questões femininas”, diz.

A tecnologia também está no cerne das iniciativas da Uber. Desde 2019, a empresa de mobilidade destinou cerca de R$ 40 milhões para ações de segurança das mulheres. Esse montante inclui o desenvolvimento de funcionalidades, campanhas, pesquisas e treinamentos. A empresa também doou cerca de 6.400 viagens para mulheres em situação de violência, facilitando o acesso a delegacias, serviços públicos ou locais seguros.

“Mantemos um compromisso público de enfrentamento à violência de gênero, com parcerias com organizações como Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Patrícia Galvão e MeToo Brasil”, afirma a diretora-geral da Uber no Brasil, Silvia Penna.

Durante a pandemia, a Uber apoiou ainda a criação de um chatbot via WhatsApp para atendimento a vítimas que viviam em isolamento social com agressores. A frente mais recente é o Uber Mulher, funcionalidade que amplia as chances de as usuárias fazerem as viagens com motoristas mulheres – hoje elas representam 8% da base da companhia no Brasil.

“Era uma demanda antiga das usuárias da plataforma”, diz Penna. Hoje, a funcionalidade está disponível em cidades como Uberlândia, Curitiba, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Campo Grande, além de 13 capitais. São elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Recife, Manaus, Fortaleza, Belém, João Pessoa, Goiânia

O cuidado com a segurança feminina não é por um acaso. Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação da lei do feminicídio, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher, segundo dados do Fórum Brasileiro de Seguran

O Magazine Luiza viu de perto essa realidade. Uma de suas colaboradoras foi assassinada pelo companheiro em 2017, o que fez com que a varejista estruturasse uma política para evitar novos casos. “Foi um choque para todo mundo, pois ninguém sabia que ela vivia essa situação dentro de casa”, lembra Tarsila Mendonça, responsável pelo Canal da Mulher –

A especialista explica que o atendimento envolve triagem, acolhimento psicológico e orientação jurídica, além de medidas práticas como transferência de cidade, apoio financeiro, hospedagem e até deslocamento emergencial. “Depois desse caso, nunca mais tivemos nenhum feminicídio registrado no nosso quadro de funcionárias”, diz.

A iniciativa evoluiu para campanhas externas a partir de 2019, incluindo ações de conscientização e parcerias com organizações como a ONG Justiceiras. Até fevereiro deste ano, foram realizados 842 atendimentos por meio dessa parceria. A empresa também aposta em comunicação massiva, utilizando canais próprios e a influenciadora virtual Lu para

ampliar o alcance das mensagens que têm, muitas vezes, foco na prevenção.

“Somos um espelho da sociedade no que se refere a casos de violência. A diferença é que aqui metemos a colher em briga de marido e mulher e apoiamos as vítimas”, comenta a diretora de reputação e sustentabilidade do Magazine Luiza, Ana Luiza Herzog. Ela acrescenta que o plano para este ano é intensificar a comunicação com a Lu. “Também estamos estudando fazer comunicação nas embalagens dos produtos do Magalu”, diz.

Na Natura, o enfrentamento à violência contra a mulher faz parte da estratégia desde 2008, com a atuação do antigo Instituto Avon, incorporado ao Instituto Natura em 2024. A empresa aposta em uma abordagem que combina conscientização, apoio e atuação em políticas públicas. Entre as iniciativas, está o Canal Ângela, assistente virtual que atendeu 294 mulheres em 2025, que se desdobraram em 2.190 atendimentos assistenciais realizados por equipes especializadas. A empresa também viabilizou 104 encaminhamentos para serviços públicos e apoiou o deslocamento de 62 mulheres para delegacias ou redes de apoio.

No campo da comunicação, a campanha “Chame Pelo Nome”, lançada em 2025, alcançou 148 milhões de pessoas na América Latina, sendo 114 milhões apenas no Brasil. A iniciativa foi baseada em dados que indicam baixo nível de reconhecimento das diferentes formas de violência, especialmente as que não são físicas.

“O nosso Índice de Conscientização de Violência contra Mulheres mostrou que 4 em cada 10 brasileiras não reconhecem agressões vividas como violência contra a mulher. O mesmo índice mostra que apenas 29% da população está devidamente conscientizada”, afirma a executiva de reputação e comunicação do Instituto Natura América Latina, Letícia Passini.

A Natura também atua em parceria com governos, apoiando a implementação de políticas públicas e a integração de serviços de assistência social, saúde e segurança. A estratégia inclui ainda o uso de múltiplos canais – redes sociais, catálogos, consultoras e mídia – para ampliar a disseminação de informações.

“É impossível fechar os olhos para algo que atravessa a jornada das mulheres, uma vez que nossa rede de consultoria é majoritariamente feminina e estamos presentes no dia a dia delas desde a nossa fundação”, afirma a executiva de diversidade, equidade e inclusão da Natura América Latina, Aline Lima. “Nosso compromisso é atuar na prevenção e no suporte direto, oferecendo ferramentas para que elas não entrem ou consigam sair desse ciclo. Fazemos isso promovendo autonomia financeira, acesso a informações e letramento em cidadania.”

 

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