HOME

Home

‘Serei a próxima’: casos de violência contra mulher criam onda de ansiedade

Saiu no site G1

Notícias de feminicídios que chegam aos celulares das mulheres todos os dias têm gerado crises de ansiedade, revolta e pavor — especialmente em quem já foi vítima de violência. Os relatos chegam aos consultórios de psicólogos, e o “efeito gatilho” sufoca a saúde mental de quem já luta para superar traumas.

‘Notícia me deu desespero’
Pacientes levam às sessões de terapia seus sentimentos em relação a casos de violência contra mulheres. Na Sou Pagu, rede nacional de atendimento psicológico a mulheres em situação de violência, os relatos de ansiedade em relação às notícias que circulam têm se tornado mais comuns desde o fim do ano passado, diz Mayhumi Kitagawa, psicóloga e fundadora.

Engenheira agrônoma de Florianópolis levou o caso do feminicídio de Catarina Karsten às consultas. Nayara*, 36, faz acompanhamento psicológico na rede Sou Pagu há três anos. No fim do ano passado, o feminicídio da estudante universitária que fazia uma trilha foi tema da sessão de terapia de Nayara algumas vezes.

No fim de semana em que ela foi morta, eu também estava acampando com meus amigos. Quando a internet voltou, peguei o celular e a primeira coisa que vi foi o rosto dela. É muito duro ser lembrada de que se é mulher com a pior notícia que poderia existir. Me chocou muito, senti desespero, me senti vulnerável, como se não fosse dona da minha vida.

Nayara diz que desde criança entendeu “o que é ser mulher” —com assédios que sofria na rua. Ela viveu um relacionamento abusivo em que o ex praticava violência psicológica. Segundo Nayara, ele tinha crises de ciúmes, comportamento que se agravou quando ela fez um intercâmbio. “Mandava mensagens querendo saber onde eu estava, e era tão bom com as palavras que eu me sentia louca e cúmplice da loucura dele”, diz. “Comecei a sonhar que ele me perseguia e me matava.” Por isso, tem a sensação de que precisa estar o tempo todo em alerta.

Entender que para o mundo sou vista como uma presa é desesperador.
Nayara

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

HOME